Deputado estadual cita ameaça e pede para ficar armado no plenário após briga
O deputado estadual Major Araujo (PL) apresentou nesta terça-feira (12) um requerimento em que solicita o direito de entrar e permanecer armado durante as sessões plenárias da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). O pedido ocorreu na primeira reunião ordinária depois da briga protagonizada pelo parlamentar e pelo deputado Amauri Ribeiro (PL) , na quinta-feira (07), quando os dois escalaram em debate nas tribunas da Casa e tiveram de ser apartados para não entrarem em vias de fato, enquanto os trabalhos eram encerrados antecipadamente.
"Eu estou apresentando um requerimento para que a mesa diretora me autorize a vir para o plenário armado. Porque a gente tem sido aqui alvo de ameaça, agressão, enfim, chamar para os tapas. Eu não vou disputar nada no tapa. Se alguém me triscar a mão, eu tenho que exercer meu direito de legítima defesa garantido pela Constituição, pela Lei Penal. Acho que a Assembleia não está garantindo essa harmonia que é necessária e eu temo. Eu tenho certa limitação física e não vou para os tapas com vagabundo nenhum", afirmou.
Questionado pelo POPULAR , o presidente da Casa, Bruno Peixoto (UB), rejeitou qualquer alteração no regimento interno, que proíbe expressamente o acesso de qualquer pessoa, civil ou militar, portando arma de fogo no plenário. "Nós temos a Polícia Legislativa e a Polícia Militar na casa. Está terminantemente proibido e não será liberado a este ou aquele parlamentar portar arma de fogo. Isso está proibido e não é admissível. Então, não será aberta concessão", apontou o dirigente.
Como informado pelo Giro, Bruno Peixoto e o presidente do Conselho de Ética, Charles Bento (MDB), pretendem avançar em processo de punição aos dois parlamentares envolvidos na briga da última quinta. A decisão foi tomada depois de novo encerramento antecipado de sessão plenária, no momento em que Amauri passou a citar Major Araújo diretamente em discurso e apresentar vídeos da confusão anterior para argumentar que não foi ele o autor dos chamados para a "briga de mão".
Além de alegar ameaça de agressão física por parte de Amauri, Major Araújo também criticou a presença na sessão plenária desta terça-feira do coronel da Polícia Militar do Estado de Goiás (PM-GO) Edson Luís Souza Melo Rocha, conhecido como Edson Raiado. O militar tem sido criticado por Araújo em seguidos discursos na Casa ao longo das últimas duas semanas e, em vídeo publicado nas redes sociais, Raiado afirmou que foi à Alego apenas para "exercer meu papel de cidadão de assistir uma sessão plenária".
Major Araújo, no entanto, chegou a confrontar o coronel, que fez questão de se sentar atrás da cadeira normalmente ocupada pelo deputado, em área destinada à imprensa, em situação que ficou permanentemente acompanhada por seis integrantes da Polícia Legislativa.
O coronel da PM e outro militar foram denunciados pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) pelas mortes do piloto Felipe Ramos Morais, de 35 anos, e dos mecânicos de aeronaves Paulo Ricardo Pereira Bueno, de 36, e Nathan Moreira Cavalcante, de 22, em uma chácara próxima à BR-060, na saída de Goiânia para Abadia de Goiás. Felipe era ex-membro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e estava jurado de morte pela facção após delatar lideranças e colaborar como informante da Polícia Federal.
O coronel Edson Raiado chegou à Alego pouco antes do início da sessão ordinária, mas ele e os quatro homens que o acompanhavam foram todos impedidos de entrar armados no plenário. Mesmo após insistirem em adentrar portando as armas, o grupo foi orientado a deixar os objetos na secretaria da Assembleia Legislativa e, só depois de revistados, puderam acompanhar a sessão. Assim que entrou, Raiado se encaminhou diretamente para o setor logo atrás de Major Araújo.
Além da ampla mobilização da Polícia Legislativa, também em torno de Amauri Ribeiro, a situação gerou apreensão de servidores da Alego, em meio à possibilidade de iminente conflito. A presença de Raiado foi saudada apenas por Amauri Ribeiro, em discurso durante a sessão. Ao POPULAR, o parlamentar negou ter convidado o militar para acompanhar a sessão, mas admitiu que ambos têm "indisposição" com Major Araújo.
Bruno Peixoto não se manifestou sobre a presença de Edson Raiado na sessão e, antes de conceder entrevista coletiva, cumprimentou o coronel e manteve diálogo ameno, sobre a perda de peso do militar. Questionado, o presidente da Casa apontou que já conversou com os dois deputados para que os conflitos não se repetissem. "É inadmissível toda e qualquer agressão. Já adverti ambos", disse.
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