Crescimento de delivey impacta economia goiana

iFood movimentou em Goiás R$ 2,5 bilhões no ano passado, um crescimento de 25,7% em relação a 2024 e o 5º maior incremento entre os estados, mostra pesquisa da Fipe
Por Jornal Daqui
Data: 21/09/2026
Letícia Lisboa, da Capital Açaí: prêmio do iFood pela qualidade operacional (Fábio Lima/O Popular)

O ecossistema iFood movimentou R$ 2,5 bilhões em Goiás no ano passado, um crescimento de 25,7% em relação à 2024, o quinto maior incremento entre os estados que operam com a plataforma no País, segundo a pesquisa Impacto Socioeconômico do iFood, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O número de pedidos feitos pelos usuários da plataforma no estado também cresceu 23% no último ano. Toda essa movimentação econômica correspondeu a 0,64% do PIB goiano, uma das maiores do País.

Durante a terceira edição do iFood Move, maior evento desse ecossistema na América Latina, que terminou na quinta-feira (17), em São Paulo, a plataforma apresentou os números atualizados de seu impacto socioeconômico em Goiás. O relatório da Fipe revela a dimensão do Efeito iFood no estado e seu papel como força relevante na economia do Centro-Oeste.

A densidade da operação também se reflete no mercado de trabalho, pois a plataforma já é responsável por alavancar e manter mais de 34 mil postos de trabalho diretos e indiretos na cadeia produtiva do estado. Em escala nacional, no ano em que celebra 15 anos de história, a plataforma alcançou R$ 167 bilhões em valor transacionado (0,7% do PIB brasileiro) e apoiou a criação de 1,18 milhão de postos de trabalho pelo País.

No evento, a empresa também revelou tendências de consumo mapeadas no app, indicando mudanças nos hábitos de alimentação e compras do público local e o impacto do ecossistema. Em Goiás, o consumo no café da manhã, por exemplo, liderou crescimento de pedidos pelo aplicativo, com alta de 42% em 2025, e o açaí se isolou na liderança dos pedidos feitos no estado.

Comportamento

O mapeamento de consumo do iFood em Goiás revelou um ritmo acelerado de pedidos no estado, com alta de 23% no último ano. A grande surpresa na análise comportamental aconteceu nos pedidos feitos logo no início do dia: a refeição matinal se consolidou de vez na rotina do aplicativo. Entre 6 e 10 horas da manhã, o consumo de café da manhã disparou no estado, com crescimento de mais de 42%, assumindo o topo do crescimento por horários.

Quando o assunto é a comida mais pedida, a categoria Açaí reinou absoluta e se isolou na liderança de preferência dos goianos, registrando uma expansão de 7% no período. Mas outras categorias continuaram avançando na preferência dos goianos, como Saudável, Hambúrguer, Padaria e Chinesa. Já no quesito culinárias específicas, as gastronomias Mineira (+37,6%), Cafeteria (+37,4%) e Xis (+34,7%) lideraram o crescimento no estado.

Débora Gershon, diretora de Políticas Públicas do iFood, ressalta que a movimentação econômica cresceu 175% desde 2020, chegando a R$ 167 bilhões, mais que o PIB de alguns estados brasileiros. Só em Goiás, a participação no PIB cresceu mais de 50% de 2020 para cá. "O usuário vem percebendo que pode usar o delivery para outras experiências, como o café da manhã", destaca.

Isso tem mexido com muitas operações, pois a Inteligência Artificial (IA) já analisa as informações do comportamento do consumidor observadas no aplicativo e alerta o comerciante sobre tendências locais que podem otimizar e impulsionar sua operação. Entre as mudanças sugeridas, estão alterações no cardápio, horários de maior demanda pelos produtos ou a necessidade de alteração no horário de funcionamento. "A plataforma tem a capacidade de destravar novas demandas para apoiar o varejo com soluções de tecnologia."

O iFood Move também premiou Super Restaurantes 2026 em sua terceira edição. Em Goiás, cinco restaurantes foram premiados na iniciativa, que reconhece os estabelecimentos com o Selo Super pela qualidade operacional e alta satisfação dos clientes no aplicativo. Uma das operações premiadas foi o Capital Açaí Bueno, no mercado há nove anos e que, há cerca de dois anos, iniciou o processo de expansão por meio de franquias. Hoje, a empresa funciona no formato Dark Kitchen, ou seja, sem salão para consumo no local.

A proprietária, Letícia Lisboa, conta que 95% dos pedidos saem pelo delivery. Com o apoio da consultoria do iFood, os copos de açaí ganharam medidas padronizadas da quantidade de ingredientes, o que otimizou muito a operação. "Isso possibilita entregar a mesma experiência a todos os clientes", destaca. Segundo ela, a loja ganhou 283 novos clientes só no mês passado.

A medida também possibilitou uma redução de custos. Além disso, a empresa tem registrado crescimento mensal de 20% no faturamento e de 7% do número de pedidos nos últimos 30 dias. A empresária informa que, hoje, recebe cerca de 1.100 pedidos mensais. Há cerca de um ano, eram entre 500 e 600. "Investimos muito na plataforma do iFood, que tem dado uma boa parceria, como nas entregas grátis em até 7 quilômetros."

Kaio Jardel Pinheiro Esper, proprietário da Turco Hamburgueria, especializada em hambúrgueres artesanais, tem três lojas em Goiânia e está há 5,5 anos no mercado, em parceria com a plataforma desde o início das operações. Ele conta que as vendas crescem de 40% a 45% de um ano para outro e 40% delas são feitas pelo iFood. Duas operações geram 35 empregos e a terceira unidade já começou a operar no delivery e se prepara para inaugurar o atendimento na loja física.

Para Esper, existe uma mudança comportamental do consumidor. "Mesmo que Goiânia ainda seja forte em salão, estar numa plataforma estruturada é muito importante para o desenvolvimento do negócio, pois ela já está dentro do dia a dia do consumidor", avalia o empresário. Ele confirma que o iFood oferece muitas sugestões de melhoria das operações acom uso da IA, como os melhores horários e cardápios. "Sempre fazemos mudanças por conta destas orientações e tem dado certo", afirma.

Entre agosto de 2025 e agosto de 2026, o iFood Pago concedeu R$ 33,6 milhões em crédito para restaurantes em Goiás, com outros R$ 143,1 milhões pré-aprovados para negócios da região. A dificuldade de acesso ao crédito convencional é que torna esses números relevantes: pesquisa Ipsos-Ipec encomendada pelo iFood Pago (janeiro 2026) aponta que 63% dos empreendedores que acessaram crédito pelo iFood Pago não conseguiram aprovação no sistema bancário tradicional.

Bruno Henriques, COO do iFood e CEO do iFood Pago, explica que a plataforma libera o crédito com base nas informações que possui da operação, que indicam se ela é ou não bem estruturada.

Agora, a plataforma está lançando a ferramenta Toqan, uma IA voltada para a gestão de restaurantes. "Ela possibilitará que o empresário conheça todas as informações referentes ao desempenho de sua operação, possibilitando maior clareza para decisões mais assertivas sobre o negócio. Ele saberá onde é mais ou menos competitivo", informa.

Juliana Yamada, vice-Presidente de Novos Negócios do iFood, disse que a expectativa é que a ferramenta resolva muitas dores dos donos de restaurantes. "Ele pode, por exemplo, sugerir cardápios mais adequados para cada horário e tipo de estabelecimento", ressalta.

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