Caiado conta com debates na campanha para virar cenário

Ex-governador atribui estagnação em pesquisa a foco no momento estar em quem está no cargo e outro que tem o nome do pai; no segundo turno, ele tem 36% contra 45% de Lula
Por O Popular
Data: 16/07/2026
Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD a presidente: “Até agora a política está muito polarizada" (Divulgação/Sistema FAEP)

Estacionado nas intenções de voto no primeiro turno da pesquisa Genial/Quaest para a Presidência da República desde fevereiro, com 4%, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) afirmou nesta quarta-feira (15) que os eleitores estão focados neste momento nos nomes mais conhecidos e que a mudança no cenário virá com os debates da campanha eleitoral.

O levantamento estimulado , realizado dos dias 10 a 13 de julho, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à reeleição, com 40%, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 28%.

"Até agora a política está muito polarizada entre um que tem o cargo de presidente e outro que tem o sobrenome do pai. Ou seja, 'não gosto do Flávio, voto no Lula; não gosto do Lula, voto no Flávio'", afirmou Caiado, em entrevista coletiva na Fecomércio em Curitiba (PR), onde teve encontro com lideranças empresariais nesta quarta.

No conjunto da nova rodada da pesquisa, os números são favoráveis ao presidente Lula, com melhora da aprovação do governo (avaliação positiva passa a negativa pela primeira vez desde o fim de 2024) e liderança em todos os cenários de primeiro e segundo turnos. Os dados também apontam "fragilidade" de Flávio, destacou o diretor da Quaest, Felipe Nunes, enquanto os demais pré-candidatos da direita ainda não conseguiram se mostrar competitivos como o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nas simulações de segundo turno, Lula aparece com 45% no enfrentamento a qualquer adversário. Contra o petista, Flávio aparece com 37%; Caiado com 36%; o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 35%; e o empresário Renan Santos (Missão), com 33%. Na rodada de junho, Lula tinha 44% contra 38% de Flávio. No embate com Caiado, o petista aparecia com 45% contra 35%.

No cenário estimulado do primeiro turno, Renan tem 3% e Zema, 2%, e indecisos somam 11%. Outros quatro pré-candidatos - o ex-deputado federal Cabo Daciolo (Mobiliza), o escritor Augusto Cury (Avante), o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa (DC) e a dentista Samara Martins (UP) - têm 1% cada e 8% dos eleitores afirmam votar branco ou nulo. O professor Edmilson Costa (PCB), o bispo Heró Bezerra (PRTB) e o professor Hertz Dias (PSTU) não pontuaram.

Em postagens nas redes sociais, Felipe Nunes atribuiu a falta de competitividade dos demais candidatos da direita ao ainda elevado grau de desconhecimento. Metade dos eleitores ainda não conhece Zema e 44% desconhecem Caiado. Renan é ignorado por 77%.

O grau de desconhecimento do ex-governador goiano caiu nos últimos meses, mas ainda é considerado alto em momento de finalização da pré-campanha. Em abril, 50% diziam não conhecê-lo e, entre aqueles que o conheciam, 32% rejeitavam votar em seu nome. Em maio, o desconhecimento passou a 49% e, em junho, a 48%. A maior redução ocorre este mês, com 44%. Entre os 56% que o conhecem, 34% descartam escolhê-lo nas urnas e 22% admitem votar em Caiado.

As convenções partidárias serão realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto, conforme o calendário eleitoral, e a campanha começa oficialmente no dia 16 de agosto. A convenção do PSD está marcada para o dia 26 de julho, em São Paulo.

Lula e Flávio são desconhecidos de apenas 3% e 5% do eleitorado, respectivamente. A rejeição ao presidente é de 50% e, ao senador, 57%. Na coletiva desta quarta, Caiado voltou a criticar o cenário da polarização e reforçou a tese de que tem mais condições de vencer no segundo turno.

"Uma eleição não se elege pelos rejeitados. Eleição não é um jogo de revanche. É preciso escolher aquele que realmente tem algo a mostrar para o Brasil diante da maior crise da história política do País", disse.

Na pesquisa espontânea (quando não são apresentados nomes de pré-candidatos aos entrevistados), 54% disseram que ainda estão indecisos. Lula aparece com 26% contra 14% de Flávio. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 1%, mas não disputará a eleição porque está preso e inelegível. Outros pré-candidatos somam 5%.

Felipe Nunes apontou como prejuízo mais expressivo à pré-campanha de Flávio o embate com a ex-primeira-dama e sua madrasta Michelle Bolsonaro (PL). A nova pesquisa fez sete perguntas aos eleitores sobre o caso. Uma delas questionou se o entrevistado concorda mais com Flávio ou com Michelle no conflito que começou com vídeos dela reclamando de desrespeito por parte do enteado: 42% dos eleitores estão com a ex-primeira-dama e 18% com o pré-candidato.

O diretor da Quaest afirma que a troca de ataques fez com que Flávio perdesse apoio no grupo da direita não-bolsonarista e o afastou dos eleitores independentes, decisivos na disputa presidencial.

Apesar de números positivos para Lula, a pesquisa também aponta desgastes para o petista com o envolvimento do ex-líder do Governo no Senado Jaques Wagner com o caso do Banco Master. Para 37%, a investigação impacta muito negativamente a campanha do presidente e para 25%, há impacto, mas menor. Uma minoria, de 22%, acha que não há reflexo negativo e 16% não responderam.

Críticas

Em Curitiba, Caiado minimizou o fato de ter elevado o tom de críticas a Flávio Bolsonaro nos últimos dias, o que gerou inclusive mais engajamento nas redes sociais. Ele negou que seja uma questão estratégica da pré-campanha e afirmou que foi apenas pautado pelo factual.

"Eu tenho comentado as matérias que vêm à tona. Eu não estou aqui para fazer crítica a quem quer que seja. Eu estou aqui para analisar os fatos que são levados ao conhecimento da população. Eu, hora nenhuma criei nenhum problema do ponto de vista de envolvimento ou das denúncias contra ele. Eu analisei as denúncias e analisei a carta (de Jair Bolsonaro para o filho). São situações criadas por ele. Eu comentei os assuntos", afirmou Caiado.

Metodologia

A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest realizou 2.004 entrevistas com brasileiros de 16 anos ou mais. A coleta de dados foi domiciliar, por meio de entrevistas face a face e com questionários estruturados. A margem de erro é de dois pontos porcentuais e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada junto à Justiça Eleitoral com o número BR-07181/2026.

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