Faixa entre 40 e 59 anos representa 60% dos candidatos em Goiás

Candidaturas no estado caem de 1,2 mil em 2022 para 888 neste ano; especialistas apontam impacto de mudanças na legislação
Por O Popular
Data: 18/08/2026
Raio-X: Histórico das candidaturas registradas em Goiás e principais dados de 2026

Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 60% dos candidatos das eleições deste ano em Goiás têm entre 40 e 59 anos. De forma geral, os homens são maioria, 62%. Além disso, 52,7% são negros. Na análise por escolaridade, a maior parte, quase 55%, tem ensino superior completo.

Depois do recorde de 1,2 mil candidaturas em 2022 , o número em Goiás despencou para 888 em 2026 - em patamar semelhante a 2010. Especialistas atribuem a mudança a alterações na legislação eleitoral e no comportamento de lideranças políticas nos partidos.

Neste ano, os eleitores irão às urnas para votar em governador, dois senadores, deputado estadual e federal. O prazo para registro de candidatura terminou no sábado (15). Os dados foram extraídos do sistema do TSE nesta segunda-feira (17).

Embora a maior parte dos candidatos seja homem, houve aumento proporcional na participação de mulheres, de 36% em 2022 para 38% neste ano. O crescimento, mesmo que tímido, é visto como resultado de regras voltadas ao fortalecimento da participação de mulheres na política. A legislação determina que as chapas proporcionais sejam formadas pelo mínimo de 30% e o máximo de 70% de candidaturas de cada sexo.

As candidaturas para deputado estadual e federal formam o maior volume na lista de registros, com 843. Ao todo, 256 disputam as 17 cadeiras de deputado federal por Goiás. São 15,06 por vaga. Outros 587 buscam um dos 41 espaços da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego); 14,32 por vaga. Em 2022, as eleições para deputado federal e estadual tiveram média de 23 e de 19,51 candidatos por vaga, respectivamente.

Para a advogada especialista em Direito Eleitoral Perla Roriz, a redução da fragmentação partidária contribuiu para a queda na quantidade de candidatos. O fim das coligações proporcionais e a cláusula de desempenho ajudaram na mudança do cenário, ao estimular a incorporação e fusão entre partidos.

De acordo com a jurista, existe ainda o impacto das federações partidárias (união de dois ou mais partidos por pelo menos quatro anos). Em 2022, três federações, envolvendo sete partidos, lançaram chapas proporcionais em Goiás. Neste ano, são cinco federações formadas por 11 partidos.

A advogada também aponta o reflexo da diminuição das vagas disponíveis nas chapas proporcionais. Até 2018, a regra era de até 150% da quantidade de cadeiras disputadas. Desde 2022, o limite é a quantidade de cadeiras disponíveis mais um. Perla Roriz é membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político e atua neste ano em campanhas de candidatos de partidos ligados à centro-direita e direita em Goiás e também em Brasília (DF).

Já a advogada eleitoralista e professora da Universidade Estadual de Goiás (UEG) Nara Bueno avalia que a queda no número de candidatos está relacionada ao recrudescimento dos líderes partidários e à distribuição de recursos. Nara Bueno afirma que o cenário sofreu impacto de partidos em que as principais lideranças tomam decisões sobre as chapas com base em estratégias relacionadas ao próprio projeto político.

O cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) Pedro Pietrafesa afirma que, além das mudanças na legislação, há perspectiva de maior número de reeleições neste ano, principalmente para a Câmara dos Deputados, o que gera desânimo em novos postulantes. "Os partidos estão concentrando a distribuição de recursos a certos candidatos que buscam a reeleição", afirmou.

Quanto ao aumento proporcional de candidaturas femininas, Perla Roriz avalia como resultado positivo da cota de gênero. A advogada afirma, no entanto, que o porcentual ainda não reflete o aumento efetivo de mulheres na política com o exercício de mandatos.

Da mesma forma, Nara Bueno diz que o aumento é um resultado importante, mas o comportamento de partidos em anos não eleitorais, com pouca iniciativa para formar lideranças femininas, demonstra que "ainda estamos engatinhando".

Ícone Mais Notícias
Esteja sempre atualizado sobre os principais acontecimentos