Fisioterapeuta suspeita de lesionar pacientes divulgava procedimentos sem cortes e com anestesia

Ao menos sete pacientes denunciaram infecções e mutilações após procedimentos estéticos. A defesa afirma que inocência da investigada será comprovada no processo
Por Jornal Daqui
Data: 22/09/2026
Buscas e apreensões ocorreram na casa dela, além dos consultórios, em Goiânia (Divulgação / Polícia Civil e Reprodução / Instagram Magda Oliveira)

A fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva, presa nesta segunda-feira (21) suspeita de mutilar pacientes durante procedimentos estéticos em Goiânia, divulgava seus serviços nas redes sociais com a promessa de métodos "sem cortes e com anestesia local". Segundo a Polícia Civil de Goiás (PC-GO), no entanto, os procedimentos envolviam cortes profundos e retirada de tecidos, além de terem causado queimaduras, infecções e mutilações.

Em nota, o advogado Sílvio Maia, que atua na defesa de Magda, afirmou que a profissional reafirma seu compromisso com a verdade e com a ética e está à disposição da Polícia Civil e da Justiça para apresentar documentos e laudos técnicos. Também destacou que a investigação deve respeitar o direito de defesa e a presunção de inocência. Segundo a defesa, o andamento do inquérito deverá demonstrar a regularidade da atuação da fisioterapeuta.

Até o momento, pelo menos sete mulheres foram identificadas com complicações após procedimentos no rosto, no corpo, nas mamas e na região íntima. De acordo com a polícia, embora os atendimentos fossem divulgados como procedimentos pouco invasivos, exames feitos pela perícia apontaram cortes e queimaduras graves, além de casos de necrose, sangramentos e cicatrizes extensas.

Para os investigadores, os procedimentos realizados pela fisioterapeuta ultrapassaram os limites permitidos para a profissão. Em um dos casos, uma paciente que passou por um procedimento íntimo relatou que houve retirada excessiva de pele e tecido, atingindo a região do clitóris. Ela precisou de atendimento médico e tomou antibióticos.

Outra paciente sofreu queimaduras graves nas mamas, com danos que permaneceram mesmo após o procedimento. Fotos e vídeos de atendimentos realizados pela profissional também fazem parte do material analisado pela polícia.

O delegado Alex Rodrigues, responsável pela investigação, informou que a fisioterapeuta poderá responder por lesão corporal grave e gravíssima. Durante a operação, os policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão: um na casa da fisioterapeuta e outros dois em consultórios onde os atendimentos eram realizados, em Goiânia.

Nos locais, foram apreendidos celulares, materiais usados nos procedimentos e medicamentos, alguns deles vencidos. A polícia também constatou que as salas onde os atendimentos eram feitos não tinham alvará ou licença da Vigilância Sanitária.

O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 19ª Região (Crefito-19) informou que tomou conhecimento do caso e abriu um processo administrativo e ético-disciplinar para apurar a conduta da profissional. O conselho afirmou que, se as irregularidades forem confirmadas, o caso será considerado um grave desvio profissional e poderá resultar em punições.

O Crefito-19 também informou que está à disposição da Polícia Civil e do Ministério Público para colaborar com as investigações e reforçou o compromisso com a segurança dos pacientes e a fiscalização do exercício profissional.

Aos investigadores, Magda afirmou ter feito cursos de harmonização facial, corporal e íntima. Ela também disse que cursa medicina a distância por uma universidade da Bolívia.

A Polícia Civil tornou o caso público para tentar localizar outras possíveis vítimas. Quem passou por algum procedimento com a profissional e teve complicações pode procurar a delegacia, apresentar documentos e prestar depoimento.

Nota da defesa

A Sílvio Maia Assessoria, no exercício do acompanhamento institucional da defesa da fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos quanto às recentes divulgações veiculadas pela imprensa:

Presunção de inocência e devido processo legal

A Sra. Magda Oliveira da Silva reafirma seu compromisso com a verdade e o rigor ético que sempre pautaram sua atuação profissional na área de fisioterapia e estética. Ressalta-se que qualquer apuração deve observar rigorosamente as garantias constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.

Cooperação com as autoridades

A profissional e sua equipe jurídica estão integralmente à disposição da Polícia Civil e do Judiciário para fornecer todas as informações, laudos técnicos e documentações necessárias. Confiamos que o trâmite das investigações demonstrará a regularidade de sua conduta e o devido cumprimento dos protocolos técnicos aplicáveis aos seus atendimentos.

Esclarecimento dos fatos

Pedimos cautela na divulgação de ilações prematuras e reforçamos que os fatos serão devidamente fundamentados nos autos do processo técnico e pericial competente. A profissional e a sua defesa reiteram a plena confiança na Justiça e reafirmam que a sua inocência será devidamente comprovada no decorrer dos trâmites legais.

Nota do Crefito-19

O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 19ª Região -- CREFITO-19, Autarquia Pública Federal criada para defender os interesses públicos e proteger a sociedade por meio da fiscalização do exercício profissional de Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, no uso de suas atribuições legais e representado por seu Presidente, vem, respeitosamente, por meio desta, esclarecer que tomou conhecimento dos fatos por meio de denúncia recebida e da prisão preventiva de uma profissional fisioterapeuta por meio da imprensa, a partir de informações divulgadas pela Polícia Civil do Estado de Goiás sobre supostos danos causados a pacientes em procedimentos estéticos.

O CREFITO-19 instaurou processo administrativo/ético-disciplinar próprio para apuração dos fatos.

Caso confirmados, os fatos expostos configurarão grave desvio da prática profissional e serão tratados com o rigor cabível, no âmbito do referido processo administrativo.

O CREFITO-19 se coloca à disposição das autoridades policiais e do Ministério Público para colaborar com a investigação em curso e reitera seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes e com a fiscalização ética do exercício profissional na região.

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