Estilo de vida pode impactar saúde reprodutiva e dificultar a gravidez
Ter dificuldade para engravidar é uma realidade mais comum do que se imagina. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), problemas relacionados à fertilidade atingem cerca de 17,5% da população adulta, aproximadamente uma em cada seis pessoas no mundo.
Quando o assunto é saúde reprodutiva, um aspecto importante a ser considerado é o estilo de vida, pois ele tem impacto importante sobre a qualidade das células reprodutivas tanto femininas, os óvulos, quanto masculinas, os espermatozoides.
Apesar de não serem os únicos responsáveis pela infertilidade, fatores como tabagismo, privação de sono, estresse crônico, obesidade e consumo excessivo de ultraprocessados podem reduzir as chances de gravidez. Por outro lado, hábitos saudáveis ajudam a reduzir a inflamação do organismo, melhorar níveis de hormônios e diminuir os danos oxidativos às células que acontecem naturalmente ao longo do tempo", explica Marília Bonow, especialista em reprodução humana.
O cuidado com a fertilidade envolve a prática de hábitos saudáveis durante toda a vida, e não apenas quando há a decisão de ter filhos. "Maus hábitos podem acelerar esse desgaste", alerta. Veja como preservar a saúde reprodutiva.
CINCO HÁBITOS SAUDÁVEIS QUE PODEM BENEFICIAR A FERTILIDADE
1) Manter uma boa rotina de sono
Dormir bem ajuda na produção adequada de melatonina, hormônio responsável por regular o sono que tem ação antioxidante, o que ajuda na proteção das células reprodutivas. A privação de sono por períodos prolongados, por sua vez, pode desregular hormônios importantes para a fertilidade, como estrogênio e progesterona, ligados à ovulação feminina, e testosterona, relacionada à produção de espermatozoides nos homens.
2) Evitar cigarro e excesso de álcool
O tabagismo e o consumo de álcool em demasia aumentam o estresse oxidativo - desequilíbrio causado pelo excesso de moléculas que danificam células e DNA, o que pode provocar alterações nos óvulos e nos espermatozoides, além de acelerar a perda da reserva ovariana. O abuso de álcool pelas mulheres pode prejudicar a ovulação e, pelos homens, reduzir os níveis de testosterona e afetar a produção e a mobilidade dos espermatozoides.
3) Reduzir o estresse
Quando o corpo permanece por muito tempo em estado de alerta, há aumento na liberação de cortisol, hormônio relacionado ao estresse que pode provocar alterações no ciclo menstrual e na ovulação em mulheres. Nos homens, o estresse prolongado pode impactar a produção de testosterona e prejudicar a qualidade dos espermatozoides. Além disso, situações contínuas de tensão comprometem o sono e favorecem hábitos alimentares inadequados, consumo de álcool e tabagismo, fatores que também influenciam a saúde reprodutiva.
4) Priorizar alimentação natural
Uma dieta rica em vegetais, frutas, fibras, grãos integrais e gorduras boas ajuda a diminuir a inflamação sistêmica e favorece o funcionamento metabólico e hormonal. Já o consumo elevado de ultraprocessados pode afetar os espermatozoides e, até mesmo, a qualidade do embrião, diminuindo as chances de evolução saudável da gestação.
5) Manter peso saudável e praticar atividade física
Nas mulheres, a obesidade está associada a irregularidades menstruais, dificuldade de ovulação e maior risco de condições como síndrome dos ovários policísticos (SOP). Nos homens, também pode impactar a produção hormonal e prejudicar a qualidade dos espermatozoides. Além disso, o excesso de peso favorece processos inflamatórios no organismo, que podem comprometer a saúde reprodutiva. A prática regular de exercícios físicos e a perda de peso, quando necessária, ajudam a melhorar o funcionamento hormonal, metabólico e reprodutivo, aumentando as chances de gravidez natural e até mesmo de melhores resultados em tratamentos de fertilidade.
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