Queda de custos impulsiona confinamento, mas reposição cara pressiona setor
Goiás alcançou a terceira maior produção de carne bovina e o terceiro maior em confinamento no País, segundo a Expedição PeseBem, realizada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg). O setor vive um momento de rentabilidade operacional, impulsionado pela queda no preço dos grãos.
Porém, o cenário esbarra no alto custo dos animais de reposição, na concentração das exportações e em gargalos estruturais nas propriedades, de acordo com dados do levantamento.
O ambiente de custos em Goiás liderou o alívio nacional para a pecuária intensiva, com um valor operacional de R$ 220 para produzir uma arroba dentro do confinamento, de acordo com o Índice de Custo de Bovinos Confinados (ICBC), estruturado pela Universidade de São Paulo (USP). O valor do custo de produção levantado pela Expedição PeseBem está um pouco acima dessa média, com valor de R$ 230.
Segundo o ICBC, essa é uma queda de 16% na comparação com o ano anterior, puxada pelo recuo de 28% no preço do milho e de 15% no farelo de soja. Com a nutrição barateada, o custo médio da diária fechou em R$ 14,84 para os machos.
Exportação concentrada
A expedição Pesebem, que mapeou o perfil produtivo de 50 propriedades com mais de 1 milhão de cabeças somadas, evidenciou a desigualdade na comercialização das carnes. Embora 44% dos confinamentos do Estado produzam exclusivamente para o mercado interno, a balança se inverte no volume final: 80% de toda a carne bovina produzida nas fazendas visitadas vai para o mercado externo. Desse total exportado, 97% tem origem em apenas sete grandes confinamentos.
O coordenador técnico do programa PeseBem, Alexandre Reis, ressalta que essa pressão internacional aliada ao atual momento das pastagens terá reflexos diretos no bolso do consumidor brasileiro. “Você tem um ciclo de alta com menor disponibilidade de animais e o ciclo anual da China, que começa a se preparar para exportação a partir de novembro. Isso com certeza vai refletir num custo maior lá na frente no supermercado. No entanto, a gente não pode esquecer que o Brasil hoje é o País com menor custo da arroba, com a arroba mais competitiva do mundo”, analisa.
Atualmente, a aquisição de novos animais é o principal obstáculo financeiro. Segundo a PeseBem, 66% das propriedades dependem da compra do “boi magro”. Essa relação de troca tem espremido as contas dos pecuaristas que precisam repor o plantel para o próximo giro no cocho.
O presidente do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Armando Rollemberg, detalha o aperto gerado pelo atual ciclo de alta da pecuária. “Nós temos um alto custo de reposição desse garrote ou dessas novilhas no confinamento. Estamos falando de uma venda em R$ 340, R$ 350 a arroba nesse gado que tá confinado e o boi magro sendo comprado em torno de R$ 400 a arroba. Então esse ágio do boi magro tá muito apertado e apertando as margens do confinamento”, aponta.
Gargalos de infraestrutura
O Estado possui uma capacidade estática de 755 mil cabeças nas plantas, mas opera com uma ociosidade geral de 34%. O esvaziamento é ainda mais severo entre os pequenos produtores, com capacidade para até mil cabeças, que chegam a registrar 77% de suas instalações desocupadas. O presidente do Ifag destaca que a dificuldade para adotar tecnologias de rastreabilidade, ampliar a escala e otimizar os custos esbarra na infraestrutura básica do interior de Goiás.
“Ficou muito claro que o gargalo em todo o Estado, principalmente na pecuária da Região Norte, é a energia. Então, a gente tem um gargalo de expansão dessa pecuária por conta da energia. Nós temos também um gargalo que é a questão de mão de obra e a cobertura de sinal de telefone”, alerta Rollemberg.
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