Mais de 283 mil idosos seguem no mercado de trabalho em Goiás
A participação de brasileiros com 60 anos ou mais no mercado de trabalho atingiu o maior patamar da última década. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o contingente de idosos ocupados no País passou de 5,7 milhões em 2016 para 8,7 milhões em 2025, um crescimento de 53%. O avanço supera o próprio ritmo de envelhecimento da população brasileira, que registrou aumento de 37% no mesmo período.
Em Goiás, a tendência também se intensificou. No primeiro trimestre deste ano, o Estado contabilizava mais de um milhão de pessoas com 60 anos ou mais. Desse total, 283 mil permaneciam inseridas no mercado de trabalho. Nos últimos quatro anos, o número de trabalhadores idosos em Goiás cresceu 27,5%, refletindo transformações demográficas, econômicas e sociais que têm alterado o perfil da força de trabalho.
Especialistas apontam que a ampliação da presença da população idosa no mercado está relacionada a uma combinação de fatores. Entre eles estão a necessidade de complementação de renda, o aumento da expectativa de vida, a melhoria das condições de saúde e a demanda crescente por profissionais em determinados segmentos da economia.
Embora o trabalho na terceira idade possa representar autonomia financeira, convivência social e manutenção da rotina, a permanência na atividade profissional ocorre, em muitos casos, por necessidade econômica. A reforma da Previdência de 2019 é apontada como um dos fatores que contribuíram para esse cenário ao estabelecer novas regras de transição e elevar a idade mínima para aposentadoria, ampliando o tempo de permanência dos trabalhadores no mercado.
Além disso, muitos idosos que já recebem aposentadoria continuam exercendo alguma atividade remunerada. Em diversos casos, os valores dos benefícios não são suficientes para cobrir despesas básicas, especialmente diante do aumento do custo de vida. Gastos com alimentação, medicamentos, planos de saúde e moradia figuram entre os principais fatores que levam aposentados a permanecerem economicamente ativos.
“O custo de vida é muito alto. Quem vai pagar a comida?”, relata uma trabalhadora de 67 anos que continua trabalhando mesmo após atingir a idade de aposentadoria.
Outro aspecto observado pelos pesquisadores é o crescimento da informalidade entre os trabalhadores mais velhos. Dados nacionais indicam que 53% dos idosos ocupados atuam sem vínculo formal de trabalho, percentual superior à média nacional, de 38%. A predominância de ocupações informais demonstra que parte significativa dessa população encontra dificuldades para acessar vagas formais, recorrendo ao trabalho autônomo, aos serviços temporários e às atividades de prestação de serviços para complementar a renda. Ao mesmo tempo, o aumento da expectativa de vida tem ampliado as condições para que mais pessoas permaneçam produtivas por mais tempo. Em 2024, a expectativa de vida do brasileiro alcançou 76,6 anos, a maior já registrada no País. Os avanços nas áreas de saúde, vacinação, saneamento básico e acesso a tratamentos médicos contribuíram para que a população chegasse à terceira idade com melhores condições físicas e cognitivas em comparação às gerações anteriores.
Essa realidade é observada também em Goiás. Muitos trabalhadores idosos afirmam que a atividade profissional continua desempenhando papel importante em suas vidas, não apenas pelo aspecto financeiro, mas também pela manutenção da rotina e do convívio social. Antonio Mendes, que atua como taxista, relata que prefere continuar trabalhando. “Não consigo ficar em casa parado. Chega a me dar fraqueza”, afirma. O cenário econômico do Estado também tem favorecido a contratação de profissionais mais experientes.
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