Preço do feijão sofre alta de 46% em Goiânia

Aumento foi registrado entre janeiro e setembro. Menor oferta e clima explicam
Por Jornal Daqui
Data: 06/11/2026
Na prateleira dos supermercados: preço do feijão registra alta e consumidor já busca marcas mais em conta (Guilherme Alves/O Popular)

O feijão de cada dia ficou mais caro para o goianiense. De janeiro a setembro deste ano, a alta acumulada em Goiânia chega a 46%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE. Entre os motivos, estão uma menor oferta no período de entressafra e um benefício fiscal que reduziu a tributação para as vendas de Goiás para outros estados, além de problemas climáticos.Goiás é o quinto maior produtor de feijão do país, respondendo por 10% da safra brasileira. A produção goiana saltou de 274,4 mil toneladas, em 2023-2024, para 309 mil toneladas na última safra 2025-2026, um crescimento de 12,6%, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A área plantada também aumentou 19% no período. Mesmo assim, o quilo do feijão no atacado já está custando cerca R$ 9 e chega a ultrapassar R$ 14 no varejo.

O analista técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Vilmar Eurípedes Júnior, explica que a alta no preço inclui o valor do beneficiamento, do transporte e o custo de produção na lavoura. "O preço deve se manter neste patamar por um período maior de tempo, até que a oferta aumente e os preços se ajustem", prevê o analista. Conforme a Conab, cerca de 35% da área já estão plantados.

Altas temperaturas

Segundo ele, as altas temperaturas em Goiás também impactam a produtividade final. "Estamos plantando a primeira safra e ainda temos os plantios da segunda e terceira safras, cujo desempenho dependerá muito das condições climáticas, que podem ser impactadas pelo El Niño", adverte.Para o valor nas gôndolas cair, é preciso ter um aumento da oferta. "O preço do feijão em Goiás ainda depende de questões como os custos com logística e de empacotamento", alerta Vilmar, que ainda prevê um pequeno recuo da produção na safra 2026-2027.

O subsecretário de Agricultura Familiar, Produção Rural e Inclusão Produtiva da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seapa), Pedro Leonardo Rezende, reforça que alguns fatores explicam a precificação, como um temor em relação a fatores climáticos e a oferta nos mercados, principalmente por conta do El Niño.

"As previsões e estudos indicam que, durante a safra do grão, em Goiás, provavelmente ocorrerá uma deficiência hídrica, ou falta de chuvas, justamente no período vegetativo de enchimento de grãos desta safra que está sendo plantada, que vai de novembro a janeiro", diz o subsecretário.

Especulação

As últimas estimativas da Conab indicam uma área de 127 mil hectares para a produção, uma alta em relação à safra anterior. Como ainda não há falta do produto, Pedro fala em uma alta mais especulativa. "Um dado importante é que Goiás vende para outros estados 70% do feijão que produz. Só consumimos no mercado interno 30%".

Para ele, a recente redução da alíquota de ICMS na comercialização interestadual, de 6% para 2,4%, foi um fator determinante para a maior competitividade. "Isso ajudará Goiás a ter um maior alcance de seu produto no mercado, em relação a outros estados. Mas teremos reflexos desta medida", alerta.

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