Evangélicos fazem ofensiva por vice na chapa governista

Na reta final para as convenções, movimento do segmento reforça articulação em favor de Luiz do Carmo; Daniel Vilela e Caiado fazem novo diálogo sobre o tema no fim de semana
Por O Popular
Data: 30/07/2026
Luiz do Carmo: fidelidade e ampla atuação de lideranças evangélicas (Pedro França/Agência Senado)

Na reta final do prazo das convenções partidárias, os grupos dos nomes cotados para a vaga de vice na chapa do governador Daniel Vilela (MDB) se mobilizam em articulação para ganhar o espaço na disputa majoritária. As informações de bastidores no governo são de que o principal movimento foi do segmento evangélico, em ofensiva em favor do ex-senador Luiz do Carmo para a vaga.

No início desta semana, Daniel estendeu a permanência em São Paulo - para onde viajou no domingo (26) para participar da convenção do PSD que oficializou a candidatura do ex-governador Ronaldo Caiado à Presidência da República - para conversar com o antecessor sobre a vice. Sob alegação de que vão aguardar a consolidação do cenário de candidaturas da oposição, eles acertaram uma nova conversa no próximo fim de semana. Ambos vêm repetindo que a decisão ficará para a véspera da convenção, marcada para o dia 5 de agosto.

Todos os nomes cotados para a vice são do PSD. Além de Luiz do Carmo, que é o favorito de Daniel, estão no páreo o ex-deputado federal e presidente licenciado da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg) José Mário Schreiner e o ex-secretário-geral de Governo Adriano da Rocha Lima. Em meio à tentativa de consenso, há quem aposte na base que ainda pode surgir um novo nome.

A pressão do segmento evangélico se intensificou em evento em São Luís de Montes Belos (Região Oeste de Goiás), no dia 18 de julho, com a presença de Caiado e Daniel. Eles participaram de Assembleia Geral Extraordinária da Convenção Estadual dos Ministros Evangélicos das Assembleias de Deus em Goiás, quando houve transmissão de um vídeo em que o bispo Samuel Ferreira defendeu o espaço na chapa para Luiz do Carmo.

Presidente executivo da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil Ministério Madureira, Samuel é o bispo que apareceu em vídeo no evento do PSD em que Caiado foi anunciado pré-candidato do partido à Presidência, em 30 de março, quando manifestou apoio ao pessedista.

Reciprocidade

Segundo lideranças presentes no evento em São Luis, Samuel ressaltou que esteve com Caiado em todas as disputas e que foi o primeiro a anunciar apoio para a eleição deste ano. E completou com cobrança de reciprocidade e relação "de mão dupla", manifestando interesse do grupo em compor a chapa de Daniel . Teria finalizado afirmando que a recusa deixaria o segmento "triste".

Além do apoio público de março, a igreja tem ajudado Caiado em estrutura e apoio na pré-campanha. Samuel também afirmou que onde quer que ele chegue no País é recebido por um pastor do grupo.

No evento em São Luís, o próprio Luiz do Carmo, que é irmão do bispo Oídes do Carmo - presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos AD Madureira em Goiás - também circulou gravando vídeos com pastores declarando apoio a seu nome. Segundo ele, são mais de 150 peças com lideranças evangélicas.

Luiz do Carmo minimiza os últimos movimentos de seus aliados e diz que representa mais do que o segmento evangélico - destacando sua trajetória política e seu trabalho como empresário da mineração e no agro. De outro lado, afirma que a igreja costuma se unir em torno de candidaturas majoritárias se tiver "um irmão na chapa".

Daniel dá sinais a favor de Luiz do Carmo por considerar relevante o apoio do segmento evangélico - que tem forte ligação com o bolsonarismo, que lançou a pré-candidatura do senador Wilder Morais (PL) em Goiás - e por considerá-lo fiel aos aliados. O ex-senador foi vice-presidente do diretório estadual do MDB quando Daniel estava no comando.

Ele também considera que o fato de Luiz do Carmo ter assumido o Senado por quatro anos e não ter disputado a reeleição é a comprovação de fidelidade ao grupo. O ex-emedebista ganhou o mandato como suplente, depois da vitória de Caiado ao governo de Goiás, em 2018.

No grupo mais próximo do ex-governador, as apostas são de que Caiado mantém a preferência por Adriano da Rocha Lima, ainda mais por confiar em grande probabilidade de vitória de Daniel no primeiro turno. Adriano é primo do ex-governador, foi seu braço direito na gestão do governo e atua como coordenador da pré-campanha do pessedista ao Planalto.

A preferência pelo ex-secretário tem relação com o interesse em comandar o processo eleitoral de 2030. Com perfil técnico e pela lealdade ao grupo, ele estaria à frente do governo - se Daniel for reeleito e deixar o governo para disputar outro cargo em abril de 2030 - em sintonia com os interesses da família Caiado.

Já o grupo do governador defende um nome que agregue votos e aponta riscos de acusações de "panelinha" se Adriano compuser a chapa. Isso porque a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (UB) disputa vaga ao Senado, aparecendo como favorita nas pesquisas atuais. Daniel também teve uma série de divergências com o ex-SGG em questões administrativas e prioridades da gestão.

Schreiner também segue mobilizando lideranças do agro e entidades empresariais, além de apoios políticos, a seu favor. Como mostrou o POPULAR no dia 20, apoiadores do ex-deputado levaram bandeiras, adesivos e camisetas no último encontro da base governista, em Trindade (Região Metropolitana de Goiânia).

Ícone Mais Notícias
Esteja sempre atualizado sobre os principais acontecimentos