Caiado acusa polarização e adversários por tarifaço

Pré-candidato pelo PSD disse que Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pensaram apenas no processo eleitoral nas ações relacionadas às novas taxas anunciadas pelos EUA
Por O Popular
Data: 17/07/2026
Ronaldo Caiado (PSD) participou da segunda edição do evento "Brasil do Futuro". (Gustavo Mansur / PSD / CP)

O ex-governador de Goiás e pré-candidato a presidente da República, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou, nesta quinta-feira (16), que seus adversários Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pensaram "apenas no processo eleitoral" em suas ações relacionadas ao novo tarifaço dos Estados Unidos contra mercadorias brasileiras.

Caiado disse que Lula quer "surfar" no assunto, ao tratar sobre a soberania nacional. Sem citar diretamente o nome de Flávio, o ex-governador disse que "o outro teve a infelicidade de dizer que ela (a taxação) deveria ser prorrogada para depois das eleições". "Ninguém pensou no Brasil, pensou apenas no processo eleitoral", disse Caiado. As declarações foram feitas em coletiva durante agenda em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.

O ex-governador classificou o cenário como "uma campanha eleitoral feita de forma provocativa, não pensando no País, mas pensando exatamente na eleição de cada um deles".

Nas redes sociais, Caiado falou diretamente sobre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Flávio foi aos EUA implorar a Trump que adie o tarifaço até depois da eleição. Não pediu para cancelar, pediu para adiar. Para ele, o agro pode quebrar, desde que depois do voto", afirmou. Quanto a Lula, Caiado disse que o atual presidente "não tem capacidade para dialogar". "A polarização está saindo muito cara para as famílias e para o País!", escreveu o ex-governador.

A 7ª rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta semana, mostrou mais uma vez a força da polarização entre Lula e Flávio, que têm, respectivamente, 40% e 28% das intenções de voto no primeiro turno. Caiado aparece em seguida com 4%, tecnicamente empatado com o empresário Renan Santos (Missão), que tem 3%, e com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que foi citado por 2%. A margem de erro é de dois pontos porcentuais.

Caiado adota a estratégia de fazer críticas contra Lula e Flávio, em plano que deve continuar em prática durante a campanha. No caso de Lula, o ex-governador tem histórico de embate e oposição às gestões petistas. Em relação a Flávio, a ideia é apontar a falta de experiência do senador e ressaltar envolvimento em escândalos, como o caso Master. No entanto, quanto a Flávio, é esperado que Caiado adote um tom menor nas críticas , diante do seu interesse em atrair o apoio de eleitores e lideranças bolsonaristas.

A aposta de Caiado é que o seu projeto ganhará corpo durante a campanha, quando a população terá maior interesse pela eleição e por acompanhar ações dos candidatos, como os debates. O POPULAR mostrou, com base na Genial/Quaest, que o pessedista está estacionado nas intenções de voto no primeiro turno desde fevereiro.

Impacto político

O tarifaço dos EUA foi divulgado na noite de quarta-feira (15) e a medida deve ser aplicada a partir de 22 de julho. As indústrias de calçados, máquinas e etanol devem ser as mais afetadas. O presidente Donald Trump acatou recomendação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR). A decisão foi tomada com base em investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA (permite que o país imponha tarifas a entes que violarem algum acordo comercial), que foi iniciada em julho do ano passado. Entre os principais tópicos da apuração estavam o Pix e o mercado de etanol.

Diante da notícia, o governo federal publicou nota com críticas à decisão dos Estados Unidos e destacou que atuou nas negociações. O governo também atribuiu o desfecho das investigações a "enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro". O plano do PT é intensificar a associação de Flávio às tarifas, inclusive usando o termo "tariflávio".

Já Flávio culpou Lula pelo novo tarifaço. Nas redes sociais, o senador compartilhou uma publicação em que o secretário de Estado do governo Trump, Marco Rubio, afirma que Lula colocou o próprio ego à frente das negociações. Flávio sofre desgastes relacionados ao tema porque esteve nos Estados Unidos na semana passada para participar de audiência pública sobre as tarifas, quando afirmou que as novas tarifas em meio ao período eleitoral iriam beneficiar Lula.

Primeiro, Flávio defendeu adiar a decisão sobre as tarifas para depois da eleição. Em seguida, se posicionou contra a medida. O senador busca proximidade com o governo americano com foco em ganhos eleitorais. A investigação que levou a este tarifaço começou em julho de 2025 como uma das medidas anunciadas por Trump em reação ao que ele classificou como "caça às bruxas" contra o ex-presidente Bolsonaro.

Solução

Questionado durante a coletiva em Passo Fundo sobre o caminho para a solução do problema provocado pelo tarifaço, Caiado afirmou que é necessário "resgatar a diplomacia brasileira". Caiado disse que os diplomatas brasileiros "não podem fazer parte de um partido político e de uma ideologia".

O ex-governador afirmou que, se for eleito, a categoria terá espaço para promover entendimentos preparatórios para que o presidente possa participar de acertos finais de negociações e promover bons acordos mostrando o potencial do País. Caiado citou a minérios, produção de carne e recursos hídricos como principais características competitivas do Brasil.

Caiado destacou ainda que, além do tarifaço dos EUA, há previsão de o Brasil sofrer restrições em breve da União Europeia e da China. Para o ex-governador, o País está sofrendo bloqueios "sem saber sentar à mesa de negociação com a competência e a credibilidade que o Brasil precisa ter".

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