Pacientes da radioterapia do Araújo Jorge denunciam atrasos e cancelamentos
Atrasos e cancelamentos nas sessões de radioterapia estão sendo enfrentados pelos pacientes do Hospital de Câncer Araújo Jorge. O problema ocorre desde meados de agosto e afeta principalmente os pacientes identificados com cartão amarelo. Uma das máquinas usadas na radioterapia, chamada acelerador linear, vem apresentando problemas há pelo menos um mês, ocasionando a série de adiamentos.
Em denúncia, o paciente Carlos Henrique (nome fictício), afirma que já aconteceu de o hospital anunciar o retorno da máquina e, 40 minutos depois, avisar que ela voltou a quebrar. Ele, que mora em Cristianópolis, afirma que a última data em que conseguiu fazer uma sessão foi em 9 de setembro, mesmo que seu tratamento precise ser feito diariamente, de segunda a sexta. Quando consegue fazer a sessão, ainda tem atraso. "Passamos por atrasos frequentes de até 2 horas no cronograma, que fazem com que pacientes debilitados tenham que comparecer ao hospital às 23h ou 0h para serem atendidos de madrugada, entre 1h e 2h da manhã", conta Carlos.
O paciente descobriu um câncer na próstata em meados de 2022, e passou muitos anos fazendo tratamento na rede privada com a ajuda financeira de familiares e amigos. O câncer, que já apresentou remissão uma vez e depois voltou a se manifestar, é de grau três e para que exista eficiência no combate, é necessário que o tratamento seja feito periodicamente, da forma correta.O oncologista clínico Francisco Pereira Borges Filho explica que a demora no ciclo de sessões de radioterapia pode prejudicar no tratamento do paciente, dependendo de quanto tempo o tratamento fica parado. "A radioterapia funciona em doses cumulativas: cada sessão vai destruindo um pouco mais das células do tumor, até chegar à dose total planejada pelo médico".
E ele completa. "Durante a radioterapia, a radiação vai destruindo aos poucos as células do tumor. Mas quando o tratamento fica muito tempo parado, as células que ainda não foram destruídas podem voltar a se multiplicar. Pausas curtas, de um ou dois dias, não trazem problema. Já um atraso de várias semanas é considerado significativo e costuma levar o radioterapeuta a reavaliar o plano de tratamento".
Demanda alta
O Araújo Jorge, coordenado pela Associação de Combate ao Câncer em Goiás (ACCG), afirma em nota que todas as informações relacionadas aos aparelhos são comunicadas aos pacientes, que permanecem aguardando atendimento e que, antes de eventual dispensa, é realizada avaliação priorizando o atendimento dos pacientes que já apresentam atraso no tratamento.
A instituição atribui o atraso das sessões ao grande número de pacientes que recebe e que o tempo médio de cada sessão é de 15 minutos. Porém, tratamentos mais complexos demandam períodos maiores de utilização, o que impacta no atendimento.
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