Senadores goianos divergem, mas admitem fim da escala 6x1

Bancada indica aprovação do texto vindo da Câmara, mas sugere “adequações”; Wilder e Vanderlan assinam proposta alternativa da oposição
Por O Popular
Data: 29/05/2026
Senador Wilder Morais (PL): assinatura em proposta de horário flexível (Fábio Lima/O Popular)

Apesar de apresentarem posicionamentos divergentes sobre os termos, os senadores da bancada de Goiás consideram que existe margem para que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para o fim da escala de trabalho 6x1 seja aprovada pelo plenário do Senado. A avaliação de dois dos três parlamentares goianos é de que, mesmo com críticas ao texto, a votação contrária deverá ser reduzida, como ocorreu na Câmara dos Deputados, que registrou 472 votos favoráveis e apenas 22 contrários.

Apenas Jorge Kajuru (PSB) define voto favorável à medida da maneira como foi avalizada pelos deputados federais, enquanto Vanderlan Cardoso (PSD) e Wilder Morais (PL) registraram suas assinaturas em PEC alternativa, apresentada pela oposição no Senado . Vanderlan afirma que busca alterar o texto para aplicar mais possibilidades para a relação de trabalho entre empregados e empregadores.

No entanto, o senador aponta que, mesmo se não houver mudanças ou avanço da proposta da oposição, a tendência é de aprovação. "Não vai ser assim, como do dia para a noite. O Senado é a casa revisora, mas existe sim o cenário (para aprovação). Eu acho que ninguém vai votar contra. A questão é que essa alternativa do senador Rogério Marinho (PL/RN) também é viável", defende Vanderlan.

Wilder não respondeu aos pedidos de posicionamento da reportagem sobre o tema.

Vanderlan argumenta que a proposta pode definir mais possibilidades de acordos trabalhistas, como o trabalho intermitente, já previsto na reforma trabalhista de 2017, mas não regulamentado na Constituição Federal. "Nós temos que dar alguma alternativa e modernizar o país. Tem formas que funcionam e eu sei porque mantive empresa por sete anos nos Estados Unidos trabalhando nesse regime intermitente, que é espetacular. O sistema por hora", avalia.

A chamada PEC do horário flexível, encabeçada pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL), já reúne assinaturas de 40 senadores de nove partidos. O apoio ao contraponto à medida aprovada pela Câmara mostra alerta para a tramitação da proposta apoiada pelo Palácio do Planalto, já que, para ser aprovada no Senado, uma PEC precisa de pelo menos 49 senadores, em dois turnos.

Caso todos os signatários se opuserem à proposta original, não haveria votos suficientes para aprovar o fim da escala 6x1 . A questão é que as assinaturas na proposta do horário flexível não significa, necessariamente, voto contra a PEC da Câmara.

Confusão

Já Kajuru discorda da viabilidade da matéria liderada pelos opositores. "A oposição, na verdade, é totalmente contra. Querem fazer confusão, bagunça. Não tem coerência nenhuma essa PEC deles. O que nós temos que fazer é o que a Câmara fez e pronto. Definir a escala 5 por 2 e assunto encerrado. O empresário ou o político que não pensa assim é bandido, que só pensa nele", afirmou.

Assim como Vanderlan, no entanto, Kajuru avaliou que há baixa perspectiva de votos contrários, mesmo com a mobilização da oposição para o debate contra a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Não tem possibilidade de rejeitar. Não tem como. Só se for quem é contra o trabalhador. É totalmente impossível imaginar que alguém vai votar contra. É como foi na Câmara, em que foram 22 votos contra", apontou.

O senador considera, no entanto, que a relação conturbada entre o governo federal e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB/AP), pode prejudicar o ritmo de apreciação do texto aprovado pelos deputados. "Esse é o problema, porque o Davi e o Lula não estão bem. O Hugo Motta foi esperto e votou no tratoraço. Então, pode ser que dependa de uma articulação ainda para votar isso", diz. "O Davi é negociador, mas também vai haver pressão dos senadores do bem, que na minha opinião são a maioria, e que não vão concordar com essa proposta ridícula do Rogério Marinho", aponta.

A proposta da Câmara define a validade da redução da jornada 60 dias após a promulgação da PEC. Na primeira etapa, o limite semanal cairá de 44 para 42 horas, já com a obrigatoriedade de dois dias de descanso semanal remunerado. Depois, as empresas terão 12 meses para concluir a adaptação e reduzir a carga horária em mais duas horas, chegando a 40 horas semanais. Ao todo, a transição prevista será de 14 meses.

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