Serviços chegam ao quarto mês consecutivo de crescimento nulo

O volume de serviços em todo o País chegou ao quarto mês seguido sinalizando estagnação virtual, num cenário semelhante ao observado em Goiás – mas com uma diferença central.
Por O Hoje
Data: 15/10/2026
Foto: Joédson Alves/ABr

Se a atividade naquele setor parou de crescer a partir de abril no dado consolidado para todas as regiões brasileiras, o setor de serviços no Estado anota queda de 3,4% na passagem de maio para agosto deste ano, na série sazonalmente ajustada, com exclusão de fatores e eventos que sempre ocorrem todos os anos em uma mesma época.

Há uma diferença de ritmo igualmente, com a atividade naquele setor, como mostram as estatística coletadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) em sua pesquisa mensal sobre o setor. Na comparação com o mês imediatamente anterior, os serviços recuaram 0,1% em agosto deste ano no País como um todo e 0,5% em Goiás. A baixa em agosto, considerando os números para o Estado, veio na sequência de quedas de 0,6% e de 2,4% em junho e julho, depois de variações de apenas 0,1% e de 0,2% em abril e maio, respectivamente.

Na média brasileira, a taxa mais “decente”, sob um ponto de vista meramente estatístico, havia sido registrada em abril, quando a pesquisa chegou a anotar um avanço de 1,2% em relação a março. Na sequência, registrou-se um recuo de 0,3% em maio, com variação positiva de 0,1% em junho, o que pode ser lido virtualmente como estabilidade, com variação nula em julho. Na comparação entre agosto e abril deste ano, o setor não se moveu e, na verdade, chegou a apresentar taxa levemente negativa de 0,2%, configurando uma tendência a certa estagnação no período.

Os sinais de baixo ou nenhum crescimento, sempre na série livre de influências sazonais, sugerem pelo menos uma perspectiva alternativa para as pressões inflacionárias naquele setor, já que o aquecimento da demanda parece não oferecer uma explicação razoável para a inflação dos serviços, que tem se mantido em torno de 6,0% no acumulado em 12 meses desde março do ano passado.

Juros. Ah, os juros

Mais precisamente, a taxa inflacionária medida pelo mesmo IBGE havia alcançado 5,98% no acumulado entre outubro do ano passado e setembro deste ano. Um terço daquele índice pode ser explicado pelas variações nos preços médios da alimentação fora de casa, da tarifa de energia elétrica residencial, passagens aéreas, educação, serviços pessoais e de saúde. Os dois terços restantes não parecem ter a demanda “superaquecida” como origem. Neste sentido, a manutenção dos juros nos níveis atuais conseguirá apenas manter deprimida a demanda total, sem grande impacto aparente sobre os custos dos serviços, que parecem obedecer a outra ordem de influências, a ser melhor investigada pelos especialistas.

Balanço

De volta à pesquisa do IBGE sobre a atividade no setor de serviços, ainda na série de dados dessazonalizados, os dados de agosto mostram variação zero no segmento de informação e comunicação, que vinham de queda de 2,8% em julho, e baixa de 0,2% tanto para serviços administrativos e profissionais quanto para transportes, armazenagem e correio.

Os serviços prestados às famílias de fato reagiram, com elevação de 2,1% em agosto depois de ter experimentado variação positiva de 0,7% em julho, recompondo-se frente à queda de 1,3% em junho. O segmento de alojamento e alimentação (quer dizer, hotéis, pousadas, bares, restaurantes) sustentou a alta de agosto, apresentando variação de 2,6% em relação a julho – num desempenho igualmente melhor do que os dados dos dois meses anteriores. Em junho e julho, ainda no setor de bares, hotéis e restaurantes, a pesquisa havia registrada baixa de 1,1% e elevação de 0,4% naquela ordem.

Na comparação com igual período do ano imediatamente anterior, houve desaceleração na velocidade de crescimento da atividade, que no entanto chegou em agosto ao 29º mês consecutivo de dados positivos. A diferença, conforme já anotado, está na intensidade do crescimento registrado. Março mostrou o melhor resultado do ano até o momento, com alta de 3,5% em relação ao mesmo mês de 2025.

Na sequência, as taxas mensais alcançaram 2,2% em abril, de 0,7% em maio, com algum suspiro em junho (alta de 2,2%), mas nova desaceleração em julho e agosto, quando as variações ficaram limitadas a 0,9% e 0,6%. As taxas trimestrais retratam de forma mais evidente a desaceleração ocorrida. Nos três meses finais de 2025 e no primeiro trimestre deste ano, os serviços anotaram altas de 2,9% e de 2,5%. No segundo trimestre, a variação já havia cedido para 1,7% e, para o bimestre julho-agosto, o IBGE anotou variação de 0,7%.

A variação acumulada no ano saiu de 2,1% no primeiro semestre para 1,7% entre janeiro e agosto, comparado aos mesmos oito meses do ano passado.

Os serviços prestados às famílias avançaram 4,2% em agosto, no quinto resultado mensal positivo em sequência, com alta de 4,3% para serviços de informação e comunicação (34ª alta mensal consecutiva), mas inferior ao salto de 9,4% observado em junho. Os serviços profissionais e administrativos, que chegaram a crescer 3,0% em junho, passaram a avançar 4,3% dois meses depois. Mas os transportes e o grupo “outros serviços” sofrem baixas de 2,8% e de 2,5% em agosto, respectivamente.

Os serviços em Goiás, também na comparação com idêntico período de 2025, chegaram ao segundo mês de perdas, com tombos de 4,1% e de 4,5% em julho e agosto, pela ordem. Ao longo do ano, até agosto, foram cinco meses de baixas, dois meses de crescimento e um de estabilidade virtual (em abril, quando a variação ficou em apenas 0,1%). Em oito meses, a atividade nesta área recuou 1,8% (com recuo de 0,7% no acumulado em 12 meses até agosto).

Entre os grandes setores, os serviços prestados às famílias cresceram 3,0% em agosto, no primeiro resultado positivo em 13 meses. Houve ganhos igualmente para os serviços profissionais e administrativos, que cresceram 5,6% em agosto (14ª alta mensal seguida), mas perdas para serviços de informações e comunicações (baixa de 2,0% depois de recuo de 0,7% em julho), para transportes, armazenagem e correio (quedas de 7,9% em julho e de 9,9% em agosto), e para “outros serviços” (que também encolheram em julho e agosto, com baixas de 5,7% e de 6,2% pela ordem).

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