Por eleição, 16 deputados estaduais trocaram de partido
Pelo menos dezesseis deputados estaduais de Goiás usaram a janela partidária para trocar de sigla , em busca de espaço em chapas para a reeleição ou a disputa por cadeira na Câmara dos Deputados. Além disso, também existem casos de parlamentares que chegaram a trocar de partido, mas voltaram para a sigla que estavam inicialmente, como Cristiano Galindo (SD), Júlio Pina (SD) e o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Bruno Peixoto (UB).
A janela partidária ficou aberta por 30 dias , entre 5 de março e 3 de abril. O período é determinado pela Justiça Eleitoral para que deputados estaduais e federais possam, se quiserem, trocar de partido sem correr o risco de perder o mandato. As siglas tiveram até 14 de abril para lançar as novas filiações no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), abrindo espaço para alterações no limite do prazo.
Entre as últimas registradas estão as filiações de Wilde Cambão e Cairo Salim no União Brasil (UB) e no MDB, respectivamente. Antes, os dois integravam a bancada do PSD, partido que passou a ser comandado pelo ex-governador Ronaldo Caiado (UB) em março.
Salim disse que a mudança é resultado de decisão por maior proximidade com o governador Daniel Vilela (MDB), um dos principais líderes da legenda. O novo emedebista afirmou que a ida de Caiado para o PSD fez com que o partido tivesse maior foco na disputa para deputado federal, dando tranquilidade para os parlamentares que vão buscar a reeleição mudarem de legenda.
O ex-prefeito de Rio Verde, Paulo do Vale, foi designado por Caiado para organizar as chapas e afirmou que os dois deputados deixaram o partido por vontade própria. Embora tenha perdido dois parlamentares, o PSD filiou Dra. Zeli e Lucas do Vale. Nos bastidores, circularam críticas de deputados à ida de Cambão para UB, por causa da força de seu nome no Entorno do Distrito Federal. No entanto, as reclamações foram minimizadas por lideranças do partido.
A bancada do PSB também passou por mudanças de última hora. O partido tinha apenas um deputado estadual, Karlos Cabral, e agora tem três. Veter Martins e Rubens Marques se juntaram à legenda no final do prazo. Em dois dias, Marques saiu do UB, se filiou ao Agir, voltou ao UB e, depois, se filiou ao PSB. O sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda mostra o caso dele sub judice (em análise), com filiações pendentes no UB e no PSB, mas o parlamentar confirmou que sua filiação final foi no PSB.
Marques disse que o Agir não aceitou a sua filiação (o partido tem a deputada estadual Rosângela Rezende) e, em seguida, foi convidado pela presidente estadual do PSB, vereadora de Goiânia Aava Santiago, para integrar a sigla. Marques minimizou as reclamações feitas por Cabral após a sua filiação e disse que respeita o colega.
Marques afirmou ainda que, mesmo no PSB, continua na base de Daniel e Caiado. O PSB é o partido do vice-presidente da República Geraldo Alckmin e há possibilidade de composição com o PT na disputa estadual. Além disso, Aava é próxima de grupos de esquerda.
Aava afirmou que o objetivo é que o partido tenha em Goiás "o tamanho que ele tem no Brasil". A presidente afirmou que o principal nome da chapa estadual é Cabral, que foi um dos articuladores da ida de Martins para o PSB. Quanto à chegada de Marques, Aava minimizou conflitos e disse que "em uma mesa de negociação, todo mundo abre mão de alguma coisa, entendendo que o processo coletivo se solidifica no final".
Nos bastidores, os deputados reclamam de dificuldade para a formação de chapas estaduais competitivas. A aposta deles é que a quantidade de candidatos neste ano será menor do que nos pleitos anteriores.
Ida e volta
No período da janela partidária, pelo menos três parlamentares saíram de seus partidos, mas retornaram em seguida. É o caso de Júlio Pina, que estava no SD, se filiou ao PV, mas voltou à antiga legenda em seguida. O PV faz parte da federação Brasil da Esperança, ao lado do PT e do PCdoB e, com isso, a chapa proporcional é conjunta. Houve reação de lideranças do PT contra a filiação de Pina. Entre os argumentos apresentados está o histórico de apoio do parlamentar a Caiado e Daniel.
Já Bruno Peixoto articulou a troca do UB para o PRD com o objetivo de liderar a montagem das chapas da Federação Renovação Solidária (SD/PRD) e chegou a trocar de partido. No entanto, decidiu voltar ao UB após pedidos de Caiado, Daniel e do presidente nacional, Antônio Rueda. O deputado assumiu a presidência do partido em Goiás e passou a trabalhar nas chapas. A mudança de planos implodiu as chapas da Renovação Solidária. Outro caso de ida e volta é de Cristiano Galindo (SD), que chegou a ir para o Mobiliza, mas desistiu.
Já Charles Bento continua com a filiação em análise entre MDB e UB, mas disse que a decisão foi pelo primeiro. No dia 2 de abril, o deputado deixou o MDB, se filiou ao UB, mas retornou ao antigo partido na mesma data. Charles Bento disse que planejou ir para o UB por entender que precisaria de menor quantidade de votos para ser reeleito lá. O parlamentar afirmou que continua com o mesmo entendimento, mas decidiu permanecer no MDB por causa da parceria com Daniel Vilela.
Bancadas
Com as mudanças de partidos, o MDB ficou com a maior bancada da Alego, com sete parlamentares. O UB aparece em seguida, com seis. O PRD, PSDB e SD têm 4 deputados, cada. O PL, PSB e PT têm bancada de três; PSD e Republicanos ficaram com dois; e Agir, Podemos e PP têm um deputado, cada.
O POPULAR mostrou, em reportagem publicada em 7 de abril, que, após a janela partidária, a Alego passou a ter representação de 13 partidos , dois a menos na comparação com a lista de legendas que elegeram deputados estaduais em 2022. Essa mudança é resultado da migração entre siglas durante a janela, mas também está ligada a decisões dos próprios partidos, como fusões.
A reportagem tentou contato com Wilde Cambão e Veter Martins, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.
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