Crise no agro e medo de prisão enfraquecem e barateiam campanhas
O cenário dos fins de tarde em todo o Estado de Goiás é de servidores comissionados e gratificados lotando esquinas. O mesmo sujeito que atende na repartição até as 5 da tarde, às 17h14 já está balançando bandeira de candidatos ligados aos governos federal, estadual e municipais. O mesmo vale para o pessoal sem concurso nos Tribunais de Contas, na Assembleia Legislativa, nas Câmaras Municipais e nas empresas públicas. Sempre foi assim, mas agora piorou, porque os políticos não conseguem dinheiro a fundo perdido para contratar cabos eleitorais pagos.
A secura financeira é atribuída a diversas causas, como a crise no agro. O campo contabiliza três anos de seca, preços ruins e, agora, o comércio externo trancado para a carne bovina. Só que esse recurso dos produtores é limpo, eles gastam quando se envolvem diretamente na política ou se querem eleger representantes. A situação está de tal modo ruim que nem dinheiro sujo, de caixa 2 emprestado por agiotas ou egresso de corrupção, está pintando nos comitês.
Os fornecedores, como O HOJE já noticiou, lamentam a falta de encomendas, sejam elas para acerto “no 1”, a gíria do mercado para produtos com nota que serão declarados à Justiça Eleitoral, ou “por fora”, nos velhos esquemas de escapar da fiscalização. Nas gráficas, o costume tem organograma: o deputado estadual quita os próprios papéis e plásticos, o deputado federal paga para os seus e os das dobradinhas com estaduais, o senador banca os dele e os dos deputados federais e estaduais, o governador mal paga os seus e o presidente encomenda em outros Estados. Para piorar, aumentou a concorrência com gráficas de Brasília, Uberlândia (MG) e Ribeirão Preto (SP).
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