Influenciador é preso em Goiás em operação contra esquema de R$ 260 milhões com jogo do tigrinho

Outros sete influenciadores digitais de Roraima, além de dois empresários e uma esteticista também foram alvos da ação
Por Jornal Daqui
Data: 29/04/2026
Influenciador Gildazio Cardoso (Reprodução / Instagram Gildazio Cardoso)

O influenciador Gildazio Sobrinho Santos Cardoso, de 25 anos, conhecido como Mulherzona, foi preso em Goiânia em uma operação da Polícia Civil de Roraima (PCRR) contra um esquema que movimentou cerca de R$ 260 milhões em dois anos com "jogo do tigrinho" (veja o vídeo da prisão acima). Outros sete influenciadores digitais, além de dois empresários e uma esteticista também foram alvos da ação.

Gildazio passou por audiência de custódia e segue preso. O DAQUI entrou em contato com a equipe do influenciador, mas não teve retorno. A reportagem não localizou a defesa dele para que pudesse se posicionar.

A delegada Lara Soares, da Polícia Civil de Goiás (PCGO), afirmou que a prisão preventiva ocorreu na manhã de segunda-feira (27), em apoio à Operação Mantus, da corporação de Roraima. Soares explicou que o influenciador está envolvido na divulgação de jogos ilegais em ambiente digital.

"Sobre os jogos ilegais como, por exemplo, o jogo do Tigrinho, operam à margem da legislação brasileira. Frequentemente, eles são divulgados com promessas irreais, de ganhos fáceis, induzindo esses consumidores a erro, além do potencial prejuízo que pode causar às vítimas, que muitas delas entram em depressão. Todo esse abalo, essa perda patrimonial que gera um abalo nas vítimas", acrescentou.

A ação teve como principais alvos influenciadores digitais, maioria de Roraima, investigados pela exploração de jogos de azar ilegais, além de crimes contra o consumidor e lavagem de dinheiro.

Gildázio tem quase 30 mil seguidores no Instagram e divulga shows, entrevistas com artistas e vídeos de humor. Natural do estado do norte, ele havia se mudado recentemente para a capital goiana, sem vínculos familiares relevantes, segundo a investigadora.

Nas redes sociais, ele menciona que é colunista no portal de Raniely Carvalho, uma das investigadas na operação. Em março deste ano, ele foi homenageado na Câmara Municipal de Goiânia com o Diploma de Honra ao Mérito, voltado à digitais influencers.

Outros presos

Conforme apuração do g1 Roraima, os outros influenciadores e empresário presos na operação são:

?  Raniely Silva Carvalho - influenciadora conhecida como Raniely Carvalho, dona do perfil "Portal Raniely Carvalho" e de uma loja de conveniência;

?  Laís Ramos Gomes da Silva - influenciadora conhecida como Lai?s Ramos;

?  Patrik Adhan dos Santos Ribeiro, de 27 anos - influenciador conhecido Patrik Adhan;

?  Amanda Lourenço Faria, de 28 anos - influenciadora conhecida como Amanda Faria e dona de uma loja de roupas;

?  Adrielly Vivianny Araújo de Jesus, de 29 anos - influenciadora conhecida como Adrielly Araújo e dona de uma loja de roupas fitness;

?  Dione dos Santos da Silva, de 37 anos - marido de Adrielly e atleta de levantamento de peso;

?  Vitória Reis da Silva, influenciadora de 26 anos.

A Polícia Civil também cumpriu mandados de busca e apreensão contra:

?  Victoria Paixão Barros, de 26 anos - influenciadora conhecida como Vick Paixão, dona de uma loja de produtos de beleza;

?  Juliana Lima do Nascimento, de 23 anos - esteticista;

?  Ruissian Ferreira Braga Ribeiro, de 28 anos - empresário conhecido como Ruissian Braga e dono de lojas de vendas de carros;

?  Ruissian Comércio de Veículos LTDA, empresa do Ruissian Braga.

Na operação, o empresário Ruissian também foi preso em flagrante por posse irregular de munição. No entanto, horas depois ele foi solto após pagar mais de R$ 48 mil de fiança ainda na delegacia.

Operação

Além das prisões, os agentes da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) da PCRR cumpriram 11 mandados de busca e apreensão, sequestro de bens móveis e imóveis e bloqueio de valores que podem chegar a R$ 68 milhões nas contas bancárias e em carteiras de investimentos dos investigados. De acordo com a polícia, a operação é resultado de uma investigação que durou cerca de 18 meses, tendo iniciado em setembro de 2024, e revelou um esquema estruturado, com forte atuação nas redes sociais.

Segundo o delegado da DERCC, Eduardo Patrício, os investigados utilizavam sua visibilidade digital para divulgar plataformas do chamado "jogo do tigrinho", atraindo seguidores com promessas enganosas de ganhos fáceis.

As investigações demonstraram que havia uma atuação organizada, com uso estratégico das redes sociais para alcançar um grande número de vítimas. Trata-se de uma prática criminosa com elevado potencial de dano coletivo", destacou.

Ainda conforme o delegado, o grupo movimentou aproximadamente R$ 260 milhões em dois anos, valor considerado incompatível com a renda declarada pelos investigados.

Identificamos um crescimento patrimonial expressivo, com aquisição de veículos de luxo, imóveis e bens de alto padrão, o que reforça os indícios de lavagem de dinheiro", afirmou.

Conforme o delegado, durante a operação, foram apreendidos celulares, notebooks, dispositivos eletrônicos, documentos físicos e digitais, veículos de alto valor, bens de luxo, como joias e acessórios.

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