Que fome é essa? Médico explica quando a comida vira resposta emocional e não necessidade
O dia termina mal. Houve pressão no trabalho, uma discussão, horas de cansaço ou simplesmente aquela sensação difícil de nomear. A fome talvez nem tenha aparecido, mas o desejo por um doce específico, um hambúrguer ou algum alimento que traga conforto surge quase imediatamente. Quando esse caminho se repete, a comida pode deixar de responder apenas às necessidades do corpo e assumir outra função: aliviar, ainda que por poucos minutos, emoções que continuam ali depois da última mordida.
Em entrevista ao jornal O HOJE, o médico e escritor Juliano Pimentel afirma que uma das pistas está justamente na urgência. A fome física costuma surgir gradualmente e pode ser atendida por diferentes alimentos. Já a busca emocional tende a aparecer de repente e com preferência definida. “A comida deixa de ser prazer e vira anestesia quando você não está com fome, mas está com pressa de não sentir”, afirma.
A diferença nem sempre é fácil de perceber em uma rotina atravessada por pressa, aplicativos de entrega e alimentos disponíveis a poucos passos. Para Pimentel, quando a comida passa a ser a resposta habitual à ansiedade, à frustração, ao tédio ou à solidão, é importante observar o que acontece antes de comer, e não apenas aquilo que chega ao prato.
Esse comportamento também pode se esconder em uma frase corriqueira: “eu mereço”. Depois de um dia exaustivo, associar determinado alimento à recompensa parece natural. O problema, de acordo com o médico, começa quando essa passa a ser uma das únicas maneiras de compensar o desgaste. O alívio é rápido, mas não resolve aquilo que provocou a busca pela comida.
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