Goiás é origem de franquias que seguem ampliando mercados

Número de unidades franqueadas no estado chegou a 6.550 no 1º trimestre e elas faturaram 8,3% mais que no mesmo período de 2025
Por O Popular
Data: 11/06/2026
Testados e aprovados (Arte O Popular)

O setor de franchising começou 2026 com crescimento em Goiás , que atingiu a marca de 6.550 unidades franqueadas no primeiro trimestre do ano, um incremento de 2,8% sobre o mesmo período de 2025. O faturamento destes negócios cresceu 8,3% nos primeiros três meses do ano. Grandes ideias que se tornaram franquias de sucesso no País, e que até já desembarcaram em outros países, nasceram aqui.

De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o mercado de franquias superou R$ 300 bilhões em 2025 , com alta de 10,5% no faturamento sobre o ano anterior, ajudando no crescimento da economia brasileira. O segmento já emprega quase 56,7 mil trabalhadores no estado, onde as franquias que mais faturam estão nos segmentos de saúde, beleza e bem-estar, serviços e alimentação.

A Milky Moo é a franquia goiana com maior número de unidades no País e a única a figurar no Top 50 da ABF. O fundador e CEO, Lohran Soares, explica que ela começou em março de 2020, em plena pandemia, por isso trabalhava apenas com entregas, quando ainda nem existiam as plataformas atuais. "Começamos fazendo testes em casa e a primeira loja foi no antigo Shopping Cidade Jardim, hoje Bentivi Shopping", lembra. Hoje, a marca ainda conta com três lojas próprias em Goiânia.

Soares conta que a Milky Moo está chegando à marca de 880 lojas, sendo 680 em funcionamento e mais 200 em fase de implantação, estando presente em todos os estados do País, além de 4 operações em Orlando e Miami, nos Estados Unidos. Uma nova unidade está sendo aberta em Assunção, no Paraguai, no próximo mês.

"São 200 lojas abertas, por ano, em média. Nossa meta é ultrapassar mil lojas até setembro e fechar o ano com 1.100 unidades, sendo 850 abertas e 250 em implantação", afirma Soares.

O empresário se orgulha em dizer que a franqueadora é a maioria marca de sobremesas dos deliveries do Brasil. O investimento inicial é de R$ 200 mil para o modelo Milky Moo Festa, uma operação voltada para pequenos eventos, chegando a até R$ 500 mil para grandes lojas. Hoje, as lojas geram cerca de 3.500 empregos. Ele acredita que, para uma franquia despontar, é preciso uma grande marca para despertar o desejo no cliente e ter um relacionamento com ele.

"Nossa missão é encantar pessoas com uma grande experiência. A loja precisa chamar atenção do cliente e oferecer um ótimo produto, se comunicando com várias classes sociais, sem barreiras socioeconômicas ou climáticas, e tendo ótimo atendimento e excelente governança corporativa", afirma. A marca está entre as 18 franquias com selo de excelência da ABF, dado pelos próprios franqueados.

Outra franquia goiana de sucesso no País é a PopCorn Gourmet, da franqueadora Elaine Moura, lançada em 2016, e que já tem 56 unidades no País, sendo 8 em Goiânia. "Eu tinha um buffet na capital e comecei a fazer pipocas buscando uma sobremesa diferente. Comecei a presentear os clientes que fechavam contrato comigo e essas pessoas começaram a elogiar e pedir para colocar nos eventos", lembra.

Clientes e convidados passaram a perguntar onde comprar o produto. Elaine montou um carrinho para vender suas pipocas na Casa Cor e, lá, validou isso como um negócio, que dava uma boa margem de lucro. Ela conta que recebeu convite do Flamboyant Shopping para abrir o primeiro quiosque, em setembro de 2015. Depois, abriu outras unidades no Goiânia Shopping e Buriti Shopping, onde as pessoas passaram a perguntar se era franquia e como fazer para vender em suas cidades.

As primeiras franquias foram em Ribeirão Preto (SP), Campo Grande (MS), Curitiba (PR) e Goiânia. "O crescimento foi muito rápido e orgânico. O número de lojas foi reduzido durante a pandemia, mas elas voltaram aos poucos. Crescemos em média, 1,5 unidade ao mês", informa Elaine, que já criou mais de 40 sabores de pipoca, muitos deles sazonais.

O diretor regional da ABF no Centro-Oeste, Eduardo Santinoni, diz que a previsão é crescer 10% no País neste ano. Os setores de alimentação e saúde, beleza e bem-estar são os de maior representatividade. Segundo ele, um recorte de crescimento no último trimestre revela que alguns setores se destacam: alimentação para comércio e distribuição, com a expansão dos minimercados, e o de limpeza, que tem tido bons resultados com a expansão das lavanderias autônomas.

Para Santinoni, a principal vantagem do sistema de franquias é o impulso ao empreendedorismo e formação de empreendedores. "A pessoa começa respaldada por uma marca que já traçou um caminho com erros e acertos e que fornece suporte necessário para uma maior segurança. Empreendedorismo tem risco de qualquer jeito, mas a segurança da franquia é maior que empreender sozinho", explica.

Ele ressalta que o franchising tem se expandido em novas regiões, como o Centro-Oeste. "Temos boas franqueadoras nascendo em todos os cantos do País em diversas áreas diferentes, com boas ideias, como a Fast Escova, que é de Goiás", destaca.

Com 21 unidades localizadas em mais de 20 cidades de 10 estados e no Distrito Federal, a rede de franquias Detroit Steakhouse abriu sua primeira unidade em 2011. O CEO Fábio Marques conta que o investimento inicial parte de R$ 380 mil, onde o franqueado tem faturamento médio estimado em R$ 100 mil mensais, números que variam de acordo com o modelo de franquia escolhido.

Para dar certo, ele alerta que o franqueado deve entender que este é jogo mútuo para trazer retorno para todos, onde ele deve executar o conhecimento repassado pela franquia. "O espaço existe para quem quer trabalhar com qualidade, pois há mercado num País tão grande. O que falta, às vezes, é a franquia acreditar que é possível levar para fora", alerta.

Se, antes, a grande maioria das franquias era do Sudeste, hoje, cada vez mais unidades vêm de outras regiões, como Goiás. Para Marques, a principal vantagem da franquia é o item mais caro: o conhecimento, que leva muito tempo para ser formado, pois uma empresa que virou franquia já aprendeu muito ao longo de sua formação. "Os erros você aprende na prática trabalhando com vários perfis de consumo pelo País. Riscos existem, mas pesquisas mostram que 80% das franquias dão certo, enquanto 80% dos negócios próprios dão errado", completa o empresário.

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