Goiás tem menos analfabetos
O Estado de Goiás registrou em 2025 a menor taxa de analfabetismo de sua história, atingindo o índice de 3,5% entre a população de 15 anos ou mais de idade, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse valor representa um contingente total de 207 mil pessoas e indica uma redução em relação ao porcentual de 3,6% observado na pesquisa em 2024. Na comparação com a média do Brasil, Goiás apresenta um desempenho superior, visto que a taxa nacional de analfabetismo para o mesmo grupo etário foi de 4,9% no último ano, totalizando 8,4 milhões de brasileiros.
Para o superintendente do IBGE em Goiás, Edson Roberto Vieira, esse resultado não é isolado, sendo percebido ao longo dos anos. Para ter ideia, em 2023, a mesma pesquisa verificou uma taxa de 4% de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais no Estado. Na comparação aos outros Estados, Goiás tem a 8ª menor taxa de analfabetismo para quem tem 15 anos ou mais. A liderança nesse quesito é de Santa Catarina, com 1,5%, seguido do Rio de Janeiro (1,6%) e São Paulo (1,9%). Melhores que Goiás ainda estão Distrito Federal (2,0%), Rio Grande do Sul (2,2%), Paraná (3,3%) e Roraima (3,4%).
As regiões Sul (2,4%) e Sudeste (2,3%) concentram as menores taxas de analfabetismo do País, enquanto que as maiores taxas permanecem concentradas no Nordeste (10,6%), que abriga Alagoas e Piauí, ambos com 13,1% de analfabetismo. A análise detalhada dos dados goianos revela que o analfabetismo possui uma associação direta com o fator etário. Entre os indivíduos com 60 anos ou mais de idade no Estado, a taxa de analfabetismo foi de 12,3%, o que corresponde a 133 mil pessoas, enquanto em 2024 esse índice era de 14,0%. Para os grupos mais jovens, os porcentuais são menores, registrando 6,4% entre pessoas com 40 anos ou mais; 4,2% para aquelas com 25 anos ou mais; e 3,6% na população de 18 anos ou mais.
No cenário nacional, a taxa de analfabetismo para idosos de 60 anos ou mais foi de 13,8% em 2025. Para Vieira, essa taxa concentrada entre os idosos mostra que a substituição geracional relacionada às políticas públicas de cobertura significativa da Educação Básica e Fundamental é o que resultou na queda do analfabetismo. O analista da pesquisa e técnico do IBGE, analista da pesquisa, William Kratochwill, afirma que o analfabetismo é uma questão etária. "É um problema que vem da história do País. Então, mais da metade dos analfabetos têm 60 anos ou mais de idade. Se tirarmos as pessoas de 60 anos ou mais do grupo de análise, essa taxa cai para 2,6%", afirma, a respeito do número médio nacional registrado na pesquisa.
Raça
As disparidades raciais persistem nos indicadores de alfabetização em Goiás. Em 2025, a taxa de analfabetismo para pessoas brancas com 15 anos ou mais foi de 2,8%, enquanto para pessoas pretas ou pardas o índice subiu para 3,9%. Essa diferença se torna mais acentuada na faixa etária de 60 anos ou mais, na qual 9,0% das pessoas brancas são analfabetas frente a 14,9% das pessoas pretas ou pardas. O superintendente em Goiás reforça que essa diferença acompanha os demais dados sociais na comparação de raça, como de renda e emprego, o que demonstra a desigualdade no geral. "A PNAD-C mostra que, quanto mais educação, melhor é a renda, o que mostra essa correlação entre os dados das pesquisas", afirma ele.
