Evangélicos fazem ofensiva por vice na chapa governista
Na reta final do prazo das convenções partidárias, os grupos dos nomes cotados para a vaga de vice na chapa do governador Daniel Vilela (MDB) se mobilizam em articulação para ganhar o espaço na disputa majoritária. As informações de bastidores no governo são de que o principal movimento foi do segmento evangélico, em ofensiva em favor do ex-senador Luiz do Carmo para a vaga.
No início desta semana, Daniel estendeu a permanência em São Paulo - para onde viajou no domingo (26) para participar da convenção do PSD que oficializou a candidatura do ex-governador Ronaldo Caiado à Presidência da República - para conversar com o antecessor sobre a vice. Sob alegação de que vão aguardar a consolidação do cenário de candidaturas da oposição, eles acertaram uma nova conversa no próximo fim de semana. Ambos vêm repetindo que a decisão ficará para a véspera da convenção, marcada para o dia 5 de agosto.
Todos os nomes cotados para a vice são do PSD. Além de Luiz do Carmo, que é o favorito de Daniel, estão no páreo o ex-deputado federal e presidente licenciado da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg) José Mário Schreiner e o ex-secretário-geral de Governo Adriano da Rocha Lima. Em meio à tentativa de consenso, há quem aposte na base que ainda pode surgir um novo nome.
A pressão do segmento evangélico se intensificou em evento em São Luís de Montes Belos (Região Oeste de Goiás), no dia 18 de julho, com a presença de Caiado e Daniel. Eles participaram de Assembleia Geral Extraordinária da Convenção Estadual dos Ministros Evangélicos das Assembleias de Deus em Goiás, quando houve transmissão de um vídeo em que o bispo Samuel Ferreira defendeu o espaço na chapa para Luiz do Carmo.
Presidente executivo da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil Ministério Madureira, Samuel é o bispo que apareceu em vídeo no evento do PSD em que Caiado foi anunciado pré-candidato do partido à Presidência, em 30 de março, quando manifestou apoio ao pessedista.
Reciprocidade
Segundo lideranças presentes no evento em São Luis, Samuel ressaltou que esteve com Caiado em todas as disputas e que foi o primeiro a anunciar apoio para a eleição deste ano. E completou com cobrança de reciprocidade e relação "de mão dupla", manifestando interesse do grupo em compor a chapa de Daniel . Teria finalizado afirmando que a recusa deixaria o segmento "triste".
Além do apoio público de março, a igreja tem ajudado Caiado em estrutura e apoio na pré-campanha. Samuel também afirmou que onde quer que ele chegue no País é recebido por um pastor do grupo.
No evento em São Luís, o próprio Luiz do Carmo, que é irmão do bispo Oídes do Carmo - presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos AD Madureira em Goiás - também circulou gravando vídeos com pastores declarando apoio a seu nome. Segundo ele, são mais de 150 peças com lideranças evangélicas.
Luiz do Carmo minimiza os últimos movimentos de seus aliados e diz que representa mais do que o segmento evangélico - destacando sua trajetória política e seu trabalho como empresário da mineração e no agro. De outro lado, afirma que a igreja costuma se unir em torno de candidaturas majoritárias se tiver "um irmão na chapa".
Daniel dá sinais a favor de Luiz do Carmo por considerar relevante o apoio do segmento evangélico - que tem forte ligação com o bolsonarismo, que lançou a pré-candidatura do senador Wilder Morais (PL) em Goiás - e por considerá-lo fiel aos aliados. O ex-senador foi vice-presidente do diretório estadual do MDB quando Daniel estava no comando.
Ele também considera que o fato de Luiz do Carmo ter assumido o Senado por quatro anos e não ter disputado a reeleição é a comprovação de fidelidade ao grupo. O ex-emedebista ganhou o mandato como suplente, depois da vitória de Caiado ao governo de Goiás, em 2018.
No grupo mais próximo do ex-governador, as apostas são de que Caiado mantém a preferência por Adriano da Rocha Lima, ainda mais por confiar em grande probabilidade de vitória de Daniel no primeiro turno. Adriano é primo do ex-governador, foi seu braço direito na gestão do governo e atua como coordenador da pré-campanha do pessedista ao Planalto.
A preferência pelo ex-secretário tem relação com o interesse em comandar o processo eleitoral de 2030. Com perfil técnico e pela lealdade ao grupo, ele estaria à frente do governo - se Daniel for reeleito e deixar o governo para disputar outro cargo em abril de 2030 - em sintonia com os interesses da família Caiado.
Já o grupo do governador defende um nome que agregue votos e aponta riscos de acusações de "panelinha" se Adriano compuser a chapa. Isso porque a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (UB) disputa vaga ao Senado, aparecendo como favorita nas pesquisas atuais. Daniel também teve uma série de divergências com o ex-SGG em questões administrativas e prioridades da gestão.
Schreiner também segue mobilizando lideranças do agro e entidades empresariais, além de apoios políticos, a seu favor. Como mostrou o POPULAR no dia 20, apoiadores do ex-deputado levaram bandeiras, adesivos e camisetas no último encontro da base governista, em Trindade (Região Metropolitana de Goiânia).
Mais Notícias
Esteja sempre atualizado sobre os principais acontecimentos
Dia de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas expõe avanço da exploração humana
Dados da Defensoria Pública da União, da Polícia Federal e do Ministério da Justiça mostram aumento das notificações e das investigações sobre tráfico de pessoas Saiba mais
Detran divulga lista de motoristas que estão com processo para suspensão da CNH; veja lista
Notificação atinge condutores que estouraram limite de pontuação ou cometeram infrações gravíssimas Saiba mais