Programa Adote uma Praça, da Prefeitura de Goiânia, atrai 26 interessados

Paço alterou em março as normas do programa, que teve 96 propostas desde a criação, em 2019. Levantamento do POPULAR mostra praça com quatro solicitações, mas sem sinais de revitalização
Por Jornal Daqui
Data: 28/07/2026
Praça São Tomaz, no Setor Serrinha: seis propostas, nenhuma execução (Guilherme Alves/O Popular)

A Prefeitura recebeu 26 solicitações de adoção do programa Adote uma Praça em 2026, igualando a marca registrada em 2019, ano de sua criação. A maior parte dos pedidos foi protocolada após o Paço publicar, em março, decreto que alterou as regras do programa, flexibilizando procedimentos e ampliando as possibilidades de participação. Em sete anos, a iniciativa acumula 96 propostas para adoção de praças, parques, canteiros e outros equipamentos e espaços públicos.

Criado durante a gestão de Iris Rezende (MDB) em 2019, após aprovação de projeto pela Câmara Municipal em 2017, o programa foi mantido na administração de Rogério Cruz e segue em vigor na atual gestão. Levantamento realizado pelo jornal, com base nas propostas publicadas no Diário Oficial do Município (DOM) entre 2019 e 2026, mostra que a iniciativa recebeu 41 propostas nos dois primeiros anos de funcionamento. Entre 2021 e 2025, porém, o ritmo caiu, com apenas 29 novos pedidos.

Até março deste ano, o programa Adote uma Praça havia recebido apenas uma solicitação formal de adoção. Depois das mudanças, foram protocoladas outras 10 propostas e o jornal apurou a existência de mais 15.

Novas regras

O decreto de março regulamenta, de forma mais detalhada, as regras de publicidade nos espaços adotados, proibindo anúncios de cigarros, bebidas alcoólicas, conteúdo político-partidário, pornografia e mensagens que possam comprometer a segurança no trânsito. Além disso, especifica as hipóteses de rescisão para o participante, define a reincidência por descumprimento das obrigações e determina que os engenhos publicitários ao fim da parceria devem ser removidos em até 15 dias.

Para o secretário-executivo da Secretaria Municipal de Gestão de Negócios e Parcerias (Segenp), José Silva Soares Neto, o aumento da procura para participar do programa ocorreu por conta do decreto. "Várias pessoas já procuraram a prefeitura, mas faltava um decreto que autorizasse isso. Então, com essa autorização, aumentou a procura e nós estamos conseguindo atender a demanda da população".

Problemas

O presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Felipe Melazzo, afirma que o formato do programa ainda carece de atrativos para a participação. "Somos críticos com essa modelagem porque o retorno obtido pela empresa em relação ao investimento realizado é muito baixo. Do ponto de vista econômico, não há equilíbrio entre o valor aplicado na melhoria do espaço público e os benefícios recebidos em contrapartida", afirmou.

Para a professora Maria Ester de Souza, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, a manutenção dos espaços públicos deve permanecer com o município. "A gestão pode até ser compartilhada, mas ela não pode ser doada para um terceiro", diz.

Entre os locais visitados, a Praça do Sol, que está em bom estado de conservação, e a praça da Rua C-248 são as únicas que possuem placas indicando participação no programa. O jornal também entrou em contato com as empresas responsáveis pelas propostas, mas não obteve resposta.

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