Valor de dívidas sobe 18,4% em Goiás em junho

Montante vai a R$ 19,5 bilhões no mês e cresce na comparação com 2025; cartão de crédito é a modalidade mais usada, até para as despesas do dia a dia, e agrava endividamento, mostra Serasa
Por O Popular
Data: 21/07/2026
Pesquisa do Serasa mostra endividamento em Goiás (Arte O Popular)

O endividamento continua sendo um problema crescente entre os brasileiros, inclusive em Goiás. No último mês de junho, os goianos inadimplentes deviam quase R$ 19,5 bilhões , uma alta de 18,4% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Serasa Experiance.

A empresa de análise lançou nesta segunda-feira (20) o Mapa de Crédito, que mostra que o cartão de crédito é a modalidade mais utilizada pelos brasileiros para contas diversas, o que tem contribuído para o aumento do descontrole e da inadimplência.

Entre os usuários de cartão, 30% recorrem ao crédito para cobrir despesas do dia a dia. A principal razão para a preferência pelo cartão, de acordo com o Mapa do Crédito, é a possibilidade de parcelar compras de acordo com o orçamento (41%), seguida pela facilidade de acesso (37%) e pelo limite pré-aprovado (30%). Já o empréstimo pessoal e o crédito consignado são utilizados, principalmente, para reorganizar as finanças, pagar dívidas e contas em atraso.

Em Goiás, são 2.702.395 pessoas inadimplentes, que acumulam 10.463.713 dívidas. Desse total, 28% das dívidas estão concentradas em bancos e cartões de crédito. Como o cartão de crédito é a modalidade mais utilizada e é frequentemente usado para cobrir despesas do dia a dia, ele tende a ter participação relevante entre as dívidas em atraso. Os dados indicam que o uso recorrente do crédito para complementar o orçamento pode contribuir para o volume de débitos com bancos e cartões.

Rafaela Alves, especialista da Serasa, conta que o Mapa de Crédito é um levantamento feito com brasileiros para entender os tipos de crédito mais utilizados e as consequências em suas vidas financeiras, cujos dados foram cruzados com informações de inadimplência. Ela lembra que o cartão é o principal instrumento de acesso ao crédito, com 63% dos brasileiros usando no último ano.

O levantamento revelou que os consumidores usam o crédito consignado e empréstimos para trocar uma dívida mais cara por outra mais barata, ou seja, com juros mais baixos. Já o cartão de crédito é mais usado para despesas do dia a dia, como supermercado, gás, transportes e para algumas compras específicas e despesas emergenciais de saúde.

Rafaela Alves lembra que a Serasa também é uma plataforma de educação financeira, que auxilia o brasileiro a ter mais controle sobre suas finanças pessoais. "Sempre fazemos esses levantamentos para difundir a educação financeira. O principal problema é o uso do cartão sem nenhum controle, quando a pessoa o considera como um extensor de sua renda", adverte a especialista.

Parcelamento

Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise, revelou que cerca de 60,1 milhões de consumidores residentes nas capitais possuíam compras parceladas em dezembro de 2025. Isso significa que 37% dos consumidores tinham, em média, quatro prestações em aberto. A especialista da Serasa alerta que, antes de fazer novas parcelas, o consumidor precisa conferir se elas cabem no orçamento. "Pequenas parcelas se acumulam e podem se tornar uma dívida alta. Além disso, muita gente tem diversos cartões, o que dificulta mais o controle das finanças", destaca.

A Serasa também conta com uma plataforma com 40 instituições parceiras, onde a pessoa pode acessar ofertas de crédito disponíveis de acordo com seu perfil. "A vantagem é que Serasa tem dados de consumidores, um bureau de crédito, por isso a oferta é mais certeira e a pessoa consegue visualizar e comparar as ofertas de várias empresas, ao invés de acessar cada uma", explica.

O Mapa do Crédito será feito a cada seis meses para acompanhar o uso do crédito pela população.

O planejador financeiro pessoal Maurício Vono lembra que o cartão foi feito para cobrir despesas do dia a dia também. Para ele, o cartão contribui para endividamento quando vira um dinheiro que a pessoa não tem. "Ele até ajuda na organização porque você concentra contas num único dia e pode juntar milhas, que viram dinheiro", ressalta.

O problema, segundo Vono, é que muita gente gasta mais do que pode. "É uma excelente ferramenta, mas, se mal utilizada, vira um problema. Se acaba meu salário e passo a usar, pode ser um problema", alerta. Por isso, a melhor forma é estabelecer um limite de uso. O banco estabelece um limite de crédito estudado pela instituição, mas a pessoa precisa considerar o seu limite de gastos mensais, ou seja, aquele que sua renda comporta.

"Se ganho R$ 5 mil e meus compromissos no orçamento somam R$ 3 mil, não posso gastar mais que R$ 2 mil no cartão, caso contrário, terei problemas. Só posso gastar o que terei na minha renda para pagar a fatura no mês seguinte. O grande vilão é quem usa, e não o cartão. Ele pode ser apenas uma arma para o crime nas mãos erradas", alerta o planejador.

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