Cai número de eleitores jovens em Goiás

Grupo de 18 a 24 anos que obtém o título para votar registra queda de 30 mil pessoas
Por Jornal Daqui
Data: 11/05/2026
A estudante Letícia Lemes Lopes mostra o título recém emitido: necessidade para conseguir o novo emprego (Guilherme Alves/O Popular)

Um fenômeno vem se desencadeando no cenário eleitoral nos últimos anos: há menos engajamento da juventude com as eleições. Na quarta-feira (6) foi encerrado o período para emissão, regularização e transferência de títulos de eleitor. Com o fim do prazo, o balanço parcial divulgado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) apontou o encolhimento do eleitorado jovem no Estado.

Apesar de o tribunal ter realizado ao menos 141 mil atendimentos relacionados à emissão do primeiro título até abril de jovens de 18 a 24 anos, houve perda neste grupo de quase 30 mil eleitores desde a última eleição, em 2024. E entre os menores de 18 anos, cujo voto é facultativo, a diminuição foi de praticamente 7 mil.

Uma projeção do Instituto Lamparina e do movimento Girl Up Brasil, publicado pelo jornal Folha de S.Paulo, mostrou que, com base nos dados mensais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de 1,44 milhão e 1,6 milhão de jovens de 16 e 17 anos deveriam se cadastrar para votar até o fim do prazo da Justiça Eleitoral, o que corresponde a 27,6% da população desta faixa etária.

Com isso, a participação de adolescentes no eleitorado pode atingir pior nível desde 2014, já que em 2022, mais de 2,5 milhões de jovens dessa idade haviam solicitado a emissão de seus títulos de eleitor, abaixo dos porcentuais registrados em 2014 (33,7%), 2018 (31%) e 2022 (41,2%).

O percentual é pequeno, mas pode ser decisivo, visto que nas últimas eleições presidenciais Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Jair Bolsonaro (PL) por margem apertada de 1,8% dos votos válidos.

Neste ano, antes do esgotamento do prazo para regularização das pendências junto à Justiça Eleitoral, o TSE e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) chegaram a realizar uma mobilização nacional para incentivar adolescentes de 16 e 17 anos a emitirem o primeiro título de eleitor, com o objetivo de aumentar os índices de participação nesta faixa etária e "garantir que o jovem também seja um dos protagonistas nas decisões políticas de suas comunidades no pleito de outubro".

Chefe da Seção de Suporte ao Cadastro Eleitoral do TRE-GO, Márcio Duarte diz que o público jovem, sobretudo os menores de 18 anos, representa uma "faixa etária pequena". "Eles progridem de faixa muito rapidamente. O eleitorado jovem facultativo é praticamente todo renovado a cada eleição", afirma.
Consequências

Duarte pondera que estão entre as consequências da irregularidade de cadastro eleitoral: o impacto na obtenção ou renovação de outros documentos como RG, CPF e passaporte; restrições para tomar posse em cargo público; participação em licitações; e, ainda, a matrícula em instituições de ensino superior.

Ao longo da semana, diante do esgotamento do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral para tornar os cidadãos aptos a votar, grandes filas se formaram ao redor da Central de Atendimento ao Eleitor, no Setor Bueno, em Goiânia, especialmente por jovens - alguns entusiasmados com o primeiro voto, e outros que não tiveram reservas ao dizer que estavam ali para "cumprir uma obrigação".

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