Supermercados podem funcionar até as 14h nos feriados, diz sindicato
Os supermercados de Goiás podem funcionar até as 14h nos feriados, com três exceções em que as regras são diferentes, informou o procurador do Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de Goiás (Secom-GO), José Nilton Carvalho. A medida vale para todo o estado, com exceção dos municípios de Catalão, Rio Verde e Itumbiara, onde os trabalhadores são representados por sindicatos próprios. Já nos domingos, os supermercados devem funcionar somente até as 11h. Em caso de descumprimento, a convenção estabelece multa de R$ 500 por trabalhador e por dia de trabalho irregular , conforme Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), firmada entre os funcionários e o setor supermercadista de Goiás.
Todavia, essa presunção advém do cumprimento das normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho, que cuidam da saúde mental, física e psicológica do trabalhador. As empresas devem contratar psiquiatra e psicólogo para fazer análise e mandar um laudo para o Secom dentro de 90 dias. "Domingo não será passível de extensão, vai até as 11h", explicou Carvalho.
De acordo com o superintendente da Associação Goiana de Supermercados (Agos), Augusto Araújo Almeida, o funcionamento dos supermercados nos domingos e feriados não foi proibido pela CCT. Ele explicou que existem duas hipóteses em que os supermercados podem abrir além das 11h: um acordo coletivo com o sindicato laboral, em que a empresa paga um valor para ter permissão para abrir; ou ser filiado ao sindicato patronal e estar em dia com as obrigações sindicais (assista ao vídeo abaixo).
Isso é uma injustiça muito grande que foi criada. É isso que a gente não concorda. É um verdadeiro pedágio sindical. Se você não pagar, você não trabalha. Se você pagar, você trabalha. E isso vai ser ruim para os pequenos. Mais de 98% dos CNPJs do varejo alimentar são pequenos estabelecimentos. Gente que não dá conta de implementar isso e que vai ficar numa situação muito pior com a concorrência. As grandes redes vão continuar abertas e eles vão fechar e, obviamente, vão perder faturamento. É isso que nós não concordamos. Essa cláusula, além de ser ilegal, é imoral. Nós vamos combater a ilegalidade dela na justiça por meio desses recursos que nós estamos impetrando", afirmou Almeida.
Mudança
A mudança no horário foi confirmada no dia 2 de junho deste ano. O termo estabelece ainda que os comércios não funcionem nos feriados de 1° de maio (Dia do Trabalho), 4 de outubro (antecipação do Dia do Comerciário) e 25 de dezembro (Natal) deste ano. Em caso de descumprimento, a convenção estabelece multa de R$ 500 por trabalhador e por dia de trabalho irregular.
Carvalho disse que a limitação do funcionamento até as 11h foi uma alternativa construída entre as partes e atende a parte da demanda dos consumidores e, ao mesmo tempo, garante mais tempo de descanso aos trabalhadores. "Cerca de 50% concordam com o fechamento aos domingos e 50% não. Então decidimos condicionar o horário até as 11 horas da manhã", declarou Carvalho, apresentando dados de uma pesquisa realizada in loco nos supermercados.
'Melhores condições de trabalho'
O procurador ressaltou que a negociação teve como foco a busca por melhores condições de trabalho e formas de enfrentar dificuldades enfrentadas pelo setor. Ele afirma que a dificuldade de contratação tem levado empresas a buscar trabalhadores de outras regiões do país. Ele explicou que a convenção coletiva já foi homologada pelo Ministério do Trabalho.
Porém, a Agos afirma que princípios constitucionais estão sendo atropelados pela cláusula, principalmente o princípio da livre associação e sindicalização. "Ninguém é obrigado no Brasil a se sindicalizar, a ter um vínculo sindical para poder trabalhar. Isso é um absurdo. Nós queremos combater essa questão imoral, esse discurso de que é para o bem-estar do trabalhador quando na verdade nunca foi. É para o bem-estar financeiro do sindicato", ressaltou.
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