Mercado imobiliário de Goiânia cresce três vezes acima da média do País

Vendas de novas unidades em empreendimentos verticais avançaram 12,7% na capital, ante 4,1% na média nacional, no 1º trimestre; lançamentos cresceram 15,8%
Por O Popular
Data: 10/06/2026
Prédios em Goiânia: aumento influenciado pela redução de taxas e mais financiamentos (Wildes Barbosa / O Popular)

O mercado imobiliário de Goiânia começou o ano com crescimento no volume de negócios. No primeiro trimestre, as vendas de imóveis novos em empreendimentos verticais cresceram 12,7%, contra um avanço de 4,1% na média nacional, sobre o mesmo período do ano passado. Confiantes em um bom desempenho em 2026, as incorporadoras também lançaram 15,8% mais unidades, mas alertam para a necessidade de mais incentivos para a habitação de interesse social.

De acordo com o levantamento da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), foram 2.882 apartamentos vendidos nos três primeiros meses do ano. Para o diretor de Pesquisas e Estatísticas da Ademi-GO, Credson Batista, o crescimento três vezes acima da média nacional foi impulsionado pelo fato de Goiânia ter se tornado a capital do centro-norte do País, também com crescimento econômico e populacional mais acentuado que o nacional.

Segundo ele, o primeiro trimestre costuma ser o mais fraco do ano, mas o crescimento de unidades lançadas indica que a demanda está aquecida e deve se intensificar ainda mais com a possibilidade do corte dos juros, o que possibilita que mais pessoas comprem imóveis. "Isso leva o mercado a se retroalimentar. Algumas instituições já começaram a reduzir suas taxas e já estão financiando até 90% do valor do imóvel", destaca Batista.

Como este é um crédito subsidiado, abaixo da taxa Selic, ele ressalta que o momento ainda é bom para comprar e lucrar com valorização dos imóveis, que foi de 3,6% no primeiro trimestre. "O mercado continua acreditando porque as bases são sólidas", ressalta. Uma pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) mostrou que um em cada dois brasileiros pretende comprar imóveis nos próximos 24 meses, a maior intenção da série histórica.

"Num cenário de incertezas e eleições, é natural buscar imóveis como forma de proteção patrimonial e rentabilidade", completa o diretor da Ademi-GO.

Interesse social

Mas, para o presidente da Ademi-GO, Felipe Melazzo, o mercado poderia estar ainda melhor se não fosse a burocracia dos municípios para aprovação de projetos de habitação de interesse social. Ele informa que em outras capitais e regiões do País, a participação das habitações de interesse social chega aos 56% das unidades lançadas. Mas, em Goiânia, ela é de apenas 26%. "Pesquisa com associados mostrou que essa demora também atinge empreendimentos de médio e alto padrão."

Melazzo lembra que uma proposta de campanha do prefeito Sandro Mabel foi desburocratizar os processos para reduzir o tempo de aprovação e possibilitar a construção de 15 mil unidades em sua gestão. Por isso, o setor apresentará uma proposta de ações para reduzir esse tempo de aprovação para até 30 dias. "Isso gera mais recursos para o município, pois as empresas constroem mais rápido, contratam mais e pagam mais impostos", adverte.

Ele ressalta que as empresas filiadas à Ademi respondem por quase 10% da arrecadação do município, com IPTU, ISS e ISTI. "Os números mostram que tudo o que está sendo lançado está sendo adquirido. Acreditamos que este deve ser um ano tão bom quanto 2025", prevê Melazzo.

O diretor técnico da FR, Pedro Borela, lembra que lançou um empreendimento no mês de abril, na faixa 2 do programa Minha Casa Minha Vida, que teve 90% das unidades vendidas no lançamento. Confiante no mercado, a empresa tem mais um lançamento previsto para o terceiro trimestre, com unidades de 2 e 3 quartos, nas faixas 3 e 4 do programa, no Jardim Atlântico, próximo ao Parque Cascavel.

"A Selic deve permanecer entre 13% e 14%, por isso o programa continuará mais atrativo pelas taxas menores, e o limite de R$ 600 mil ajudou muito o mercado", avalia Borela.

O diretor comercial da CMO Construtora, Marcelo Moreira, conta que os primeiros meses de 2026 foram de excelentes resultados. "Viemos de um lançamento no Alto da Glória, que surpreendeu desde o início por estar em uma região com demanda reprimida e que já atingiu 80% em vendas, mesmo com metro quadrado bem superior à média da região e da cidade. Ele foi lançado a R$ 11 mil o metro quadrado, atualmente já estamos vendendo as unidades a R$ 12 mil", informa.

Os produtos já lançados, remanescentes, também estão vendendo bem. "Estamos com uma velocidade média de 25 unidades vendidas por mês dos produtos já lançados, um aumento de 30% sobre o ano passado", destaca. O estoque atual da empresa, com essa velocidade de vendas, tem um horizonte de nove meses.

"Isso significa que, se não lançarmos nada neste período, zeramos todas as unidades à venda na empresa. Não é à toa que já estamos preparando um próximo lançamento para esse ano ainda, no Setor Pedro Ludovico", adianta.

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