Goiás registra um feminicídio a cada 6,2 dias

Estado contabilizou 59 feminicídios e 214 tentativas em 2025. Os dois indicadores cresceram em relação a 2024 e atingiram os maiores patamares dos últimos cinco anos
Por Jornal Daqui
Data: 27/07/2026
Goiás só tem uma delegacia da mulher que funciona 24 horas (Diomício Gomes / O Popular)

Goiás registrou 59 casos de feminicídio em 2025, o que dá uma morte de mulher a cada 6,2 dias. O número representa aumento de 5,4% em relação aos 56 registros de 2024 e crescimento de 9,3% na comparação com os 54 feminicídios contabilizados em 2021, cinco anos antes. As tentativas de feminicídio também cresceram: passaram de 188 casos em 2024 para 214 em 2025, alta de 13,8%. No ano passado, Goiás registrou praticamente uma tentativa de feminicídio a cada 1,7 dia. Na comparação com 2021, quando foram contabilizadas 144 tentativas, o aumento foi de 48,6%.

Os dados são do Anuário Brasileiro da Segurança Pública de 2026, divulgado na quinta-feira (23). No mesmo dia, um levantamento do Monitor Nacional da Violência contra a Mulher, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo Ministério das Mulheres (MMulheres), com base nas informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp VDE), mostrou que a tendência em 2026 é de agravamento do cenário de feminicídio em Goiás. Segundo as informações, na comparação entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026, os casos de feminicídio no Estado passaram de 22 para 47, um aumento de 113,6%. Na contratação, o Brasil teve uma redução de 2,5% nos registros no mesmo período.

Outros crimes

Outros crimes contra mulheres também registraram pequenos aumentos entre 2024 e 2025: os casos de ameaça passaram de 32.262 para 32.755, alta de 1,5%; os registros de perseguição (stalking) subiram de 4.136 para 4.334, aumento de 4,8%; e os casos de violência psicológica cresceram de 3.136 para 3.184, elevação de 1,5%. Na contramão dessa tendência, a lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica foi o único com redução, passando de 4.758 para 4.213 casos, queda de 11,5%. O Estado segue uma tendência nacional, já que os feminicídios no Brasil cresceram de 1.504 para 1.571 (4,5%).

Conforme o Anuário, a maioria das mulheres vítimas de feminicídio no Brasil são negras e jovens. No ano passado, companheiros e ex-companheiros corresponderam a 79,8% dos autores identificados. As armas brancas, o que inclui facas e outros objetos perfurocortantes, foram responsáveis por 50,8% dos casos e o ambiente doméstico concentrou 62,5% dos casos.

mudança

Na avaliação de Yordanna Lara Rego, historiadora e antropóloga, o Brasil passou por um momento de avanços em questões sociais, políticas, culturais e econômicas que desencadeou uma resistência conservadora, violenta e preconceituosa. "Formar um aparato institucional que seja competente e não produza revitimização e informação quanto às possibilidades de apoio e acolhida institucionais já é um passo importante (...) Esse perfil (das mulheres vítimas de violência) segue nos sacudindo diante do racismo e sexismo embrenhado na história e cultura do nosso País", comenta.

Para a pesquisadora, o caminho para a mudança passa por um processo de educação, formação e informação que construa uma sociedade capaz de um olhar crítico para a própria história e responsabilidade.

Em nota, a Secretaria de Estado de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) informou que mantém atuação contínua no enfrentamento à violência contra mulheres com ações integradas de prevenção, inteligência, investigação e repressão qualificada, sendo que o trabalho é orientado pelo monitoramento permanente dos indicadores criminais, permitindo o direcionamento de recursos e o planejamento de operações voltadas aos cenários de maior vulnerabilidade.

Já a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds) explicou que entre as principais iniciativas da pasta na área está o programa Goiás Por Elas, iniciativa que oferece auxílio financeiro para mulheres em situação de violência doméstica e que já beneficiou 10.215 pessoas de 2023 até o primeiro semestre de 2026.

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