Roberta Luchsinger pode ser a ‘pá de cal’ à reeleição de Lula

Neste segundo tempo da disputa eleitoral, Flávio Bolsonaro (PL)...
Por O Hoje
Data: 19/10/2026
Arte O HOje - Por: Wilson Silvestre

Neste segundo tempo da disputa eleitoral, Flávio Bolsonaro (PL) entrou em campo com vantagem, o que deu a falsa sensação no bolsonarismo de que bastava administrar o jogo para chegar à vitória. Só que a esquerda não sabe jogar outra coisa que não seja o tudo ou nada, pois sabe que sem Lula (PT), a perspectiva de poder nas próximas décadas é muito baixa. Vieram então as fakes news, na maior campanha do medo já vista nestas terras tropicais. Flávio caiu nas pesquisas, Lula subiu, mesmo que dentro da margem de erro.

Só que tudo mudou no último fim de semana. A direita voltou às ruas, com grandes manifestações em Vitória (ES), Salvador (BA), Goiânia (GO) e São Paulo (SP), mas mesmo com milhões nas ruas, nada se compara ao estrago causado na campanha petista pela entrevista de Roberta Luchsinger à CNN Brasil. Em uma hora de ataques, a lobista chamou Lula de senil, esclerosado e machista, reavivou as suspeitas sobre os negócios do filho e colocou o petista dentro deles, ao citar encontros de Lulinha com ministros, com o conhecimento do presidente.

Para os mais velhos, a cena foi um déjà vu de 1989, quando Fernando Collor (então PRN) levou Miriam Cordeiro, mãe de Lurian, à televisão para acusar Lula de oferecer dinheiro para abortar a gravidez e de ser racista. O depoimento pegou o petismo no momento exato em que Lula se aproximava de Collor nas pesquisas, igual agora. A diferença é que, 37 anos depois, Lula deixou de ser racista para ser esclerosado e senil, adjetivos usados por Luchsinger que terão utilidade eleitoral para Flávio, pois reforçou a mensagem junto a grande parcela do eleitorado de que o presidente está velho demais para continuar.

Só que a cereja do bolo veio ao final. Ao responsabilizar antecipadamente Lula pelo que pudesse acontecer a ela ou às filhas, Luchsinger associou o petista à imagem de uma ameaça à família, um preço alto para o eleitorado feminino, que ainda tem resistências a Flávio. A reabertura do caso Lulinha nesta reta final favorece mais o esforço bolsonarista do que milhões nas ruas, pois coloca novamente o petista na posição de se explicar a poucos dias da eleição.

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