Goiânia registra maior inflação do País em abril
Goiânia foi a capital brasileira que registrou o maior índice de inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A alta de 1,12% foi puxada, principalmente, pelos reajustes nos preços dos combustíveis e de vários alimentos, que pressionaram o custo de vida do goianiense no último mês, já com impactos da guerra no Oriente Médio. Com o resultado de abril, a capital já registra uma inflação acumulada de 5,01% nos últimos 12 meses, acima do índice nacional de 4,39%.
O grupo de transportes foi o que mais contribuiu para a inflação do mês em Goiânia. No geral, os combustíveis ficaram 5,8% mais caros, com os reajustes nos preços do etanol, da gasolina e do óleo diesel, que acabaram se refletindo nas altas dos preços dos alimentos, por conta do custo do frete. O economista e superintendente do IBGE em Goiás, Edson Roberto Vieira, lembra que os aumentos vieram depois de uma queda dos preços no mês de março, quando os postos alegaram a realização de promoções.
O problema, segundo ele, é que muitos preços e custos estão relacionados aos combustíveis, como acontece com o transporte dos alimentos . A produção de alguns itens também teria sido afetada por problemas climáticos em algumas regiões produtoras no momento do plantio.
Impactos da guerra
"Já temos alguns repasses de aumentos de custos relacionados ao conflito no Oriente Médio, como a alta do óleo diesel", destaca Vieira.
Ele acredita que o aumento nos preços dos fertilizantes também já pode estar impactando algumas safras, principalmente dos hortifrutis que tenham ciclos mais curtos de produção. "Os aumentos ocorreram em produtos que acabam dando uma sensação de queda no poder de compra do consumidor, como é o caso dos combustíveis e alimentos", ressalta o superintendente. Vale lembrar que o IPCA mede a inflação para as famílias com renda de até 40 salários mínimos.
Isso também acontece com as carnes, que já tiveram uma ligeira alta no mês passado. Ele lembra que a mudança no ciclo da pecuária está afetando a produção de carne bovina, por conta de uma menor oferta de animais para abate. Além disso, as exportações também continuam muito robustas, o que reduz a oferta no mercado interno. "Talvez a recente imposição de cotas pela China ajude a reduzir um pouco as vendas externas e eleve a oferta do produto no mercado nacional nos próximos meses", adverte.
Vários analistas concordam que a inflação no Brasil vem sendo pressionada pelos efeitos da guerra no Oriente Médio. "Esses preços relacionados ao conflito já vêm impactando nosso orçamento, principalmente por conta das altas nos preços dos combustíveis e dos fertilizantes, que elevam os custos com transporte e com a produção de alimentos no campo", explica Edson Vieira.
Mas um fator positivo que tem ajudado a segurar a inflação hoje, segundo ele, é o comportamento do câmbio. "Neste ano, tivemos uma valorização de nossa moeda. Somos um País que tem atraído recursos de outros países, pelo fato de termos juros muitos elevados, atrativos para investimentos, e de termos uma tradição pacífica", avalia o economista. Ele acredita que se a taxa de câmbio estivesse mais alta, junto com essa alta atual do diesel, o impacto na inflação seria bem maior.
A alta no preço do gás de cozinha também impactou o orçamento das famílias goianienses em abril. Apesar de ter registrado queda no último mês, Vieira ressalta que a energia elétrica continua impactando a inflação dos últimos 12 meses em Goiânia, que superou a média nacional. Ele lembra que, com o reajuste anual dos remédios, os preços dos produtos farmacêuticos também tiveram uma alta média de 1,54%.
Para o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale, o índice caminha para fechar o ano perto de 5%, superando o teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central. Além disso, a previsão geral é que o preço do petróleo continue impactando os preços em várias cadeias produtivas nos próximos meses.
Menor renda
A inflação foi ainda maior para as famílias de menor renda em Goiânia. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede o custo de vista das famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, fechou o mês de abril com alta de 1,14%. No acumulado em 12 meses, o INPC de Goiânia chegou a 4,82%, acima dos 4,01% do mês anterior e também superior ao acumulado nacional de 4,11%.
Uma preocupação é que se a inflação não recuar, ela poderá se refletir na política monetária, com uma desaceleração do ritmo de queda da taxa Selic pelo Banco Central. Para Natalie Victal, economista-chefe da SulAmerica Investimentos, os dados corroboram a visão de que uma aceleração no ritmo de cortes é muito improvável.
"O BCB deve manter a estratégia de 'ganho de tempo', utilizando o patamar restritivo da Selic para absorver a volatilidade", prevê.
Segundo Natalie victal, o balanço de riscos permanece desafiador, com a atividade econômica resiliente, impedindo uma convergência mais célere da inflação à meta. "Por isso, o risco para a Selic terminal, estimada em 14%, é de viés altista", alerta a economista.
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