Avanço imobiliário transforma ocupação urbana em Goiânia

Mercado movimentou R$ 8,1 bilhões em 2025, impulsionado pelo avanço do agronegócio, setor de serviços e aumento populacional
Por O Hoje
Data: 24/07/2026
Novos empreendimentos avançam para bairros afastados e cidades da Região Metropolitana

Goiânia tem aumentado seu potencial de expansão no mercado imobiliário, com regiões centrais sendo mais valorizadas e regiões afastadas com novos projetos e empreendimentos. Segundo dados da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), a Capital movimentou R$ 8,1 bilhões em vendas imobiliárias em 2025. Em 2021, esse volume era de R$ 5,4 bilhões.

Esse número mostra o avanço do setor imobiliário, impulsionado pelos investimentos do agronegócio, expansão logística, crescimento do setor de serviços, fortalecimento industrial e aumento populacional acima da média nacional. Porém, esses investimentos não são apenas em regiões nobres ou centralizadas.

Nos últimos anos, bairros afastados da Capital e cidades da região metropolitana têm recebido empreendimentos imobiliários. Dentro de Goiânia, alguns exemplos são a região sudoeste e sudeste. Já na região metropolitana, as principais cidades são: Senador Canedo, Aparecida de Goiânia, Goianira e Trindade.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Região Metropolitana de Goiânia (RMG), apresentou a segunda maior taxa de crescimento anual da população residente, no período entre 2010 e 2022, de 1,49% ao ano.

Segundo o geógrafo urbano e professor do Programa de Pós graduação em Projeto e Cidade da Universidade Federal de Goiás (UFG) Glauco Gonçalves, esse fenômeno ocorre a partir da “junção de uma cidade principal com as cidades menores ao seu entorno”, movido pela necessidade das populações de menor renda de encontrar preços mais baixos no solo urbano.

Para o presidente da Associação dos Desenvolvedores Urbanos do Estado de Goiás (ADU-GO), João Victor Araújo, esse fatores são principais no impulsionamento da expansão dos loteamentos da RMG. “Esse movimento também acompanha a demanda por regiões que ofereçam melhor relação entre custo e benefício, maior disponibilidade de áreas e potencial de desenvolvimento”, comenta.

Na visão do presidente, esse processo é natural e positivo, desde que ocorra de forma planejada, respeitando a legislação urbanística e promovendo uma expansão ordenada das cidades.

A ocupação das áreas afastadas evidencia uma atuação segmentada do mercado imobiliário. Para o Gonçalves, enquanto empresas de maior porte priorizam regiões centrais e já valorizadas, pequenos empreendedores e negócios familiares costumam iniciar loteamentos em áreas rurais ou nas bordas da metrópole.

A diferença de preços entre essas regiões está diretamente relacionada à infraestrutura disponível. O geógrafo explica que quanto melhor a região da cidade em termos de serviço, de equipamentos urbanos, de transporte, de segurança, maior será o preço cobrado pelo metro quadrado. No caso das áreas de expansão, os compradores são atraídos pelos valores mais baixos, mas geralmente apresentam escassez ou ausência de saneamento básico, iluminação e transporte público.

À medida que essas localidades mais distantes recebem infraestrutura, os terrenos se valorizam e a população de menor renda é deslocada para regiões ainda mais afastadas. Esse processo alimenta uma nova frente de expansão urbana.

O cenário também revela um descompasso entre o avanço da ocupação imobiliária e a atuação do poder público. “O Estado chega sempre depois e invariavelmente atrasado para dispor dos equipamentos urbanos para esses cidadãos”, destaca Gonçalves.

Impacto para população de baixa renda

A valorização imobiliária das áreas centrais e mais estruturadas de Goiânia tem dificultado a permanência da população de menor renda e intensificado processos de gentrificação. Segundo o arquiteto e urbanista Fred Le Blue, bairros antes ocupados por trabalhadores passam a atrair camadas de maior renda à medida que imóveis e aluguéis se tornam mais caros.

O fenômeno também pode alcançar regiões afastadas quando novos empreendimentos valorizam terrenos e elevam os custos de moradia. Com isso, famílias vulneráveis acabam divididas entre viver em imóveis precários ou buscar casas mais amplas em bairros distantes, muitas vezes sem saneamento e infraestrutura adequada.

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