Ranking indica Goiás 1º em gestão e 23º em economia

Estudo do CLP avaliou dados de 26 estados entre 2023 e 2025 para comparar desempenhos e apontar demandas para o debate eleitoral; segurança pública fica na 2ª colocação
Por O Popular
Data: 08/05/2026
Desempenho (Posições ocupadas por Goiás no Ranking de Competitividade dos Estados – Eleições) (Arte: O Popular)

O estado de Goiás se destaca em gestão e segurança pública , mas ainda demonstra necessidade de avançar em itens relacionados à economia, como o capital humano, a infraestrutura, a inovação e o potencial de mercado. É o que apontam os dados do Ranking de Competitividade dos Estados - Especial Eleições, publicado pelo Centro de Liderança Pública (CLP) nesta quarta-feira (6). O estudo aborda os números de 2023, 2024 e 2025, com a finalidade de nortear prioridades e as metas dos governos em ano eleitoral.

O levantamento trata do desempenho dos 26 estados brasileiros (o Distrito Federal não foi incluído nas análises) em cinco áreas: economia, segurança pública, meio ambiente, gestão pública e sociedade. De acordo com o estudo, Goiás foi o estado que mais avançou na dimensão de gestão pública no período de três anos analisado, figurando em 1º no ranking desta área. No quesito segurança pública, o estado ficou em 2º . Tanto em sociedade quanto em meio ambiente, Goiás repetiu a 12ª colocação. Já em economia, o estado ficou em 23º.

Analista de Relações Governamentais e Competitividade do CLP, Wesley Henrique Barcelos explicou que o resultado de Goiás em gestão pública sugere uma trajetória positiva em indicadores relacionados à capacidade da administração estatal. Segundo a entidade, esta dimensão é dividida em dois subtópicos - eficiência na máquina pública e solidez fiscal -, em que Goiás figurou em 2º e 1º lugares, respectivamente.

Entre os fatores que contribuíram para Goiás ser o estado que mais cresceu em solidez fiscal no período analisado, segundo Barcelos, estão o menor gasto com pessoal da região Centro-Oeste, a segunda colocação no indicador de regra de outro (tem relação com o equilíbrio entre receitas e despesas) e o fato de ter sido o estado que mais ampliou a taxa de investimentos no triênio.

Barcelos destacou que o resultado é relevante porque a capacidade fiscal tende a produzir efeitos em diversos setores da gestão. "Em geral, estados com maior equilíbrio fiscal conseguem responder com mais estabilidade às demandas por infraestrutura, serviços públicos e programas sociais", afirmou o analista do CLP.

O diretor-executivo do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB), Erik Figueiredo, afirmou que a evolução na área fiscal e eficiência de gastos públicos apontam para "síntese geral do que tem sido este governo". "Nós evoluímos justamente em variáveis mais gerais, que é a solidez fiscal, a base da política pública. Não só a solidez fiscal como fim nela mesma, mas como uma forma de promover melhoria no bem-estar das pessoas", afirmou o dirigente do instituto ligado à Secretaria-Geral de Governo (SGG) da gestão.

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) assumiu o mandato em 2019 enfatizando o discurso de dificuldades financeiras deixada pelas gestões anteriores. Os primeiros anos foram de ajuste fiscal, com medidas para suspender o pagamento de dívidas e corte de despesas. O estado entrou no Regime de Recuperação Fiscal (RRF) do governo federal no final de 2021 e, neste ano, aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Após as medidas, Goiás chegou a ter caixa de R$ 16 bilhões em 2024.

Caiado foi reeleito em 2022 e, à medida que o segundo mandato avançava, também cresceu a expectativa por entregas à população . Em 2025, houve esforço para a ampliação de investimentos. O POPULAR mostrou que o estado registrou R$ 7,2 bilhões em investimentos no ano passado, período pré-eleitoral, número que representa oito vezes os R$ 903 milhões que foram aplicados em 2019.

A ampliação dos gastos na área levou ao déficit orçamentário de R$ 5,3 bilhões no fechamento de 2025 (resultado de despesas totais empenhadas de R$ 54,95 bilhões e receitas totais realizadas de 49,65 bilhões), segundo dados da Secretaria da Economia. O estado usou o caixa acumulado ao longo dos últimos anos para cobrir a despesa que ficou acima da receita. Há nova previsão de déficit primário para 2026 e 2027.

A segurança pública foi a principal bandeira da gestão Caiado e que o atual governador, Daniel Vilela (MDB), busca sustentar. O tema deve ter destaque tanto na campanha de Caiado a presidente quanto na de Daniel para reeleição. O estudo aponta que Goiás foi o 2º que mais avançou nesta área entre 2023 e 2025. O 1º lugar ficou com o Rio Grande do Norte.

Desafios

De acordo com Barcelos, os principais pontos de atenção para Goiás estão nos indicadores de infraestrutura e educação. "Embora o estado não figure entre os últimos colocados nesses pilares, os dados indicam uma tendência de perda de posições ao longo da série histórica", disse o analista.

Goiás ficou em 15º em infraestrutura, que, no estudo, é um subtópico dentro da dimensão economia. A área também é composta por capital humano (21º), inovação (21º) e potencial de mercado (13º). Figueiredo apontou que, no Brasil, "orçamento, intenção e a execução de obra são coisas com tempos totalmente diferentes". O diretor afirmou que o estado enfrentou dificuldade de execução até 2024, mas houve avanço significativo em 2025, que, por algum motivo técnico, o levantamento não conseguiu capturar.

Figueiredo argumentou que o dado de Produto Interno Bruto (PIB) mais recente dos estados apurado a nível nacional é de 2023. Para o diretor, este é um fator que leva a distorção dos resultados na dimensão economia. Figueiredo afirmou que levantamentos feitos pelo IMB mostram que houve forte crescimento do estado nesta área em 2024 e 2025.

De acordo com Barcelos, o movimento dos dados em infraestrutura e educação (estado figura em 7º) nestes itens sugere necessidade de atenção "à continuidade e à capacidade de aprofundamento de políticas voltadas à melhoria da aprendizagem, permanência escolar e ampliação da infraestrutura". O analista explicou que, quando se trata de rankings de competitividade, manter bons resultados ao longo do tempo exige não apenas o desempenho elevado, mas também a "capacidade contínua de adaptação e evolução frente aos avanços dos demais estados".

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