No Brasil, a desigualdade nacional mostra que 2,8% dos brancos de 15 anos ou mais são analfabetos, contra 6,5% dos pretos ou pardos. Quanto ao sexo, Goiás atingiu a paridade em 2025, com 3,5% de analfabetismo tanto para homens quanto para mulheres na população de 15 anos ou mais. No que se refere ao nível de instrução, Goiás registrou em 2025 a maior proporção de indivíduos com 25 anos ou mais de idade que concluíram a educação básica obrigatória, chegando a 32,5%. Entre a população goiana nessa faixa etária que não finalizou o ciclo básico, 4,4% eram sem instrução, 23,9% possuíam ensino fundamental incompleto, 7,2% tinham ensino fundamental completo e 5,7% apresentavam ensino médio incompleto.
O porcentual de pessoas com ensino superior completo em Goiás foi de 21,7% em 2025, superando a média nacional de 21,4% para o mesmo grupo. O acesso à educação infantil em Goiás mostra que a taxa de escolarização para crianças de zero a 3 anos foi de 32,6% em 2025, valor que se encontra abaixo da Meta 1 do Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece o objetivo de 50% de frequência.
Escolarização
A média nacional de escolarização para essa faixa etária foi de 41,7%. Para as crianças de 4 a 5 anos em Goiás, a taxa foi de 92,7%, enquanto o índice brasileiro atingiu 94,9%. Isso implica que 7,7% dos jovens de 15 a 17 anos em Goiás estavam fora da escola em 2025. A taxa ajustada de frequência de estudantes na série correta ou que já concluíram o nível mostra uma desvantagem para o sexo masculino. Um total de 87,2% das mulheres estava no ensino médio ou já o haviam concluído, enquanto que a taxa dos homens é de 78,6%. Essa diferença de 8,6 pontos porcentuais indica que os homens enfrentam maior atraso escolar ou abandonam os estudos em maior proporção que as mulheres nessa etapa.
No ensino fundamental, a universalização para a faixa de 6 a 14 anos está consolidada no Estado, com uma taxa de escolarização de 99,4%. Em relação à taxa ajustada de frequência escolar líquida nessa etapa, Goiás registrou 96,7%, cumprindo a Meta 2 do PNE que estipula o mínimo de 95,0%. No Brasil, essa taxa ajustada foi de 96,1% em 2025. Para o ensino médio, entre jovens de 15 a 17 anos, a taxa ajustada de frequência líquida em Goiás subiu para 82,2%, ficando abaixo da meta nacional de 85,0%. A média brasileira para esse indicador foi de 80,6% no mesmo período.
"Isso é reflexo de muitos anos de uma quase universalização da taxa de escolarização da frequência escolar contínua de crianças de 6 a 14 anos, que em 2025 alcançou aí os 99,5% de pessoas frequentando a escola", afirma Kratochwill. Já Vieira entende que a melhora nos índices de permanência escolar tem relação direta com as políticas estaduais e nacionais voltadas a esse fim, como o Pé-de-Meia, programa da União que consiste em repasses em dinheiro mensais e vinculados à matrícula, frequência de pelo menos 80% nas aulas e aprovação, que foi iniciado em 2024.
Quanto ao ensino superior, a Meta 12 do PNE prevê uma taxa de frequência líquida de 33,0% para a população de 18 a 24 anos. Em Goiás, esse objetivo foi atingido em 2025 apenas entre pessoas brancas (43,3%) e entre mulheres (37,3%). No contexto da juventude de 15 a 29 anos, o Estado registrou o menor porcentual de jovens que não trabalhavam e não estudavam desde o início da série histórica em 2019, com o índice de 14,1%, representando 239 mil pessoas. No Brasil, esse indicador foi de 17,5% em 2025. A distribuição dessa faixa etária em Goiás mostra que 18,3% estavam ocupados e estudando, enquanto 45,7% estavam apenas ocupados e não estudavam.
Mais Notícias
Esteja sempre atualizado sobre os principais acontecimentos
Goiás tem menos analfabetos
Segundo IBGE, estado atinge menor taxa de analfabetismo da história entre a população de 15 anos ou mais Saiba mais
Super El Niño exige medidas
Fenômeno que deve prolongar estiagem força poder público a adotar ações Saiba mais