Eita polarização esquisita!
Não que isso seja bom para um e ruim para outro, apenas reforça a sequência de trombadas contra a candidatura de Flávio e que, para Lula, é melhor discreto ao torrar verbas públicas na campanha e não trazer à tona seus próprios problemas - que não são poucos.
Eis uma polarização estranha, com altas taxas de rejeição, obstáculos tremendos nos principais colégios eleitorais e uma desconexão evidente: o desencanto do eleitorado deveria projetar uma terceira via forte, mas nenhuma opção chega sequer aos 5% nas pesquisas.
Lula e Flávio não podem brincar com São Paulo, Rio e Minas, mas no Rio, por exemplo, Flávio perdeu Cláudio Castro para uma vaga no Senado, pode perder a nova opção, o "amigo" Márcio Canella, e teve de engolir o presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), para o governo.
Foram duas operações da PF. Castro foi apagado da chapa pela "Sem Refino" e Canella acaba de ser preso pela "Unha e Carne", com um fuzil no carro. E agora? Flávio pode manter Canella, depois de ele próprio pedir R$ 134 milhões para Vorcaro, rachadinhas, ligações com milicianos, o vídeo de Michelle e as tarifas de Trump.
Mas jogar Canella ao mar pode não ser prudente. Ele é do União Brasil, que ameaça abandonar o barco, e é ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, com um dos maiores PIBs do Estado. Logo, "se ficar, o bicho come; se correr, o bicho pega".
Lula engrenou melhor no Rio, base do adversário, com o ex-prefeito da capital Eduardo Paes para o Governo e a ex-governadora Benedita da Silva (PT) e o deputado federal Pedro Paulo (PSD para o Senado. O risco é Washington Quaquá, confirmado nesta quinta para coordenar a campanha. É um criador de caso.
Em São Paulo, Lula e Flávio empatam, mas a rejeição de Lula é muito maior e Tarcísio de Freitas tem chance de vitória em primeiro turno contra o petista Fernando Haddad. O governador, porém, precisa calibrar seu bolsonarismo e enfrentar a dianteira de Marina Silva e Simone Tebet, nomes de Lula para o Senado.
Mas não criticando as duas por serem de fora, logo ele, carioca que foi eleito sem endereço em São Paulo. Simone foi no fígado: "Sou corinthiana, não flamenguista, e pago imposto no Estado há dez anos. E ele?"
Em Minas? A dois meses e meio das eleições, nem Lula nem Flávio têm candidatos ao governo no estado-síntese do País, que exige pedágio, em votos, para os presidentes subirem a rampa do Planalto.
Flávio insiste no senador Cleitinho (Republicanos) e Lula nem sequer decidiu: chapa puro sangue ou abrir mão para aliados? E mais: o quanto o ex-governador Romeu Zema pode ajudar ou atrapalhar cada um deles? A que custo?
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