Alego tem novo recorde com 6.050 comissionados

Maior número foi registrado em julho, quando a despesa geral com folha somou R$ 58 milhões; Casa não atualizou dados no período eleitoral e aponta alta rotatividade recente
Por O Popular
Data: 08/10/2026
Bruno Peixoto (UB), presidente da Alego: 660 comissionados a mais em julho deste ano que no mesmo período de 2025 (Denise Xavier/Alego)

A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) registrou novo recorde de comissionados em julho de 2026, com 6.050. No mês seguinte, agosto, eram 6.043 pessoas em cargos de livre nomeação . A Casa deixou de atualizar a folha de pagamento durante o período eleitoral. As informações foram disponibilizadas no portal nos últimos dias. O atraso é atribuído a atualizações no portal.

Em 2026, todos os deputados estaduais titulares disputaram a eleição (37 buscaram a recondução e quatro foram candidatos a federal). Em julho deste ano, a Alego registrou 660 comissionados a mais que no mesmo período do ano passado. Em agosto, eram 644 pessoas em cargos de livre nomeação a mais que no mesmo mês de 2025.

Entre os 6.050 comissionados de julho de 2026, 4.341 estavam lotados nos gabinetes dos deputados e 1.709 ocupavam cargos em áreas administrativas. Naquele mês, a despesa com comissionados foi de R$ 37,9 milhões e a folha geral custou R$ 58 milhões.

Em agosto, eram 4.374 pessoas trabalhando diretamente com os deputados e 1.669 em outros postos. Neste caso, a folha de comissionados custou R$ 38 milhões . Entre os itens que compõem o montante estão R$ 6 milhões de auxílios e R$ 10 milhões de pagamento identificado como "cargo em comissão/FEC", uma gratificação de representação para secretário parlamentar, nomeação em um cargo em comissão ou designação para função especial de confiança.

Além dos comissionados, a folha de agosto também foi composta por 404 aposentados, 290 estagiários, 439 efetivos, 41 deputados e sete pagamentos classificados como "suplementar". A despesa geral com pessoal foi de R$ 57,7 milhões.

Cada deputado estadual pode ter até 120 comissionados lotados em seu gabinete, desde que o custo fique limitado à verba para este fim, que atualmente é de cerca de R$ 88,7 mil. Os parlamentares podem escolher ter mais funcionários com salários menores ou quantidade menor de servidores com vencimentos maiores.

O diretor financeiro da Alego, Edilson Bezerra da Silva, explicou que a tabela da folha publicada no portal da transparência mostra todos os pagamentos feitos a comissionados, inclusive as rescisões. Ou seja, ficam registrados os casos de empregados que estão nos cargos e de pessoas que já deixaram o posto, mas estão recebendo acerto trabalhista. As informações disponibilizadas no site não permitem ver a diferença entre essas duas categorias.

Silva argumentou que os meses de julho e agosto foram marcados por alta rotatividade de comissionados nos gabinetes dos deputados. O diretor apontou que essas mudanças contribuem para os resultados encontrados no portal sobre quantidade e despesa com estes funcionários. Silva afirmou que a Alego registrou índice de gasto com pessoal de 1,32% da receita corrente líquida no segundo quadrimestre de 2026, abaixo do limite de alerta de 1,35% determinado para o Legislativo pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Para levantamento do custo da folha, a reportagem considerou os dados de rendimento líquido, férias, 13º salário, indenizações, vantagens pessoais, vantagens eventuais, abono permanência, complementação de salário mínimo, auxílios e a gratificação para cargo em comissão. O fortalecimento da estrutura dos gabinetes dos deputados estaduais ocorreu principalmente a partir de 2023, com a chegada de Bruno Peixoto (UB) à presidência da Alego.

A informação nos bastidores é que, além dos comissionados do gabinete, os deputados também podem indicar 20 funcionários para trabalhar nas comissões. Além disso, cada um dos 11 membros da mesa diretora escolhe outros 20 servidores. Ou seja, mesmo dentro da estrutura administrativa existem comissionados com indicação política. O cálculo interno é de que cerca 5 mil comissionados que trabalham na Casa atualmente são escolhidos diretamente pelos deputados estaduais.

Transparência

Quanto ao atraso na publicação da folha, Silva afirmou que o problema ocorreu porque houve "atualização substancial" do site para atender requisitos da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon). O diretor argumentou que o sistema do portal da Alego é integrado, o que faz com que alterações feitas em uma área gere impacto nas outras. Silva afirmou que entre as mudanças realizadas está a inclusão de informações relacionadas à ordem cronológica de pagamentos realizados pela Casa.

A Atricon publica anualmente avaliação da transparência de portais de entes públicos, como as assembleias legislativas. Em 2025, a Alego recebeu o selo diamante e ficou entre as mais transparentes do Brasil.

A Alego não inclui detalhes da lotação dos comissionados na tabela gerada no download da folha de pagamento e, com isso, não é possível identificar em qual gabinete estes funcionários trabalham, ou seja, por qual deputado são contratados. Esta informação está disponível no contracheque dos servidores no site e para ter os dados sistematizados por parlamentar seria necessário analisar o arquivo de cada um dos mais de 6 mil comissionados.

Estagiários

Os dados da folha também mostram que a Alego voltou a contratar estagiários neste ano. Os primeiros casos foram registrados em maio, com 15. Em seguida, o número subiu para 143 em junho, 270 em julho e 290 em agosto.

Silva argumentou que a Alego tem contrato com um instituto para a seleção de até 450 estagiários. Segundo o diretor, a última vez que houve contratação desta categoria foi em 2023. Agora, o programa foi retomado. Silva negou qualquer relação da contratação de estagiários com o período eleitoral e argumentou que a Alego abre o espaço, mas não é responsável pela escolha dos nomes.

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