Senado aprova fim da escala 6x1 com 75 votos a favor e só 1 contrário

Em dois turnos, foi aprovado texto-base da PEC que reduz jornada semanal para 40 horas sem cortar salários, em vitória do governo petista a 11 dias da votação
Por O Popular
Data: 15/10/2026
Aliados do governo Lula comemoram aprovação do fim da escala 6X1 na sessão do Senado (Lula Marques/Agência Brasil)

O Senado aprovou nesta quarta-feira (14), em dois turnos, o texto-base da PEC (proposta de emenda à Constituição) que acaba com a escala de trabalho 6x1 , uma importante vitória do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a 11 dias da eleição.

A oposição, alinhada a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador que disputa o segundo turno contra Lula, tentou evitar que a votação fosse concluída ainda nesta sessão. No entanto, um requerimento de calendário especial foi aprovado por maioria de votos. O PL liberou a bancada para a votação.

A PEC foi aprovada com 75 votos em primeiro turno. Somente o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) votou contra. O placar foi o mesmo na segunda votação. Era necessário apoio de 49 dos 81 parlamentares.

Pelas regras de tramitação de emendas constitucionais, esse tipo de proposta precisa ser votada em dois turnos, com um intervalo de cinco dias úteis e três sessões de discussão entre eles. Ou seja, pelo trâmite original, seria impossível votá-la antes da eleição. O calendário especial foi solicitado pela líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e teve o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). No domingo (11), Lula afirmou que a votação da PEC antes da eleição já estava acordada com Alcolumbre.

O presidente do Senado disse, ao abrir a sessão, que a inclusão da PEC na pauta desta quarta é o cumprimento de compromisso feito por ele de que a votação aconteceria depois da eleição. "Neste momento, milhões de trabalhadoras e trabalhadores acompanham esta sessão com esperança. São pessoas que conhecem, na própria rotina, o valor de um dia a mais de descanso."

A PEC aprovada pelo Senado nesta quarta reduz a jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas, com a concessão obrigatória de duas folgas semanais, uma delas preferencialmente aos domingos, sem redução da remuneração.

A alteração constitucional prevê uma transição para a redução das quatro horas semanais. O relator da PEC no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), rejeitou todas as emendas e manteve o texto da Câmara. No plenário, Aziz defendeu o texto aprovado em setembro na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), mas disse considerar urgente a discussão de uma regulamentação que trate de categorias com jornadas específicas, como a de trabalhadores de plataformas e do setor aéreo.

Senadores da oposição apresentaram uma emenda minutos antes de a última sessão de discussão começar. Assinada pelo senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), recebeu apoio de 21 senadores. O texto previa que as jornadas especiais iguais ou inferiores a 40 horas semanais previstas em lei não terão redução proporcional quando a regra da PEC entrar em vigor. Segundo Guimarães, a emenda busca evitar insegurança jurídica a categorias como bancários, jornalistas e operadores de telemarketing. Antes da votação começar, o autor retirou a emenda.

A oposição tentou resistir, mesmo após o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é senador, mudar de posição e declarar voto favorável ao fim da escala 6x1. Por fim, o PL encaminhou voto favorável à aprovação da PEC.

Flávio apoia de fato uma outra PEC, proposta pelo seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN). Líder da oposição, o congressista defende a criação de um novo regime de trabalho, com pagamento por hora, ao invés do fim da escala 6x1. A oposição reconhece a popularidade do fim da escala de trabalho que dá apenas um dia de folga semanal aos trabalhadores. Pesquisa Datafolha de março apontou apoio de 71% dos brasileiros à proposta.

O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), defendeu que caso Flávio vença a eleição, crie medidas para mitigar o impacto da PEC para os empregadores, entre elas a desoneração da folha. "Se para o empregado está bom o fim da 6x1, para o empregador também vai ter que ficar bom em alguma medida, senão vai faltar emprego."

Ícone Mais Notícias
Esteja sempre atualizado sobre os principais acontecimentos

Variedades

Acordo entre MPF e Prefeitura de Goiânia libera obras do BRT

Conciliação foi firmada em reunião presencial entre o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela, e o procurador da República Hélio Telho Corrêa Filho, com a participação de representantes da Caixa Econômica Federal e das procuradorias municipais Saiba mais