Brasil bate recorde histórico de doações e transplantes de órgãos

O transplante de rim segue liderando no País
Por O Hoje
Data: 12/05/2026
Houve crescimento de 8,1% nos transplantes renais

O Brasil registrou em 2025 o maior número de doações e transplantes de órgãos da história, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) na última quarta-feira (6). O levantamento do Registro Brasileiro de Transplantes aponta que 4.335 pessoas receberam ao menos um órgão no período, índice equivalente a 20,3 transplantes por milhão de habitantes. Entre os procedimentos realizados, o transplante de rim segue liderando no país. Foram 6.697 cirurgias ao longo do ano, crescimento de 5,9% em relação a 2024. O transplante de fígado também apresentou avanço, com 2.573 procedimentos e aumento de 4,8%. Em contrapartida, os transplantes de órgãos torácicos, como coração e pulmão, registraram queda.

Os dados mostram ainda que os transplantes realizados a partir de doadores falecidos continuam sendo a principal fonte de órgãos no Brasil. Nesse modelo, houve crescimento de 8,1% nos transplantes renais e de 5,7% nos hepáticos. Já as doações intervivos, quando uma pessoa saudável doa parte de um órgão, apresentaram retração, com queda de 7,2% nos transplantes de rim e de 9,6% nos de fígado. Apesar do avanço histórico, especialistas avaliam que o país ainda enfrenta desafios para ampliar a cultura de doação de órgãos. De acordo com o relatório do International Registry in Organ Donation and Transplantation (IRODaT), o Brasil ocupa atualmente a 25ª posição mundial em número de doadores efetivos, desempenho considerado abaixo do potencial populacional brasileiro.

A fila por um transplante continua sendo uma das principais demandas do sistema público de saúde. Atualmente, milhares de pacientes aguardam por um órgão compatível em todo o país, enquanto campanhas de conscientização reforçam a importância da autorização familiar para a efetivação das doações. A recusa familiar permanece como um dos maiores entraves para o avanço dos transplantes de órgãos no Brasil. Apesar do aumento no número de procedimentos realizados nos últimos anos, especialistas alertam que a falta de informação sobre a morte encefálica ainda dificulta a autorização das famílias para a doação.

Pela legislação brasileira, a retirada de órgãos só pode ser feita após a confirmação de morte encefálica e mediante autorização familiar, mesmo que o paciente tenha declarado em vida o desejo de ser doador. Segundo profissionais da área, muitos parentes ainda têm dificuldade em compreender que a morte encefálica representa a interrupção irreversível das funções cerebrais e que não existe possibilidade de recuperação, ainda que o coração continue batendo com auxílio de aparelhos. Especialistas também apontam falhas na comunicação entre equipes médicas e familiares como um fator decisivo para a negativa. Em muitos casos, o acolhimento inadequado e a falta de esclarecimento durante o processo acabam gerando insegurança no momento da decisão.

Ícone Mais Notícias
Esteja sempre atualizado sobre os principais acontecimentos