Rebanho bovino em Goiás diminui pela terceira vez
Goiás registrou a terceira queda consecutiva em seu rebanho bovino em 2025. Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), o estado tinha cerca de 22,5 milhões de cabeças em 2025, uma redução de 3,25% em relação a 2024, quando haviam cerca de 23,2 milhões de animais registrados. O estado ainda tem o terceiro maio rebanho do País, atrás apenas do Mato Grosso e do Pará. Entre os motivos, estão o ciclo pecuário de alta e a expansão da agricultura.
Foram 24,4 milhões de cabeças em 2022, número que recuou para 23,7 milhões em 2023, chegando a 23,2 milhões em 2024 e fechando 2025 com 22,5 milhões de bovinos. O estado respondeu por 9,6% do efetivo bovino nacional no ano passado. Nova Crixás é o município goiano com maior efetivo.
Entre os municípios brasileiros, São Félix do Xingu (PA) liderou o ranking nacional, com 2,7 milhões de cabeças, seguido por Corumbá (MS), um efetivo de 2,2 milhões.
Em Goiás, os maiores rebanhos bovinos de Goiás permaneceram concentrados na região Norte do estado em 2025 e Nova Crixás tinha o 14º maior efetivo do País. Além de liderar o ranking goiano, Nova Crixás respondeu sozinha por 3,5% do rebanho bovino estadual em 2025.
Para o especialista técnico do Instituto para Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Marcelo Penha, um dos responsáveis por essa terceira queda no efetivo do rebanho goiano foi o ciclo pecuário de alta. Ele explica que, nos três últimos anos, houve uma baixa no preço do bezerro, quando muitos produtores venderam suas matrizes para fazer caixa. "Por serem mais caras, eles vendem as matrizes e fazem uma certa melhoria do rebanho, com descarte de animais para melhorar a próxima cria."
Isso diminuiu o número de matrizes nos últimos dois anos. Consequentemente, o estoque de animais também foi afetado. Outra questão que impactou o tamanho do rebanho foi a expansão de lavouras, tanto de soja, quanto de cana, principalmente nas regiões Sul e no Oeste do estado, no Vale da Araguaia, e também no Médio-Norte do Estado.
"Isso também é uma forma de competir com a pecuária, principalmente aquela que tem uma rentabilidade baixa. São pecuaristas que não conseguem implementar tecnologia, têm dificuldade de capital de giro e no manejo", alerta Marcelo Penha. Com baixa rentabilidade, eles disponibilizam a terra para arrendamento ou venda e saem da atividade pecuária. "Isso acontece também devido ao desenvolvimento da agricultura e da pecuária moderna", explica.
Este cenário tem impactos nos preços. Segundo Marcelo Penha, o preço está estável no momento por conta desse ciclo de pecuária em alta, que segura as vendas de vacas, o equivalente a 10%, ou cerca de 500 mil ou 600 mil toneladas que iriam para a China. "Isso equilibrou o consumo interno do Brasil com as vendas externas, pois os Estados Unidos melhoraram muito a importação do Brasil, diminuindo o impacto da saída da China", ressalta. Com isso, o preço da arroba está constante, na faixa de R$ 340 ou R$ 350, o que está segurando um pouco o preço.
Suínos
Goiás tem o sétimo maior rebanho de suínos do País, com 1,6 milhão de cabeças e um crescimento de 3,3% em relação a 2024. Rio Verde tem o maior rebanho, seguido por Jataí, por conta de grandes indústrias de processamento, como a BRF. Mas Rio Verde perdeu duas posições neste ranking, sendo superado pelos municípios de Nova Mutum (MT) e Glória de Dourados (MS). Santa Catarina continua tendo o maior rebanho de suínos do País.
O município de Itaberaí voltou a superar Rio Verde em número de galináceos. O efetivo de galináceos em Goiás foi estimado em 95,1 milhões de cabeças em 2025, redução de 3,9% em relação ao ano anterior, enquanto o Brasil registrou crescimento de 1,6%, alcançando 1,61 bilhão de cabeças. Mesmo com a queda, Goiás manteve a sexta posição nacional.
O Paraná permaneceu com o maior efetivo da espécie no País, com 463,5 milhões de cabeças, seguido por São Paulo (196,4 milhões) e Rio Grande do Sul (166,2 milhões). A superioridade quantitativa de galináceos de Itaberaí sobre Rio Verde não ocorria desde 2022, segundo a série histórica da PPM. Em 2025, o cenário se inverteu em decorrência da redução em Rio Verde e do avanço em Itaberaí. Mineiros alcançou 7,7 milhões de cabeças e permaneceu entre os 20 maiores efetivos do País, enquanto Pires do Rio passou de 5,1 milhões para 6,7 milhões de cabeças, uma alta de 33,2%. Com isso, o município ingressou no grupo dos vinte maiores efetivos de galináceos do Brasil em 2025.
A produção brasileira de ovos de galinha alcançou 5,74 bilhões de dúzias em 2025, um aumento de 5,7% em relação ao ano anterior. Em Goiás, a produção foi estimada em 293,1 milhões de dúzias, o equivalente a 5,1% do total nacional, mantendo o estado na nona posição entre as unidades da federação.
Inhumas foi o município goiano que mais produziu ovos no ano passado, com 48,2 milhões de dúzias em 2025. Este volume colocou a cidade na 16ª posição do ranking nacional, seguida por Leopoldo de Bulhões, com 46,2 milhões de dúzias e a 17ª colocação no País.
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