Casos de sarampo em São Paulo elevam alerta sobre a doença em Goiás

Mesmo sem nenhuma confirmação da doença no Estado este ano, autoridades sanitárias mostram preocupação com registros no Brasil. Luta é para elevar cobertura vacinal
Por Jornal Daqui / O Popular
Data: 17/08/2026
Criança é imunizada em Goiânia: cobertura vacinal para o sarampo no Estado ainda preocupa por estar abaixo dos 95% estabelecidos pelo SUS (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Mesmo sem nenhum caso de sarampo confirmado em Goiás neste ano, as autoridades sanitárias do Estado mostra preocupação com o recente surto da doença no Estado de São Paulo. Com 24 casos no Brasil -- 23 pessoas em São Paulo e 1 no Rio de Janeiro --, o número de infectados já ultrapassou a metade dos casos totais de 2025 (38 casos) e é quase o quíntuplo de 2024 (5 casos). Em 2023, o Brasil não registrou nenhum caso.

Uma das várias doenças virais que podem ser prevenidas com vacina, o sarampo é muito mais contagioso do que praticamente todas as outras. Mais grave do que isso: a enfermidade pode ser letal, como explicam professores e especialistas em imunologia e epidemiologia.

Com o intuito de buscar proteger a população da possibilidade de um surto da doença, Goiás aderiu a Campanha Nacional de Multivacinação 2026, do Ministério da Saúde, que começou no início deste mês e vai até 1° de setembro. Dados contabilizados até o 9 de agosto revelam cobertura de 86,19% para a primeira dose da vacina e 66,91% para a segunda, de acordo com a superintendente de Vigilância Epidemiológica e Imunização da a Secretária Estadual de Saúde (SES-GO), Cristina Laval. O valor, portanto, ainda não alcançou os 95% estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

De acordo com a secretaria, os últimos casos de sarampo em Goiás foram registrados em 2020. Mesmo assim, de acordo com o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Helioswilton Sales, em função do aumento dos casos notificados em outras regiões, o Estado precisa ficar alerta e responder prontamente em caso de necessidade. Sales é coordenador do Laboratório de Imunologia Integrativa e Saúde Translacional (List), vinculado ao Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP).

Superintendente Cristina Laval, da SES-GO, diz que mais vacina é melhor prevenção (Marco Monteiro)

Cristina Laval afirma que a SES-GO já orientou as regionais de Saúde e os municípios goianos a se prepararem, inclusive para a necessidade de bloqueio vacinal em caso de suspeita.

A Campanha Nacional de Multivacinação 2026 usa a vacina tríplice viral, que, além do sarampo, também protege contra caxumba e rubéola e foca nas crianças e nos adolescentes de até 14 anos, 11 meses e 29 dias. Apesar disso, a superintendente Cristina Laval ressalta que qualquer pessoa que esteja com cartão vacinal atrasado com relação às vacinas oferecidas pelo SUS pode aproveitar o momento e também se vacinar.

Para reforçar a campanha, a SES-GO também prepara o Dia D de Mobilização Nacional, definido pelo Ministério da Saúde, como movimento para aumentar a procura pela vacinação. Esse momento está marcado para 22 de agosto. "A vacina é a forma mais segura e eficaz de proteger nossas crianças e nossos adolescentes contra o sarampo. Reforçar a segunda dose da tríplice viral é essencial, pois é ela que garante a imunidade e mantém o estado livre da circulação do vírus", completa a superintendente.

Em Goiânia, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirmou, por meio de nota, que não se apresenta, até neste momento, algum risco de surto de sarampo. A pasta ressalta que, em caso de necessidade, está preparada para identificar, notificar e acompanhar casos suspeitos da doença, adotando medidas de vigilância epidemiológica para evitar a transmissão.

A SMS também destaca que os estoques de vacinas contra o sarampo permanecem regulares e que a imunização em Goiânia é realizada conforme o calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, com as vacinas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Vírus pode deixar sequelas graves e até matar

Como explica o professor Helioswilton Sales, do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP) da UFG, o vírus do sarampo é transmitido de pessoa a pessoa, por meio de gotículas provenientes da tosse, espirro ou respiração, afetando principalmente crianças. Ele pontua que os principais sintomas incluem febre alta, pequenas manchas brancas na parte interna da boca, tosse, coriza e conjuntivite. Em seguida, aparecem erupções na pele, começando no rosto e no pescoço que vão se espalhando por todo o corpo. "De forma geral, os sintomas aparecem em até 12 dias após o início da infecção.", diz o professor.As consequências da doença podem ser muito graves, podendo causar cegueira, levar à perda total ou parcial da audição e causar diarreia, além de oferecer riscos importantes para as gestantes. "É importante dizer que o paciente pode ter manifestações gravíssimas comprometendo ou afetando drasticamente funções fundamentais como a visão, a audição, o cérebro e o trato gastrointestinal", diz o professor, que também explica que não existe tratamento específico para a doença e que as pessoas infectadas tendem a se recuperar no período entre duas e três semanas.

Sales explica que a melhor forma de lidar com o sarampo é a prevenção pela vacinação. Para ele, esse tipo de cuidado não é um exagero quando se fala de uma doença que pode ter desfechos graves, incluindo morte -- assim como tantas outras que podem ser transmitidas por vírus ou outros microrganismos, e que também podem ser evitadas por meio da vacinação. "É fundamental que o cartão de vacinação esteja em dia, de adultos e crianças, evitando assim, a ocorrência não somente do sarampo como de outras doenças preveníveis", complementa o professor.

"Quando falamos em vacinação e cobertura vacinal, com frequência ouvimos o termo 'imunidade de rebanho'. De forma resumida, trata-se de uma forma de descrever como está a cobertura vacinal na população. O ideal, é que essa cobertura seja sempre alta: quanto mais pessoas vacinadas na população, menores as chances de um microrganismo causador de uma doença, como o vírus causador do sarampo, circularem", afirma o professor.

Diante de uma tendência cada vez maior de pessoas resistentes à vacina no país e no mundo, o professor explica que não há outro caminho seguro para prevenção de certas doenças. "O Brasil é referência mundial quanto ao número de doenças atendidas e a disponibilidade ampla e gratuita de vacinas. Nos dias de hoje, a comunicação em tempo real, aliada à 'necessidade' de compartilhar informações em tempo real (sem verificação de veracidade), têm prejudicado amplamente essa estratégia segura e de grande eficácia.

"Portanto, o entendimento da importância das vacinas para preservar vidas e evitar que tenhamos formas graves das doenças, ainda é a melhor forma de incentivo. Historicamente, desde o início da vacinação no ocidente, ainda no final do século 18, não existe instrumento mais seguro e eficaz para proteger a nós e aqueles que amamos", conclui o professor.

A superintendente Cristina Laval ressalta que a maior medida de prevenção contra a doença é garantir a vacinação do público alvo, principalmente a segunda dose, possibilitando uma proteção efetiva. "Uma cobertura baixa significa cria espaço para o vírus circular, caso seja introduzido, já que existe apenas uma parcela da população parcialmente protegida", afirma a profissional da SES-GO.

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