Ação contra facções bloqueia R$ 100 milhões e prende grupo em Caldas

Polícia Civil cumpre mandados de prisão e de busca na fase 6 da Operação Destroyer. Ação tenta desestruturar a base financeira de facções criminosas investigadas no Estado
Por Jornal Daqui
Data: 14/05/2026
11 pessoas foram presas durante a ação (Divulgação / Polícia Civil)

Uma nova fase da operação Destroyer contra supostas facções criminosas bloqueou mais de R$ 100 milhões e prendeu suspeitos em Caldas Novas, no sul de Goiás, na manhã desta quarta-feira (13). Segundo a Polícia Civil de Goiás, esta é a sexta fase da ação policial, chamada de "Pirâmide Vermelha". No estado, estão sendo cumpridos 10 mandados de prisão temporária, além de sete mandados de busca e apreensão (veja vídeo acima) .

Como os nomes dos investigados não foram divulgados, O JORNAL não conseguiu contato com as defesas deles até a última atualização desta reportagem.

De acordo com a PCGO, o bloqueio milionário tem como objetivo atingir a base financeira das organizações criminosas e dificultar a movimentação de recursos, como também impedir a continuidade de atividades criminosas.

Conforme mostrou O JORNAL em várias reportagens, a operação Destroyer é um desdobramento de investigações de longo prazo que apuram crimes relacionados ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro em Goiás. Na última fase, a polícia prendeu um homem apontado como chefe regional de uma facção criminal com atuação nacional.

Chefe de facção é suspeito de movimentar quase R$ 1 milhão

Na quinta fase da operação Destroyer, a PCGO prendeu, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana de capital, um homem apontado como chefe regional do Comando Vermelho, suspeito de movimentar cerca de R$ 1 milhão em aproximadamente quatro meses.

Ao todo, nesse fase, 11 pessoas foram presas quando foram cumpridos 46 medidas judiciais, entre mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em Goiânia, Bonfinópolis, Porangatu e Jataí, além de Aparecida de Goiânia.

O delegado adjunto Bruno Silva contou que o grupo criminoso era comandado pelo líder regional, que mantinha ligação direta com chefes da organização criminosa no Rio de Janeiro.

Ele recebia ordens que repassava para aquelas pessoas que ele comandava, responsáveis por executar determinações, como as relacionadas a tribunal do crime. Eles teriam praticado o sequestro de uma pessoa para aplicar punição", declarou o delegado.

Ainda conforme a investigação, o suspeito também coordenava a lavagem de dinheiro da facção e utilizava contas bancárias de familiares como operadores financeiros.

"Ele indicava as contas para os traficantes receberem os valores do comércio de drogas ou usava essas contas para pagar as drogas que adquiria. Em vez de a conta dele ser utilizada, eram as contas desses familiares", apontou Silva.

Outro ponto identificado pela PCGO que chamou a atenção foi a exaltação da liderança criminosa por meio da produção de uma música de rap em sua homenagem. Eu um vídeo divulgado pela investigação mostra integrantes do grupo dentro de um carro. Um dos homens exibe uma arma enquanto a canção é reproduzida ao fundo, com referências a bairros de Goiânia, Aparecida de Goiânia e ao Rio de Janeiro.

Facção ameaçava ataque com granadas

Na quarta fase da operação, em Rio Verde, a PCGO identificou planos de ataques diretos contra policiais, que incluíam o uso de granadas, segundo áudios interceptados durante a apuração.

As gravações, obtidas com autorização judicial, revelam ameaças explícitas às forças de segurança. Para a polícia, isso indicava a intenção de impor o domínio territorial por meio da intimidação armada. Conforme a investigação, o grupo buscava controlar o tráfico de drogas em Rio Verde, cidade considerada estratégica por seu potencial econômico.

Eles tomavam conhecimento de traficantes que não estavam vinculados a eles, então chegavam, invadiam as casas e tentavam cooptar aqueles traficantes, obrigando-os a traficar ou comprar drogas da facção", disse o delegado Jorge Mesquita, que coordenou a operação na cidade.

Na ocasião, a operação cumpriu 61 mandados de prisão temporária e dezenas de ordens de busca e apreensão em Goiás e em outros estados, além do bloqueio de valores milionários ligados à facção. Com a apreensão de granadas com o grupo, Mesquita informou que isso comprovou a capacidade operacional da organização criminosa.

Operação identificou atuação do PCC e da ADE no sul de Goiás

A primeira fase da operação Destroyer mirou integrantes de duas facções criminosas, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a Amigos do Estado (ADE), que, conforme a polícia, atuavam, principalmente, em municípios do sul de Goiás.

A ação foi deflagrada em março deste ano e cumpriu 18 mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão, sendo que seis dos alvos já estavam presos por outros crimes e um havia sido morto antes do cumprimento da ordem judicial.

De acordo com o delegado Juliano Campestrini, a investigação teve início em 2024 e identificou lideranças do PCC em Goiás. O grupo, segundo a Polícia Civil, estava envolvido em crimes como tráfico de drogas, furtos e roubos.

"Eles cometem crimes diversos, mas participar de organização criminosa é um crime autônomo", frisou o delegado.

Os agentes estiveram em endereços de cidades como Itumbiara, Itaberaí e Porangatu, nas regiões sul, central e norte goianos, respectivamente.

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