Temporada do pequi movimenta Ceasa em Goiânia

Na próxima semana, a Ceasa será palco da 6ª Festa do Pequi, evento aberto ao público, que terá várias atrações artísticas e um almoço gratuito.
Por Jornal Daqui
Data: 15/10/2026
Mateus Cauã, descascador: “Época boa de ganhar dinheiro” (Fábio Lima/O Popular)

Sempre muito aguardada por comerciantes e consumidores, o início da temporada do pequi traz um novo aroma para as ruas e feiras livres em Goiás. Na Centrais de Abastecimento de Goiás (Ceasa Goiás), em Goiânia, onde o fruto chega primeiro para abastecer a capital, este cheiro específico e a movimentação de vendas já são intensos. Na próxima semana, a Ceasa será palco da 6ª Festa do Pequi, evento aberto ao público, que terá várias atrações artísticas e um almoço gratuito.

Quem aprecia o pequi deve se apressar para comprar o produto porque a estimativa é que o desempenho da produção seja menor que no ano passado. Isso acontece por causa da oscilação na safra do fruto, que é cíclica, com um ano de fartura seguido por outro de maior escassez, resultado de um fenômeno biológico chamado alternância de produção ou bienalidade, intensificado pelas variações climáticas.

No ano passado, foram ofertadas 6.071 toneladas de pequi na Ceasa Goiás, quase 15% mais que as 5.295 toneladas vendidas em 2024. A movimentação financeira gerada pela comercialização do fruto passou de R$ 9,8 milhões para R$ 11,4 milhões neste mesmo período de comparação. A estimativa é que o corte do pequi gere cerca de 1 mil empregos.

"Antigamente, o pequi era vendido somente em caixas, onde os próprios empregados do comércio descascavam e embalavam o fruto. Agora, ele é cortado aqui mesmo e vendido em bandejas, o que agregou valor e gerou muitos empregos durante a temporada", lembra o gerente técnico da Ceasa Goiás, Josué Lopes. Nas feiras livres e ruas da capital, o pequi ainda é cortado na hora, justamente para fisgar o cliente pelo cheiro.

Fruto de fora

Ele informa que, no início de setembro, o pequi que chega ao mercado vem do Tocantins. Em outubro, é o pequi de Goiás que está chegando para a venda, vindo, principalmente, de municípios do Norte Goiano, como Terezinha de Goiás, Minaçu, Santa Tereza, São Miguel do Araguaia e Nova Crixás. Em dezembro, chega pequi mineiro, que vai até fevereiro de 2027. "Eles começam pela região Norte de Goiás e vêm descendo", ressalta.

No início da safra, a caixa com 30 quilos do fruto chegou a ser comercializada por R$ 120 ou até R$ 130 na primeira remessa. Agora, com o aumento da oferta, o preço já caiu para entre R$ 65 ou R$ 70. "À medida que a safra se intensifica e a oferta aumenta, o preço cai. Além disso, o desempenho da safra muda de um ano para o outro", destaca Josué.

Na Ceasa, o preço da bandeja de pequi está variando de R$ 8 a R$ 10, de acordo com a qualidade e o local de origem do fruto. Na revenda Frutos de Cristo, o empresário Marcos Vinícius Gomes vende a bandeja por R$ 8 e a caixa com 25 quilos por R$ 60. "O preço está praticamente o mesmo do ano passado e a procura está crescendo à medida que chegam frutos de maior qualidade".

Ele conta que chega a vender 300 caixas do fruto por dia, principalmente para feirantes, vendedores ambulantes e verdurões.

A comerciante Fabiane da Cruz Ribeiro, da AR. Daniel, conta que está vendendo o pequi de São Miguel do Araguaia, que tem ótima qualidade. "O pequi de Goiás é mais saboroso. Já o de Minas tem cor mais avermelhada", compara.

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