Novos mercados internacionais podem ampliar exportações e fortalecer agronegócio de Goiás

Abertura de 13 novos mercados para produtos agropecuários brasileiros cria oportunidades para cadeias estratégicas do Estado, como genética bovina, couro, ovos férteis, grãos e carnes
Por O Hoje
Data: 15/06/2026
Foto: Setor aposta que novas habilitações comerciais podem estimular investimentos, ampliar a geração de empregos e diversificar os destinos das exportações goianas. Foto: Tânia Rego/ABr

A abertura de 13 novos mercados internacionais para produtos agropecuários brasileiros pode representar uma nova janela de oportunidades para o agronegócio goiano. O anúncio foi feito pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) após a conclusão de negociações sanitárias e fitossanitárias com países da América do Sul, América Central, África e com a União Econômica Euroasiática. Com a medida, o Brasil alcança a marca de 639 aberturas de mercado em 97 destinos desde o início de 2023.

Embora os novos acordos contemplem produtos específicos, como milho pipoca, material genético bovino, ovos férteis, couro bovino, castanha de caju e derivados de origem animal, representantes do setor avaliam que os reflexos podem ir além dos itens diretamente negociados. A expectativa é de fortalecimento das relações comerciais, ampliação das exportações e aumento da competitividade do agro nacional.

Para Goiás, um dos principais polos agropecuários do País, a medida surge em um momento de expansão das exportações e de consolidação do Estado como referência em produção de grãos, proteínas animais e genética bovina.

Oportunidades para produtos goianos 

Segundo o presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás (AEAGO), Fernando Barnabé, alguns dos mercados recém-abertos apresentam potencial especial para os produtores goianos. Entre eles estão El Salvador e Honduras, que passaram a autorizar a importação de material genético bovino brasileiro.

“O Estado é referência nacional nesse segmento. Também é importante destacar a Nigéria, com a abertura para ovos férteis, e a União Econômica Euroasiática, que embora nesta negociação tenha autorizado a importação da castanha de caju, é um bloco que já importa volumes expressivos de produtos do agronegócio brasileiro, como soja, carnes e café. Essas negociações fortalecem o relacionamento comercial e podem abrir caminho para novos produtos no futuro”, afirma.

Barnabé explica que Goiás já possui relações comerciais com parte dos países contemplados pelos novos acordos, principalmente por meio das exportações de carnes e grãos. A diferença agora é a ampliação do portfólio de produtos autorizados a ingressar nesses mercados.

“O que muda agora é que novos itens passam a ter autorização sanitária para serem comercializados. Isso amplia as possibilidades para empresas que já exportam e também cria oportunidades para novos negócios, diversificando a pauta exportadora do Estado”, destaca.

Mercados promissores e diversificação 

O gerente técnico e econômico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Edson Novaes, avalia que o Estado reúne condições para atender praticamente todos os novos mercados abertos pelo governo federal. Entre os destaques, ele cita o couro bovino salgado destinado à Bolívia, as gorduras animais e farinhas para a Etiópia e os ovos férteis para a Nigéria.

Segundo Novaes, a Nigéria já figura entre os importantes parceiros comerciais de Goiás. Apenas em 2025, o país africano importou cerca de US$ 58 milhões em produtos goianos, entre açúcar, milho, couros, sementes de forrageiras e farinhas.

Outro mercado apontado como promissor é o da União Econômica Euroasiática, formada por Rússia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Armênia. O bloco já importa carne bovina e produtos do complexo soja provenientes de Goiás, o que pode facilitar a entrada de novos itens exportados pelo Estado.

Impactos na produção e no emprego 

Além da ampliação dos negócios internacionais, representantes do setor acreditam que a abertura de mercados pode gerar impactos positivos dentro da porteira. A expectativa é de aumento gradual da demanda, estímulo a investimentos e geração de empregos ao longo de toda a cadeia produtiva.

“A partir do momento que Goiás adentrar nesses novos mercados, terá que produzir mais, gerando novos investimentos não somente em plantio e produção, mas também na logística de transporte, armazenamento e na cadeia de frios, gerando mais empregos e renda no campo, nas indústrias, no transporte e no comércio”, afirma Edson Novaes.

Fernando Barnabé reforça que a diversificação dos compradores internacionais reduz a dependência de poucos mercados e torna o setor mais resiliente diante de oscilações econômicas e comerciais.

“A abertura de mercados amplia a demanda potencial pelos produtos brasileiros e cria um ambiente mais favorável para investimentos. À medida que as exportações aumentam, há reflexos positivos na produção, na geração de renda e na criação de empregos em toda a cadeia do agronegócio”, afirma.

Sanidade como diferencial competitivo 

A capacidade de aproveitar essas oportunidades, no entanto, depende diretamente da manutenção dos padrões sanitários exigidos pelos importadores. Nesse cenário, o trabalho da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) aparece como peça fundamental.

De acordo com o presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, a abertura de mercados internacionais está diretamente ligada à credibilidade sanitária construída ao longo dos anos. A agência atua em ações de educação sanitária, monitoramento de doenças, fiscalização do trânsito de animais, rastreabilidade dos rebanhos e inspeção de produtos de origem animal.

“Esse trabalho contribui decisivamente para a manutenção do status sanitário da produção agropecuária goiana compatível com as exigências internacionais”, afirma.

Caixeta destaca que Goiás possui posição de destaque em cadeias como soja, milho, carnes bovina, suína e de frango, além da genética animal. Segundo ele, o histórico sanitário consolidado do Estado funciona como um selo de confiança para compradores internacionais.

“Esse reconhecimento reduz barreiras técnicas, agiliza processos de habilitação para exportação e fortalece a imagem de Goiás como fornecedor confiável, o que tende a ampliar sua participação nas novas oportunidades comerciais abertas pelo governo federal”, conclui.

Apesar do potencial, especialistas lembram que os resultados não costumam ser imediatos. A consolidação dos novos mercados depende da construção de relações comerciais, da competitividade dos produtos brasileiros e da capacidade de atender às exigências específicas de cada país. Ainda assim, a avaliação do setor é que a medida representa mais um passo para ampliar a presença do agronegócio goiano no cenário internacional.

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