Contrato com a Comurg pode chegar a até R$ 7,5 bilhões
A Prefeitura de Goiânia firmou um novo contrato com a Companhia de Urbanização (Comurg) com valor estimado em R$ 7,5 bilhões e vigência de cinco anos, para serviços contínuos e sob demanda de limpeza urbana, paisagismo urbano, operação do aterro sanitário, coleta e transporte de resíduos e manutenção em geral.
Nele, o custo pode chegar a cerca de R$ 1,5 bilhão por ano e a R$ 125 milhões por mês. O valor corresponde ao potencial do contrato caso todos os 56 serviços previstos sejam executados. No contrato anterior, eram 33 atividades. A nova lista de serviços ainda não foi divulgada pela gestão municipal.
Uma resolução normativa publicada no Diário Oficial do Município nesta segunda-feira (13) apontou que o Comitê de Controle de Gastos da Prefeitura aprovou o novo contrato com ressalvas. O colegiado deu aval apenas às despesas com serviços previstos nos anexos I, II e III do contrato, que tratam de ações contínuas.
As atividades correspondem ao valor de R$ 3,4 bilhões por cinco anos (R$ 699 milhões anuais e R$ 58,2 milhões por mês). Para que a Prefeitura possa pagar pelos serviços dos itens IV, V e VI, a autorização terá de ser analisada pelo comitê antes da ordem de serviço.
A reportagem apurou que os anexos I, II e III têm atividades que já estavam previstas no contrato anterior e outras que já eram realizadas pela Comurg, mas sem condição de serem cobradas por não constarem formalmente como uma ação realizada pela empresa para a Prefeitura. Já os anexos IV, V e VI tratam, entre outros temas, de obras e de serviços que atualmente são de responsabilidade do Consórcio LimpaGyn, como a coleta de lixo.
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), disse em coletiva que a ressalva apresentada pelo comitê não traz prejuízo. "Está previsto no contrato, mas nós não vamos fazer a coleta de lixo pela Comurg. Mas ela pode fazer. Nós não podemos empenhar essa despesa porque ela não vai acontecer agora. Mas amanhã, se nós tivermos que tirar quem está recolhendo o lixo hoje e voltar a Comurg, nós temos a previsão no contrato. E assim são outros serviços também", explicou Mabel.
O teto anual do novo contrato representa quase o dobro do potencial do contrato anterior. O documento foi assinado em 2023, na gestão do ex-prefeito Rogério Cruz (SD), com vigência inicial de um ano, mas foi prorrogado. O último reajuste foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) em 7 de abril de 2026, com valor global de R$ 653 milhões e R$ 54,4 milhões por mês.
Além disso, o potencial mensal é maior do que a previsão inicial. Em entrevista ao POPULAR publicada em dezembro de 2025, quando o documento estava em elaboração, Mabel mencionou a expectativa de um contrato de R$ 50 milhões por mês com vigência de 20 anos.
Nova fase
Mabel realizou evento nesta terça-feira (14), na sede da Comurg, na Vila Aurora, com o objetivo de apresentar a "nova Comurg", após um ano e três meses de reestruturação. O chefe do Executivo falou sobre os próximos planos para a empresa, como a prestação de serviços para entes públicos e privados. Mabel ainda apontou a corrupção e o uso político da companhia como fatores que foram determinantes para o acúmulo de dívidas bilionárias para a Comurg, que foram negociadas em sua gestão.
Apesar do ato para assinatura do contrato ter sido realizado nesta terça, o documento não foi divulgado pela Prefeitura, que alegou a necessidade de ainda realizar ajustes pontuais no texto final. Mabel disse ao POPULAR que ainda faltam assinaturas ao documento e, por isso, não houve divulgação. O prefeito afirmou que a publicação deve ocorrer até a próxima semana e destacou que o contrato está em vigor.
A ideia inicial de Mabel era firmar um novo contrato com a Comurg antes de outubro do ano passado, para substituir o documento de 2023. No entanto, as discussões entre a companhia e a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) atrasaram os planos. Em outubro de 2025, o contrato de 2023 foi prorrogado por mais um ano, mas já com o plano de firmar um novo documento logo.
Mabel argumentou que o novo contrato é grande e cheio de detalhes, e, por isso, a negociação "foi dura". "A Prefeitura não pode assinar um contrato desse tamanho de qualquer jeito. Muita pesquisa de preço, muita briga, muito entendimento jurídico que teve que se colocar. Tudo isso fez com que o contrato pudesse agora finalmente ser assinado", afirmou.
Segundo o prefeito, a assinatura do novo contrato "estabiliza essa relação da Comurg com a prefeitura nos preços melhores negociados possíveis". "Como a Comurg tinha uma despesa muito alta e poucos itens no contrato, então, na administração passada, roçava aí 2 milhões de metros (quadrados) e faturavam 7, para poder dar o dinheiro no final do mês para pagar folha. Isso não vai existir mais", disse Mabel.
O prefeito voltou a repetir os próximos planos para a empresa, como os possíveis contratos com o governo de Goiás (já existe perspectiva de R$ 12 milhões por mês) e com a Ceasa Goiás. Segundo o chefe do Executivo, o braço da companhia que trabalhará "para fora" da Prefeitura de Goiânia se chamará Comurg Service.
Mais Notícias
Esteja sempre atualizado sobre os principais acontecimentos
Gripe K: Goiás registra os três primeiros casos
As pessoas contaminadas são de Caldas Novas, Anápolis e Itumbiara. Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO) afirma que as vacinas são eficazes contra a mutação Saiba mais
Clínica busca voluntários para testar medicação similar a canetas emagrecedoras
Cendi participa da última fase de testes de três medicamentos para o tratamento de diabetes, obesidade e prevenção de doenças cardiovasculares Saiba mais