Farmácias se associam para alavancar vendas e concorrer com grandes redes
Muitas farmácias de Goiânia descobriram no associativismo uma forma de concorrer em pé de igualdade com grandes redes do mercado. Cada vez mais farmácias se associam em grupos para terem maior poder de negociação e acesso a melhores estratégias de gestão, operação e treinamentos. Para elas, o resultado tem sido um crescimento de vendas acima da média de mercado farmacêutico brasileiro.
Depois de perder espaço diante do crescimento das grandes redes, há cinco anos, o empresário Murilo Rezende Júnior apostou no associativismo para tentar garantir estabilidade e segurança para a sua farmácia, localizada em Anápolis. A decisão se mostrou acertada ao alavancar o negócio adquirido há 12 anos: desde 2023, a Drogaria Mato Grosso - Farmácias Associadas registra crescimento acima da média do mercado, uma alta acumulada de 23,7% no faturamento.
Em 12 meses, até junho de 2026, o aumento foi de 16,7% em comparação com o ano anterior. Em um mercado cada vez mais competitivo e concentrado, o associativismo tem se mostrado uma boa estratégia de crescimento para farmácias independentes. A Rede de Farmácias Associadas, no mesmo período de 12 meses, alcançou um faturamento de R$ 4 bilhões, um crescimento de 24% em relação ao ano anterior, contra 11% da média do varejo farmacêutico.
Segundo ele, diante de tantas redes grandes, comprando sozinha a pequena farmácia não dá conta. "Na Rede, as coisas ficam mais fáceis, com maiores poder de negociação, lucratividade e poder de competição no mercado. De igual para igual com qualquer grande rede", avalia. Rezende acredita que, quem não se agregar, hoje não sobrevive no mercado.
Quem mais cresce é o associativismo. Eu mesmo não teria conseguido sobreviver muito tempo", diz.
A rede também ampliou a sua participação no mercado, alcançando aproximadamente 5,8% de share, um ganho de 0,6 ponto porcentual em comparação com o período anterior. O modelo associativista tem fortalecido a competitividade das farmácias independentes em um setor que movimenta cerca de R$ 158 bilhões por ano no Brasil. O empreendedor de Anápolis atribui os resultados positivos a treinamento da equipe, ética no atendimento, modernização da loja, uso de IA nos atendimentos via WhatsApp e self-checkout.
O ponto de virada, porém, foi a padronização do layout com a marca Farmácias Associadas, há 16 meses.
Nesse tempo, pudemos ver o crescimento de vendas de marca própria, e estamos em um cenário em que ficamos de igual para igual às grandes redes, pois vieram condições comerciais e ações direto dos laboratórios via Febrafarma. O associativismo veio fortalecer muito o nosso crescimento", ressalta Rezende.
Ao reunir empreendedores de diferentes regiões sob uma mesma estratégia de negócios, a rede combina a proximidade e o relacionamento característicos das farmácias de bairro com ferramentas de gestão, marketing, negociação e inteligência de mercado normalmente disponíveis apenas para grandes grupos.
"O crescimento acima da média demonstra que o associativismo é uma estratégia consistente de desenvolvimento. Quando os empresários atuam em rede, conseguem ganhar escala, aumentar competitividade e preservar sua autonomia", destaca o presidente da Rede de Farmácias Associadas, Ben Hur Jesus de Oliveira.
Condições de compra
Levantamentos do setor indicam que o crescimento do varejo farmacêutico brasileiro tem sido puxado, principalmente, pelos grandes grupos, enquanto pequenos e médios operadores enfrentam desafios crescentes relacionados à gestão, rentabilidade e competitividade. O associativismo tem se consolidado como um dos principais caminhos para fortalecer o varejo regional. Com sede em Porto Alegre, até 1999 a rede prestava mais serviços na parte sanitária, política e legislação a farmacêuticos.
Então, resolveram ampliar para a área comercial para terem negociação coletiva com fornecedores e condições de compra. "Surgiram grandes redes que começaram a ir para o interior e vimos necessidade de ampliar a gestão das farmácias, com layout interno e externo das lojas, tecnologias e treinamentos de gestão e equipes de atendimento", lembra Oliveira. As primeiras lojas em Goiás foram em 2020.
Segundo ele, quando adotam as ferramentas e o layout da rede, é comum as lojas terem um crescimento de 30% no faturamento já no primeiro ano.
É um modelo que tem dado muito certo, pois a associação negocia direto com a indústria em condições diferenciadas para competir com grandes redes. Sozinha, a farmácia não tem esta força", destaca.
O presidente da rede afirma que os mercados de Goiás e do Centro-Oeste têm sido muito promissores.
Um dos fatores mais importantes é que a atuação em rede permite acesso a melhores condições comerciais, capacitação permanente, compartilhamento de conhecimento e adoção de estratégias conjuntas que ampliam a eficiência dos negócios. "O modelo também contribui para manter a diversidade do varejo. Com forte presença regional, as farmácias que se associam preservam a capacidade de atender às particularidades de cada comunidade, enquanto operam com a força de uma grande rede", explica.
Para Antônio Veiga Júnior, vice-presidente e diretor comercial da Associadas, o modelo associativista ajuda os pequenos empreendimentos a prosperar. "Isso porque ele permite ampliar a capacidade de negociação, investimento e crescimento, sem perder a relação de confiança construída com os clientes ao longo dos anos", ressalta. Com presença em seis estados, a rede projeta alcançar 2,3 mil lojas em 2027, além de fortalecimento da governança e novos investimentos em inovação, tecnologia e desenvolvimento dos associados.
A Associação de Drogarias Nossa Rede (ADNR) cresceu 15% em 2025. Cláudio Fernandes do Prado, preside Nossa Rede, associativismo que nasceu em Goiânia, formada por um grupo de quatro empresários. Hoje são 130 unidades em Goiás, sendo 60% em Goiânia.
Estamos entrando no Distrito Federal e temos uma política de expansão no Centro-Oeste. O associativismo nasce num modelo de união de drogarias independentes para ganhar força e concorrer melhor com as grandes redes", confirma.
Entre as vantagens, estão ferramentas de gestão e mais força para negociação, com políticas de preços e vendas. "Uma vez que você se une tem maior autonomia de gestão", destaca. A Nossa Rede é associada à Federação Brasileira de Farmácias Associativistas (Febrafar), que tem mais de 17 mil drogarias no Brasil. Diferente de franquias, cada drogaria toma suas próprias decisões. "A associação dá diretrizes e cada farmácia é independente para aplicar ou não", destaca.
Mas a farmácia deve cumprir as regras estatutárias, como ter a fachada padronizada da associação, que oferece desde a negociação, compra coletiva, ferramentas de gestão, treinamentos, consultoria técnica e de vendas. Cláudio Fernandes informa que a consultoria farmacêutica acontece desde a abertura da loja, incluindo toda a documentação.
A integração de todos os proprietários dá condições de estarmos mais preparados para o mercado que está extremamente exigente e competitivo."
Segundo ele, a associação deve estar na vanguarda das tendências de mercado. Para isso, o associado deve estar atento às exigências de mercado e mudanças. "A associação visa soluções estratégicas, capacitação contínua do associado e seu time, dados e pesquisas de mercado, projetos para conexão com distribuidores e indústrias, além de eventos da cadeia farmacêutica para networking e geração de negócios para auxiliar na tomada de decisões", completa.
Cada drogaria paga uma taxa anual de R$ 700.
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