Minoria de brasileiros lê para filhos pequenos, revela pesquisa internacional

Estudo, dirigido pela OCDE, envolveu três Estados – Ceará, Pará e São Paulo. Resultado é que apenas 14% de pais e responsáveis fazem leitura compartilhada frequentemente por semana
Por O Popular
Data: 06/05/2026
Empresária Carolina Adorno, em momento de leitura com os filhos Vitor e Manuela (André Costa / O Popular)

Estudo internacional desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e divulgado nesta terça-feira (5) aponta que 53% das famílias brasileiras nunca ou raramente leem livros para suas crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola.

A pesquisa abrangeu Ceará, Pará e São Paulo, onde apenas 14% dos responsáveis fazem a leitura compartilhada entre três e sete vezes por semana. Enquanto isso, a média internacional para essa atividade é de 54%. Os dados são da publicação Aprendizagem, bem-estar e desigualdades na primeira infância em 3 estados brasileiros: Evidências do International Early Learning and Child Well-being Study (IELS).

O coordenador do levantamento e pesquisador do Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais (Lapope) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tiago Bartholo, diz que a situação é crítica inclusive nas camadas mais ricas da sociedade, onde o índice de leitura frequente não chega a 25%. Ele entende que o foco é que a importância da leitura compartilhada não está clara para a população como parte importante do processo de alfabetização, além de a falta do vínculo impacta no desenvolvimento infantil. "Essa informação ainda não é devidamente disseminada. São momentos muito importantes para o bem-estar e o desenvolvimento das crianças."

O resultado indica oportunidades para ampliar políticas intersetoriais e programas de apoio à parentalidade e para fortalecer a relação entre os parentes e as escolas de educação infantil. "Nossa perspectiva é sempre pensar em família e escolas de forma conjunta, potencializando o bem-estar e o desenvolvimento das crianças", diz Tiago Bartholo.

O estudo internacional coletou dados somente em três Estados -- Ceará, Pará e São Paulo -- devido a questões orçamentárias. O levantamento está organizado em três grandes áreas do desenvolvimento de crianças de 5 anos, nas quais foram avaliados dez domínios. As áreas são: aprendizagens fundamentais; funções executivas; e habilidades socioemocionais relacionadas à compreensão de si e dos outros. Ao todo, participaram 2.598 crianças, distribuídas em 210 escolas, sendo 80% delas públicas e 20% privadas das três unidades federativas.

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