Ainda tem jogo

Os líderes do Centrão já tinham dado apoio a Flávio Bolsonaro, mas não são bobos nem nada...
Por O Popular
Data: 16/10/2026
Eliane Cantanhêde, jornalista

Os líderes do Centrão já tinham dado apoio a Flávio Bolsonaro, mas não são bobos nem nada, têm faro político e fazem uma pausa para pensar, ou repensar sua posição, movidos pela indefinição do segundo turno e a hipótese, que consideram real, de vitória do presidente Lula. Os dois fatores decisivos para o bloco são as pesquisas e o temor de ficar a reboque do PL no Congresso.

O PSD teve 9,4 milhões para a Câmara no primeiro turno e o encontro de quinta-feira entre Gilberto Kassab e o petista Rafael Fonteles, reeleito para o governo do Piauí e capturado para a linha de frente da campanha de Lula, não foi um chá das cinco. Kassab, que sempre tem um pé em cada canoa, já tinha mais simpatia por Lula e avalia que ele passou a ser favorito.

Flávio continua à frente, mas a distância para Lula vem se estreitando, com o efeito de manter a esperança e o embalo da campanha petista no segundo turno, empurrada pelas manifestações, pelo medo de derrota e por bandeiras conquistadas com uma gastança desenfreada do governo e votações recordes no Congresso a seu favor.

Segundo o Datafolha, Flávio tem 51% e Lula, 49% dos votos válidos. A distância, de quatro pontos na semana passada, caiu para apenas dois, o que sugere o óbvio: a eleição não está decidida. Flávio não soube capitanear a vitória do primeiro turno para disparar e estacionou.

Lula não entregou os pontos, deu um freio de arrumação na campanha, ativou a militância pelo País afora e perdeu qualquer prurido para criar gastos que custarão muito caro a partir de 2027 e garantir duas bandeiras fortes no Congresso, o fim da escala 6X1 e o favorecimento de microempreendedores individuais (MEI). São eleitorados estratégicos.

Lula avançou entre os menores de 24 anos, a partir dos atos organizados por estudantes em locais de grande simbologia, como Avenida Paulista e Copacabana. Flávio tinha 54% a 46% nesse segmento, mas caiu 13 pontos, Lula subiu sete e passou à frente, com 12 pontos a mais: 53% a 41%.

Flávio tem a seu favor a vitória no primeiro turno, o Sudeste e o Sul, a rejeição ao PT e o fato de que a quebra de votos entre as pesquisas e as urnas é historicamente contra Lula, cujo eleitor é de menor renda e menor escolaridade, ou seja, tem mais dificuldade para ir votar e é mais sujeito a errar na urna.

Lula, porém, também tem vantagens. Evitou a onda negativa depois do susto no primeiro turno, tem o Nordeste, deu novo ânimo a sua campanha e o debate sobre democracia, direitos, igualdade e o fator Vorcaro contam contra Flávio, que perdeu dois pontos, em vez de subir. Mas Lula precisa mais do que da queda do opositor. Ele parou em 49% e precisa subir.

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