Goiás registra alta de 15% ao chegar a 93 mil casos de dengue em 2026

Na Capital, as notificações e confirmações da doença também cresceram, enquanto o Estado teve o maior pico de infecções em março
Por O Hoje
Data: 29/07/2026
Em Goiânia, o aumento foi de 28.964 casos confirmados em 2026 contra 25.159 confirmações no ano anterior (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Os casos de dengue em Goiás cresceram 15% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Dados do Painel de Arboviroses da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) mostram que o Estado registrou 93.548 casos da doença neste ano, ante 81.487 no mesmo intervalo de 2025. O maior pico foi registrado entre os dias 2 e 8 de março, quando mais de sete mil infecções foram contabilizadas. No mesmo período do ano anterior, haviam sido registrados 4,8 mil casos.

Em Goiânia, o cenário também é de crescimento. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que em nota encaminhada ao O HOJE, que até a 28ª semana epidemiológica de 2026, foram registrados 34.564 casos notificados de dengue, dos quais 28.964 foram confirmados. Ainda segundo a pasta, 82 pacientes evoluíram para dengue grave e precisaram de internação, além de terem sido registrados 25 óbitos pela doença. No mesmo período de 2025, a Capital contabilizou 29.198 casos notificados, 25.159 confirmações e 42 mortes.

Ações de combate

Enquanto os casos avançam no Estado, a Prefeitura de Goiânia afirma manter a Operação de Enfrentamento à Dengue desde fevereiro. Até junho, segundo a SMS, foram realizadas 1.520.935 visitas domiciliares, o equivalente a 60,84% da meta prevista para o ano. A pasta também informou ter eliminado 43.057 criadouros do Aedes aegypti e realizado vistorias em imóveis fechados, nebulização e aplicação de inseticidas. 

Além das visitas às residências, a secretaria informou que realiza vistorias compulsórias em imóveis fechados ou abandonados, aplicação de inseticidas com bombas costais, nebulização com equipamento de ultra baixo volume (UBV) em áreas abertas e ações de fumacê em pontos estratégicos.

A SMS informou ainda que mantém as ações de vigilância e controle durante o período de estiagem e reforçou que o enfrentamento à dengue depende também da participação da população. Entre as orientações estão manter caixas d’água tampadas, limpar calhas, eliminar recipientes que acumulam água e descartar corretamente o lixo para reduzir a proliferação do mosquito.

Para o infectologista Marcelo Daher, os números registrados em 2025 e 2026 precisam ser analisados em conjunto com os anos anteriores. “Quando a gente olha o ano de janeiro de 2025 e 2026, a gente observa que são anos atípicos, porque 2023 e 2024 nós tivemos um número recorde de casos de dengue, não só no Estado de Goiás, mas no Brasil”, afirma ao O HOJE.

O infectologista afirma ainda que o cenário exige atenção para os próximos anos e também para outras arboviroses. “Nós temos que ter muita atenção em relação a casos não só de dengue, mas das outras arboviroses também […] porque esses casos irão acontecer, já estão acontecendo e mostra que a gente tem que combater realmente o vetor, que é o mosquito Aedes aegypti.”

Segundo o médico, a vacina contra a dengue permanece disponível na rede pública para crianças e adolescentes e, na rede privada, para pessoas de até 60 anos. 

Déficit de profissionais

Em nota encaminhada ao O HOJE, o Sindsaúde Goiás afirmou que o aumento dos casos pode estar relacionado a diversos fatores, “como as condições climáticas, as estratégias de gestão adotadas e o trabalho das secretarias municipais de saúde, além das campanhas de conscientização junto à população”.

A entidade afirma ainda que o “déficit de profissionais e a falta de valorização dos(as) trabalhadores(as) que atuam diretamente no enfrentamento às arboviroses” comprometem a cobertura das áreas, sobrecarregam as equipes e impactam a eficácia das ações de prevenção e combate.

O Sindsaúde afirma ainda que o enfrentamento da dengue passa pela contratação de profissionais em número suficiente, pela valorização permanente dos trabalhadores e pelo fortalecimento do Sistema Único de Saúde. A reportagem do O HOJE entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) mas não obteve retorno sobre o pedido de posicionamento até a última atualização.

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