UFG mira nicho de jovens fora da escola e do mercado de trabalho
Atrair para o ensino superior público jovens que estejam ou caminhem para entrar na estatística daqueles que nem trabalham nem estudam. Esse é o principal desafio a que a Universidade Federal de Goiás (UFG) se propõe na edição deste ano do Espaço das Profissões O evento começou nesta quarta-feira (13) e segue até esta quinta-feira (14), das 8 às 17 horas, no Centro de Cultura e Eventos Professor Ricardo Freua Bufáiçal e em várias unidades acadêmicas. A feira proporciona um momento de imersão dos estudantes de ensino fundamental e médio nos 114 cursos de graduação.
O relatório "Education at a Glance 2025 - Notas Estatísticas", produzido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostrou que 24% dos jovens brasileiros com idades entre 18 e 24 anos não estavam nem empregados nem no sistema educacional.
O índice foi o 4º pior do mundo, atrás de África do Sul (48%), Turquia (31%) e Colômbia (27%). A média mundial foi de 14%. Em Goiás, revela a Síntese de Indicadores Sociais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no fim de 2025, 15,6% dos jovens não estudavam nem trabalhavam em 2024. São 269 mil pessoas fora da escola e do mercado de trabalho.
O pró-reitor adjunto de graduação da UFG, professor Monarko Nunes de Azevedo, diz que o dado ajuda a universidade a pensar estratégias e ações que busquem ampliar o acesso, diversificar os processos seletivos e entender qual é a dinâmica da sociedade hoje. Azevedo lembra que o tema do Espaço das Profissões neste ano é "Dê o play no seu futuro: a próxima temporada da sua vida começa aqui", com o intuito de atrair um público jovem que, muitas vezes, é influenciado, pelas redes sociais, a desistir do ensino superior.
"A temática deste ano dialoga diretamente com esse estudante, falando de produção audiovisual e streaming, que fazem parte do cotidiano dessa geração. É uma forma de aproximar esses jovens do ambiente universitário", disse. Para Monarko, o Espaço das Profissões tem o papel de ajudar a tirar as dúvidas de quem ainda não sabe qual carreira seguir, mas também pode despertar o interesse dos jovens para conhecer o que a universidade oferece e representa.
A reitora da UFG, professora Sandramara Matias Chaves, explica que a ideia do Espaço das Profissões é fazer com que os estudantes de ensino fundamental e médio tenham um contato concreto com a possibilidade de chegar à universidade pública. "Muitos estudantes, principalmente de escolas públicas mais afastadas, ainda não conhecem a UFG e muitas vezes nem sabem que ela é gratuita. Às vezes ouvimos a pergunta: 'Mas não paga nada mesmo?'", conta.
Para Monarko, questões sociais e geográficas são as principais barreiras entre esses jovens e o ensino superior. Ele avalia que o papel da universidade para rompê-las se dá por meio da diversificação das formas de ingresso e das políticas de permanência. Desde 2009 existe o programa UFG Inclui, que é uma política de ações afirmativas que reserva vagas extras em cursos de graduação para indígenas, quilombolas, pessoas surdas e, mais recentemente, para pessoas trans. "É uma forma de estarmos atentos a essas dificuldades que já existem e garantir o ingresso dessas pessoas", disse.
Evitar evasão ainda é desafio para universidade
O pró-reitor adjunto Monarko Nunes também afirmou que a universidade tem se preocupado com a permanência desses estudantes e em combater a evasão. A UFG oferece políticas como a bolsa permanência -- para estudantes em situação de vulnerabilidade --, bolsa moradia, a Casa do Estudante -- para quem vem de outras cidades e não tem onde ficar -- e o Restaurante Universitário.
A reitora disse que hoje a UFG adere ao Programa Nacional de Assistência Estudantil, mas que tem buscado, junto ao Ministério da Educação, formas de ampliar o financiamento para dar conta de atender todos os estudantes em situação de vulnerabilidade social. "Os recursos para esse programa ainda não tiveram uma recomposição suficiente", disse Sandramara.
Monarko ainda rebateu o discurso muitas vezes disseminado nas redes sociais de que não vale mais a pena ingressar no ensino superior: "A universidade, no próprio nome, traz que existe um universo de vivências e experiências. O nosso papel é esclarecer, trazer informações baseadas na ciência e nas evidências e mostrar que o estudante tem muitas possibilidades. Nós temos nossos estudantes e egressos inseridos em diferentes espaços de governança, liderança e assistência também."
O professor Carlos Antônio, de 57 anos, que é diretor do Colégio Estadual Dona Hormezinda Maria Carneiro, de Bela Vista de Goiás, disse que hoje o maior desafio das escolas é motivar os estudantes a quererem cursar o ensino superior. Para ele, a vontade de fazer uma graduação foi se perdendo ao longo dos anos, muito pela influência digital. "Na minha época, nós buscávamos o conhecimento por meio da universidade; hoje, o pouco para eles já é suficiente e isso é muito ruim. As redes sociais propiciam muita informação e pouco conhecimento", afirmou.
Pedro Henrique Vieira, de 16 anos, que cursa o 3º ano do ensino médio no Centro de Ensino em Período Integral (Cepi) Joaquim Maria de Godoi, em Niquelândia, disse que sempre quis estudar na UFG, mas precisava do Espaço das Profissões para ajudar a escolher o que cursar. "Ainda estou em dúvida, mas gostei muito dos cursos de Filosofia e Música", disse.
Da mesma turma de Pedro, Gabriela Rodrigues, de 17 anos, contou que está entre Pedagogia e Dança. Os dois pensam em pleitear uma vaga na Casa do Estudante para conseguirem morar em Goiânia durante o curso, caso passem no Enem ou no vestibular. "Para quem não tem condições, fica difícil sair de uma cidade para outra, (Niquelândia) é muito longe da capital, a minha maior insegurança é saber onde eu vou ficar, o que vou fazer", disse Gabriela.
Estudantes do 3º ano no Cepi Juvenal José Pedroso, em Goiânia, Rainara Cardoso e Yasmin Cristina, ambas com 17 anos, querem fazer Medicina. Rainara diz que conseguiria se manter no curso com a ajuda dos pais, que são empresários, mas Yasmin espera contar com o apoio das políticas de permanência. Mas destaca que só o fato de ter a oportunidade de cursar uma universidade pública aproxima seu sonho da realidade.
O Espaço das Profissões é realizado desde 2009 e tem como expectativa, neste ano, receber 30 mil estudantes. Esta também é a primeira vez que o evento é promovido nas quatro cidades onde a UFG tem campus e oferece cursos de graduação. Além de Goiânia, o campus da Cidade Ocidental recebeu potenciais alunos em 29 de abril. A cidade de Goiás receberá estudantes em 20 de maio; e Aparecida de Goiânia, em 23 de setembro.
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