Preço do etanol cai mais no interior que na Região Metropolitana de Goiânia

No auge da safra, recuo nas usinas tem impacto bem menor nos postos da capital, onde valor médio praticado é o maior entre capitais do Centro-Oeste
Por Jornal Daqui / O Popular
Data: 16/06/2026
Queda lenta: preços nos postos não acompanham a velocidade de queda dos valores praticados na indústria (Arte O Popular)

No auge da safra de cana de açúcar em Goiás, o preço do etanol nos postos não está caindo na mesma velocidade dos valores praticados nas usinas. Entre meados do mês de abril e a última semana, o preço nas usinas goianas recuou 20%, enquanto o valor médio praticado nos postos teve um recuo de cerca de 6%, segundo a pesquisa semana de preços divulgada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).

O preço médio nos postos de Goiânia é o maior entre as capitais do Centro-Oeste e supera o de vários municípios goianos que, historicamente, sempre praticaram valores maiores. Na última semana, a pesquisa de preços da ANP mostrou que municípios da Região Metropolitana estavam vendendo o etanol por preços maiores que em Mineiros e Rio Verde, na região Sudoeste, e até Porangatu, no Norte do estado.

No início deste mês, um levantamento da Sociedade Corretora de Álcool (SCA) mostrou que Goiás também registrou a maior paridade de preços da região no etanol em relação à gasolina, que estava equivalendo a 65,6% do preço do etanol, contra 58,7% no Mato Grosso, 63,4% no Mato Grosso do Sul e 63,7% no Distrito Federal.

Questionado sobre essa relação, o presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol em Goiás (Sifaeg) e da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), André Rocha, lembrou que o Distrito Federal sempre praticou preços maiores que em Goiás, situação que se inverteu. "Infelizmente, temos quadro ruim para o produtor, que está vendendo etanol por um preço muito baixo e precisando aumentar a demanda e a comercialização porque está em um período de grande produção", adverte.

Segundo ele, se os preços estivessem caindo na mesma velocidade das usinas, estariam mais baixos nas bombas e o consumidor seria beneficiado. "Com certeza, o motorista aumentaria o volume de abastecimento com etanol", ressalta. Além do preço mais competitivo, André Rocha lembra que este é um combustível com mais octanagem (indica a resistência do combustível à queima antecipada no motor, garantindo o bom desempenho do veículo), mais limpo, além de gerar renda e empregos no estado.

"Não estamos vendendo tanto porque os preços nos postos na Região Metropolitana não acompanham a queda nas usinas desde que a safra se iniciou", acredita. O presidente do Sifaeg e da Fieg também lembra que a paridade em relação à gasolina está 58% no Sul e no Leste do estado e em 63,7% no próprio Distrito Federal, que sempre teve preços mais altos que em Goiás.

"Esperamos que os preços competitivos das usinas cheguem ao consumidor porque essa queda não está acontecendo em Goiás como deveria. Em Brasília, por exemplo, os custos são bem maiores que em Goiânia", destaca. André Rocha alerta que essa diferença de preço pesa para o consumidor e tem um grande impacto na decisão de consumo do motorista. "Às vezes a pessoa quer encher o tanque, mas coloca só R$ 50 esperando uma maior redução do preço", diz.

Em Goiás, 30% da safra de cana de açúcar já foram processados, mas o presidente do Sifaeg adverte que o desempenho total ainda vai depender muito do El Niño, que pode influenciar na produtividade das lavouras. "Temos muitas cidades do estado que, historicamente, costumavam ter preços maiores e que, agora, estão praticando preços menores que na capital."

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no estado (Sindiposto-GO), Márcio Andrade, lembra que os preços são resultado de uma série de variáveis, como a tributação e até o período de realização das pesquisas de preço. Segundo ele, o estado do Mato Grosso, por exemplo, tem um ICMS menor que em Goiás, por isso pratica menor preço.

De acordo com Andrade, o preço maior na capital acontece em todos os combustíveis , e não apenas no etanol. "Mas, hoje temos um mercado livre e cada empresário coloca o seu preço. Uma prova disso é que a variação de valores praticados hoje é grande, até mesmo dentro da própria capital", destaca.

Nesta segunda-feira (15), o preço do etanol em Goiânia variava de R$ 3,24 a R$ 4,74, uma diferença de R$ 1,50.

Andrade também afirma que os custos são mais elevados na capital do que em muitas cidades do interior, onde há muitos postos de bandeiras branca. Além disso, algumas cidades do interior compram etanol direto da usina, o que nem sempre compensa para os postos de Goiânia, por conta do preço do frete. "Se eu tiver de comprar em Santa Helena, por exemplo, ficaria R$ 0,20 mais caro trazer para Goiânia", ressalta.

Variações

O presidente do Sindiposto lembra que Rio Verde também conta com uma base de distribuição de combustíveis, o que pode resultar em um preço mais competitivo. "O preço das companhias também pode variar em determinadas ocasiões entre os municípios. O mercado tem muitas variáveis que podem fazer os preços subirem ou descerem de uma região para outra, o que acontece com vários outros produtos", destaca. Andrade adverte que, em Brasília, por exemplo, pode estar havendo uma guerra de preços no momento da pesquisa, que influenciou nos valores. "Essas variações de preços não podem ser analisadas de forma rasa, considerando um único momento, pois o mercado é muito dinâmico e há momentos em que Goiânia tem preços mais baratos que outras regiões, como aconteceu no último mês de março", explica.

Para o presidente do Sindiposto, uma forma de reduzir os preços numa velocidade maior, dentro do período da safra, seria todas as usinas venderem diretamente para os postos, o que não acontece hoje, pois só três pequenas vendem para revendas mais próximas. "Se todas vendessem, teria uma competitividade maior entre elas e um preço mais competitivo para viabilizar o transporte", diz.

Ícone Mais Notícias
Esteja sempre atualizado sobre os principais acontecimentos