Pressão por afunilamento esbarra em resistência de pré-candidatos ao Senado
O congestionamento da base governista na disputa pelo Senado voltou à discussão após os acenos de aliados do grupo que comanda o Palácio das Esmeraldas em prol do afunilamento das pré-candidaturas. Porém, dois dos quatro pré-candidatos à Casa Alta pela base do governador Daniel Vilela (MDB) e do ex-governador e pré-candidato a presidente Ronaldo Caiado (PSD) dizem não acreditar em novas desistências.
Os rumores, que já aconteciam nos bastidores, ganharam robustez com declarações públicas sobre o assunto. Na última terça-feira (14), o ex-presidente da Agência Goiana de Habitação (Agehab), Alexandre Baldy (PP), afirmou que é preciso fazer com que o projeto do grupo governista fique “acima dos projetos individuais”.
“É uma honra, após ter desistido da minha pré-candidatura, poder pedir que os demais possam fazer esta mesma reflexão”, afirmou Baldy, que desistiu de sua pré-candidatura ao Senado para ser o primeiro suplente na chapa da ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil).
A declaração foi dada em um encontro que reuniu, além de Baldy e Gracinha, o senador e pré-candidato à reeleição Vanderlan Cardoso (PSD) e mais de 80 prefeitos que caminham com a base aliada. O evento foi visto como um aceno para que a base afunile a disputa pelo Senado em torno dos projetos de Gracinha e Vanderlan.
Ideia rechaçada
Porém, para a reportagem do O HOJE, os demais pré-candidatos da base à Casa Alta rechaçaram a ideia. O ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (PRD), foi sucinto ao dizer que “dificilmente” a corrida pelo Senado “terá outra desistência”.
Já o deputado federal Zacharias Calil (MDB) afirmou que as conversas por afunilamento passariam por cima não só de “duas pré-candidaturas legítimas”, mas também de Daniel e do presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Bruno Peixoto (PRD).
“Foi uma fala isolada do Baldy e talvez uma interpretação equivocada por parte de quem participou dessa reunião. Não se pode criar um movimento sem diálogo e atropelando, não apenas outras duas pré-candidaturas legítimas, mas também o governador e o presidente da Assembleia Legislativa, que estão fortemente engajados em nosso projeto”, destacou o deputado.
O parlamentar ainda destacou que sua pré-candidatura é um projeto do partido. “Tenho apoio não só do Daniel, mas também do presidente nacional, [deputado] Baleia Rossi, e também do [deputado] Isnaldo Bulhões, líder do MDB na Câmara dos Deputados. Isso foi muito bem esclarecido, no dia em que assinei a ficha de filiação, que eu seria o candidato do MDB”, afirmou Calil.
Conter riscos
O movimento para concentrar o apoio do grupo palaciano a apenas dois projetos eleitorais visa conter os riscos que a base assumiu na última eleição. Em 2022, com apenas uma cadeira disponível para o Senado, o grupo chefiado por Caiado e Daniel teve três candidatos: o ex-deputado Delegado Waldir (União Brasil), o ex-deputado Vilmar Rocha (PSD) e Baldy.
A dispersão dos votos da base contribuiu para a eleição do senador Wilder Morais (PL). Apesar de o cenário para as eleições de outubro ser distinto, já que a disputa deste ano reúne duas vagas, o bolsonarismo, que disputa votos à direita com o grupo governista, já abriu mão da pré-candidatura avulsa que estava posta na chapa de Wilder, que é pré-candidato ao Governo do Estado.
O delegado Humberto Teófilo (Novo) saiu da corrida para ser pré-candidato a deputado federal e os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Estado devem buscar concentrar os votos no deputado federal Gustavo Gayer (PL) e no vereador por Goiânia Oséias Varão (PL).
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