Goiás investiga caso após suspensão de vacina Butantan-DV contra a dengue

Estado aplicou 10,6 mil doses em profissionais de saúde. Paciente imunizado em março é um homem de 58 anos que está em casa e passa bem, segundo a SES-GO
Por Jornal Daqui
Data: 10/06/2026
Flúvia Amorim, da Vigilância em Saúde: “Vacina Qdenga pode e deve continuar sendo utilizada” (Diomício Gomes / O Popular)

Goiás suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue do Instituto Butantan após o Ministério da Saúde orientar para a paralisação em todo o País, na segunda-feira (8). Até ontem, o Estado aplicou 10,6 mil doses em profissionais da atenção primária à saúde.

O governo federal paralisou a vacinação com a Butantan-DV após o registro de 42 casos com sinais de alerta identificados pelo sistema de farmacovigilância, que seguem em investigação. Em Goiás, há um caso sob análise: um homem de 58 anos, vacinado em março, do interior. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), ele está em casa e passa bem.

A paralisação temporária do uso do imunizante foi adotada por precaução e a partir de consenso entre o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi anunciada na segunda-feira (8). Ela ocorreu após os registros de casos sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos.

A identificação desses episódios foi feita pela farmacovigilância, um procedimento padrão de monitoramento adotado sempre que um novo insumo desse topo passa a ser usado no Sistema Único de Saúde (SUS).

No caso da Butantan-DV, os efeitos raros e inesperados correspondem a 0,008% de um total de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio. Dentre eles, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. Ainda não há resultado conclusivo sobre a correlação deles com a vacina.

Profissionais da saúde

A estratégia de vacinação com o imunizante do Butantan, iniciada em fevereiro deste ano, estava voltada a profissionais de saúde da Atenção Primária à Saúde. De acordo com o Instituto Butantan, ,nos três municípios onde houve a ampliação da vacinação para a massa da população -- Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa.

Orientação

Para quem já recebeu a vacina, a orientação é observar o estado de saúde por 21 dias após a aplicação. Em caso de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, deve-se procurar atendimento médico. Nesse sentido, a subsecretária de Vigilância em Saúde de Goiás, Flúvia Amorim, lembra que o Estado está no período de inverno, época propícia para doenças respiratórias, como a gripe, que também pode causar sintomas como febre. "Por isso, é necessário investigar", conta.

Goiás recebeu 26,9 mil doses da vacina e aplicou 10,6 mil. A partir de agora, as secretarias municipais de Saúde irão reforçar a vigilância dos pacientes vacinados que apresentarem sintomas sugestivos de dengue, notificando os casos suspeitos à vigilância local e garantindo assistência.

Além da vacina do Butantan, desde 2024 já existe um imunizante contra a dengue disponível na rede pública. A vacina japonesa Qdenga é destinada ao público de 10 a 14 anos e continua sendo aplicada normalmente. "Pode continuar sendo utilizada e deve", reforça Flúvia. No Brasil, cerca de 8 milhões de doses já foram aplicadas.

Em nota, o Butantan disse que trabalha para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, "fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando os vacinados".

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