Escândalo com Ciro Nogueira pressiona PP; impacto em Goiás deve ser pequeno
O senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do Progressistas (PP), virou alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF) que pode aumentar a crise política dentro do partido. Segundo a PF, o parlamentar teria recebido pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do empresário Daniel Vorcaro, além de viagens, hospedagens, voos em jatinhos particulares e uso de imóveis de luxo. Em troca, Ciro teria apresentado propostas no Congresso que beneficiariam diretamente o Banco Master.
As informações fazem parte da quinta fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação aponta que uma emenda apresentada por Ciro Nogueira à PEC 65, em 2024, teria sido escrita pelo próprio banco. O texto, que ficou conhecido nos bastidores como “Emenda Master”, aumentava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
Baixo impacto
Apesar da repercussão nacional, especialistas avaliam que o impacto político em Goiás deve ser pequeno, pelo menos neste primeiro momento. O mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé afirma que existe uma grande distância entre os problemas da direção nacional do partido e a realidade do PP em Goiás.
“O impacto disso aqui em Goiás é muito baixo, para não dizer nenhum. O Ciro Nogueira não é de Goiás e existe uma distância muito grande entre o que acontece no partido nacionalmente e o que acontece aqui no Estado”, afirma. Segundo Zancopé, a situação só mudaria caso aparecesse alguma ligação direta entre lideranças goianas e as investigações da PF.
Zancopé também cita a relação do ex-governador Marconi Perillo com o Banco Master. O historiador lembra que Marconi prestou uma consultoria ao banco, mas, segundo o especialista, nunca explicou detalhadamente como o serviço foi realizado. “Isso acabou levantando questionamentos e gerando dúvidas em parte da opinião pública”, diz.
Mesmo assim, o analista diz acreditar que o comando do PP em Goiás segue forte nas mãos de lideranças como o ex-ministro Alexandre Baldy. o deputado federal Adriano do Baldy e o secretário de Indústria e Comércio de Goiás (SIC), Joel Sant’Anna Braga Filho. “Eu não vejo muita chance de contaminação política local, a menos que algum desses nomes apareça diretamente nas investigações”, declara.
O HOJE procurou Alexandre Baldy e Adriano do Baldy para comentar o caso, mas os dois preferiram não se manifestar.
Desgaste
Já o especialista em Marketing Político e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Felipe Fulquim, avalia que o principal efeito agora é o desgaste na imagem do partido. “Na prática, ainda deve haver poucos reflexos na montagem das chapas e na condução do PP em Goiás”, avalia.
Segundo Fulquim, o partido possui uma estrutura interna capaz de continuar a funcionar mesmo com a crise que envolve o presidente nacional. “O PP tem vice-lideranças e uma direção formada. Então, o partido consegue manter suas atividades normalmente”, observa.
O mestre em Comunicação lembra, porém, que o cenário pode mudar, a depender do avanço das investigações. “Existe uma investigação em andamento, mas ainda não há condenação. O desgaste político pode aumentar conforme a Polícia Federal e a Justiça avancem no caso”, diz.
Em nota, a defesa de Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade. Os advogados afirmam que o senador está à disposição da Justiça e criticam as medidas da investigação, ao dizer que elas teriam sido tomadas com base apenas em troca de mensagens entre terceiros.
Mais Notícias
Esteja sempre atualizado sobre os principais acontecimentos
Anvisa suspende venda e proíbe uso de produtos Ypê
Medida vale para produtos de lotes com numeração final 1 Saiba mais
Servidores da educação municipal de Goiânia anunciam greve para a próxima semana
Servidores municipais aprovaram a medida nesta quinta-feira (7), alegando que as tratativas junto à Prefeitura não avançaram em relação ao piso salarial e plano de carreira Saiba mais