Calor se intensifica em Goiás

Meteorologistas explicam que um sistema de alta pressão impede entrada de frentes frias no estado
Por Jornal Daqui
Data: 12/08/2026
Na segunda-feira (10), a estação de medição do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) da Avenida Paranaíba, em Goiânia, marcou 38,3°C, batendo o recorde de temperatura para agosto desde o início das medições, em 1937 (Wildes Barbosa / O Popular)

Uma massa de ar quente está sobre o estado, que passou a registrar elevação nas temperaturas neste mês desde domingo (9). Na segunda-feira (10), a estação de medição do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) da Avenida Paranaíba, em Goiânia, marcou 38,3°C, batendo o recorde de temperatura para agosto desde o início das medições, em 1937. O recorde anterior para o mês havia sido de 37,7°C, registrado no ano de 2011. No mesmo dia, a Cidade de Goiás marcou 41,4°C, e São Miguel do Araguaia atingiu 41,1°C.

Porém, outras estações do Inmet na capital registraram índices diferentes, como a estação próxima ao Autódromo Internacional de Goiânia Ayrton Senna, com 35,3°C, e a do Setor Santa Genoveva, com 35,4°C. Essa variação de valores dentro do mesmo município é atribuída à densidade de urbanização, asfalto e construções na área central da cidade.

A dinâmica de calor que impede a entrada de frentes frias em Goiás é associada à atuação de um sistema de alta pressão. Segundo a coordenadora do Inmet, Elizabete Alves, é uma circulação de ar descendente.

"O ar vem da parte superior para a superfície e é seco. Então, ele seca essa região mais central. Por isso, não temos chuva e o final do inverno é tão quente. A primavera também é assim", diz.O gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), André Amorim, relata que a transição de temperaturas mínimas mais baixas para marcas mais altas acentuou a percepção de calor pela população.

O meteorologista aponta que "antes estavam as temperaturas mais baixas, de massa polar, o que contribui para o fortalecimento da bolha de ar quente que chegou de domingo para cá. Tínhamos registros de 16°C e agora estamos em 20°C. O ar frio não chega mais aqui, é um bloqueio da massa de ar quente e seca".

O fluxo de ar que se desloca para a superfície é seco e atua desidratando a atmosfera da região central do estado. Sob essa condição, a umidade cai significativamente e a ocorrência de chuvas é inibida, razão pela qual o final do inverno e a primavera são períodos caracterizados por calor acentuado. Esse sistema de alta pressão atua como uma barreira física, uma bolha de ar quente e seca. Isso inibe a aproximação de frentes frias e impede que massas de ar frio e polar avancem, bloqueando o ar frio e mantendo o tempo seco e quente.

O aumento térmico verificado nesta época do ano corresponde aos padrões habituais do inverno seco do Brasil Central. Elizabete Alves descreve que "a questão é da massa de ar seco que está predominando na região". "Quando chega agosto, ele vai ficando quente e muito quente. A umidade baixa e fica seco nessa região mais central", explica ela.

Marcas são normais, diz meteorologista

André Amorim complementa que as marcas de temperatura registradas estão próximas dos limites normais previstos para o período. "A princípio, esse aumento da temperatura não é o El Niño. É normal para esse período, pois as temperaturas estão bem próximas da média, de 1°C, 1,5°C acima da média. O negócio é que o frio demorou demais. Quando chegou o ar quente, a sensação é de que está muito quente", considera.

O gerente do Cimehgo acrescenta que as condições meteorológicas de agosto não configuram uma onda de calor. "Não estamos tendo esse fenômeno. Para isso, tem de ser 5°C acima da média por 5 dias consecutivos. Não temos isso agora."

Amorim assegura que os efeitos do El Niño ainda serão mais intensos entre setembro e outubro, quando será provável ocorrer ondas de calor.

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